Por que os cientistas assumem a difícil tarefa do mapeamento cerebral? A resposta é simples, diz Lichtman. Para conhecerem mais intimamente o nosso cérebro. Nós nunca vimos um diagrama de como todos os neurônios se conectam. Como Jeff Lichtman coloca: "muito do nosso pensamento sobre o cérebro está baseado no conhecimento limitado sobre o que realmente está contido nele. Então, nós gostaríamos de ver o que realmente há nele."
O diagrama elétrico do cérebro pode nos ajudar a compreendermos melhor como aprender e nos adaptamos, diz Lichtman. "Nós iniciamos nossas vidas muito menos adaptados ao nosso ambiente do que qualquer outro animal. Quando amadurecemos, podemos utilizar ferramentas que a nossa herança genética provavelmente não teria ensinado aos nossos neurônios, como os iPods. Nenhum outro animal consegue fazer isso. Durante o nosso desenvolvimento, nós devemos nos conectar para [sermos capazes de] utilizar tais máquinas", completa o biólogo.
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O mapeamento cerebral também é muito prático para os médicos. Neurocirurgiões utilizam esse mapa para planejarem cirurgias com mais segurança. Um tratamento para epilepsia, por exemplo, remove a área afetada do cérebro. Utilizando a ressonância magnética funcional e a eletroencefalografia (EGG, sigla em inglês) os cirurgiões conseguem localizar o centro de convulsão no cérebro do paciente, assim como as áreas ativadas durante a fala e o movimento com precisão milimétrica. Essas imagens mostram aos médicos o que eles devem deixar e o que devem cortar.
O mapeamento cerebral não é somente utilizado para tratamentos. Também é usado para diagnosticar doenças neurodegenerativas, como o Mal de Parkinson e a doença de Alzheimer [fonte: Wilson]. Utilizando técnicas de catalogação como a tomografia por emissão de pósitrons (PET, sigla em inglês), os médicos procuram pela diminuição de certas substâncias químicas do cérebro. Além disso, podem utilizar a ressonância magnética para examinarem a diminuição do tamanho em áreas que mostram perda de tecidos. Com o tempo, os especialistas conseguem mapear a aparência do cérebro enquanto a doença progride ou quando os tratamentos funcionam [fonte: Instituto para Doenças Neurodegenerativas (em inglês)].
Alterações de desenvolvimento como o autismo podem ter uma base estrutural no cérebro. Lichtman destaca que a doença é tida como uma série de conexões errôneas entre os neurônios. Aplicando o Brainbow em um rato com autismo, os pesquisadores podem observar o diagrama evoluindo para descobrirem como, quando e se o diagrama sai errado.
Os pesquisadores também buscaram ilustrar os efeitos de várias doenças mentais no cérebro com algum sucesso. As imagens cerebrais destes pacientes revelaram anormalidades estruturais. Por exemplo, a ressonância magnética estrutural mostrou que, com o tempo, os pacientes esquizofrênicos perderam material no córtex temporal e pré-frontal [fonte: Rapoport]. Tais descobertas poderão auxiliar nos tratamentos.
Síndrome do pânico, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtornos alimentares e outras doenças estão sendo examinadas com diferentes técnicas de imagens do cérebro, mas como nós interpretamos as descobertas dos cientistas? E mais importante ainda, onde nós podemos vê-las? Descubra na próxima página.