Utilizações do mapeamento cerebral

Por que os cientistas assumem a difícil tarefa do mapeamento cerebral? A resposta é simples, diz Lichtman. Para conhecerem mais intimamente o nosso cérebro. Nós nunca vimos um diagrama de como todos os neurônios se conectam. Como Jeff Lichtman coloca: "muito do nosso pensamento sobre o cérebro está baseado no conhecimento limitado sobre o que realmente está contido nele. Então, nós gostaríamos de ver o que realmente há nele."

O diagrama elétrico do cérebro pode nos ajudar a compreendermos melhor como aprender e nos adaptamos, diz Lichtman. "Nós iniciamos nossas vidas muito menos adaptados ao nosso ambiente do que qualquer outro animal. Quando amadurecemos, podemos utilizar ferramentas que a nossa herança genética provavelmente não teria ensinado aos nossos neurônios, como os iPods. Nenhum outro animal consegue fazer isso. Durante o nosso desenvolvimento, nós devemos nos conectar para [sermos capazes de] utilizar tais máquinas", completa o biólogo.

Sarcasmo Mapeado. Consciência ainda é elusiva.

Médicos e cientistas aprenderam mais com o mapeamento cerebral do que este artigo consegue cobrir. Veja dois destaques:
  • Sarcasmo: nós detectamos o sarcasmo a partir de uma região do cérebro chamada de giro parahipocampal direito. Os pesquisadores descobriram isso utilizando a ressonância magnética funcional em pacientes com deterioração naquela região e que são irônicos com frequência [fonte: Hurley (em inglês)].
  • Consciência: de acordo com Rodolfo Llinas, da Universidade de Nova Iorque, nós podemos dividir o cérebro em um centro de sincronização de localização mais interna e em giros cerebrais responsáveis pelo pensamento mais complexo. Nós nos sentimos conscientes quando o centro mantém os giros funcionando em harmonia. Mas quando qualquer parte é danificada, podemos perder um pouco ou toda a consciência, diz Nicholas Schiff da Faculdade Weill Medical da Universidade Cornell. Isso pode explicar por que pacientes sem nenhum sinal de consciência durante anos podem ter uma atividade cerebral completamente normal em resposta a uma voz familiar. Eles possuem giros funcionando isoladamente, como as redes neurais que processam a fala. [fonte: Zimmer].

O mapeamento cerebral também é muito prático para os médicos. Neurocirurgiões utilizam esse mapa para planejarem cirurgias com mais segurança. Um tratamento para epilepsia, por exemplo, remove a área afetada do cérebro. Utilizando a ressonância magnética funcional e a eletroencefalografia (EGG, sigla em inglês) os cirurgiões conseguem localizar o centro de convulsão no cérebro do paciente, assim como as áreas ativadas durante a fala e o movimento com precisão milimétrica. Essas imagens mostram aos médicos o que eles devem deixar e o que devem cortar.

O mapeamento cerebral não é somente utilizado para tratamentos. Também é usado para diagnosticar doenças neurodegenerativas, como o Mal de Parkinson e a doença de Alzheimer [fonte: Wilson]. Utilizando técnicas de catalogação como a tomografia por emissão de pósitrons (PET, sigla em inglês), os médicos procuram pela diminuição de certas substâncias químicas do cérebro. Além disso, podem utilizar a ressonância magnética para examinarem a diminuição do tamanho em áreas que mostram perda de tecidos. Com o tempo, os especialistas conseguem mapear a aparência do cérebro enquanto a doença progride ou quando os tratamentos funcionam [fonte: Instituto para Doenças Neurodegenerativas (em inglês)].

Alterações de desenvolvimento como o autismo podem ter uma base estrutural no cérebro. Lichtman destaca que a doença é tida como uma série de conexões errôneas entre os neurônios. Aplicando o Brainbow em um rato com autismo, os pesquisadores podem observar o diagrama evoluindo para descobrirem como, quando e se o diagrama sai errado.

Os pesquisadores também buscaram ilustrar os efeitos de várias doenças mentais no cérebro com algum sucesso. As imagens cerebrais destes pacientes revelaram anormalidades estruturais. Por exemplo, a ressonância magnética estrutural mostrou que, com o tempo, os pacientes esquizofrênicos perderam material no córtex temporal e pré-frontal [fonte: Rapoport]. Tais descobertas poderão auxiliar nos tratamentos.

Síndrome do pânico, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtornos alimentares e outras doenças estão sendo examinadas com diferentes técnicas de imagens do cérebro, mas como nós interpretamos as descobertas dos cientistas? E mais importante ainda, onde nós podemos vê-las? Descubra na próxima página.