Outros efeitos fisiológicos

Além do cérebro, os efeitos colaterais da maconha podem atingir outras partes do corpo. A maconha possui centenas de substâncias químicas e, quando é queimada, outras centenas delas são produzidas. Ao ser digerida ou inalada em qualquer outra forma, inúmeros efeitos colaterais acontecem a curto prazo. Alguns deles são:
  • problemas com a memória e com o aprendizado
  • percepção distorcida
  • dificuldade com pensamentos e solução de problemas
  • perda da coordenação
  • aumento dos batimentos cardíacos
  • ansiedade, paranóia e ataques de pânico

Os efeitos iniciais criados pelo THC da maconha passam depois de uma hora ou duas, mas as substâncias químicas permanecem no seu corpo por muito mais tempo. A meia-vida do THC é estimada entre 20 horas a 10 dias, dependendo da quantidade e da potência da maconha utilizada. Isso significa que se você usar um miligrama de THC que possui uma meia-vida de 20 horas, 0,031 mg desta substância ainda estará no seu corpo depois de quatro dias. Quanto mais longa a meia-vida, mais tempo o THC permanecerá em seu corpo.

As mastigadas
Um fenômeno particular associado ao uso da maconha é o aumento do apetite. Pesquisas mostram que a maconha torna a alimentação mais prazerosa e aumenta o número de refeições diárias dos usuários, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde norte americano (em inglês).

Até recentemente, este fenômeno era um relativo mistério. Contudo, um recente estudo de cientistas italianos pode ter explicado o que aumenta o apetite entre os usuários de maconha: moléculas chamadas de endocanabinóides se ligam aos receptores no cérebro e ativam a sensação de fome.

Esta pesquisa indica que os endocanabinóides do hipotálamo do cérebro ativam receptores canabinóides que são responsáveis pela manutenção da entrada de alimentos. Os resultados deste estudo foram publicados na edição de abril de 2001, da revista científica Nature (em inglês).

O debate sobre a intensidade do vício à maconha continua. Estudos, ainda em andamento, mostram os inúmeros sintomas possíveis associados à interrupção do uso da maconha. Estes sintomas quase sempre incluem: irritabilidade, nervosismo, depressão, ansiedade e até raiva. Outros sintomas são inquietação, mudanças importantes no apetite, ataques de violência, sono leve ou mesmo insônia. Além destes possíveis efeitos físicos, uma dependência psicológica quase sempre se desenvolve, pois a mente do usuário ambiciona o sentimento de leveza que consegue ao usar a droga.

Além destes efeitos que a maconha possui, os que a fumam estão suscetíveis aos mesmos problemas de saúde dos que fumam tabaco, como bronquite, enfisemas e asma. Outros efeitos incluem boca seca, olhos vermelhos, coordenação motora e concentração debilitados. O uso prolongado da droga pode aumentar a chance de danos aos pulmões e ao sistema reprodutivo, de acordo com a Agência Americana de Combate às Drogas (DEA - Drug Enforcement Agency). Seu uso também tem sido associado a infartos.

Usos medicinais
Mesmo sabendo que a maconha possui conhecidos efeitos negativos no corpo humano, existe um acirrado debate sobre o uso medicinal desta erva. Alguns dizem que a maconha deveria ser legalizada pois, quando usada como medicamento, é conhecida por combater náuseas, aliviar a pressão ocular, diminuir espasmos musculares, estimular o apetite, combater convulsões e eliminar cólicas menstruais (em inglês). Por causa da sua natureza terapêutica, a maconha tem sido utilizada no tratamento de diversas doenças, como o câncer e a AIDS (para suprimir a náusea e estimular o apetite), glaucoma (para aliviar a pressão ocular), epilepsia (para evitar as convulsões) e em casos de esclerose múltipla (para diminuir os espasmos).

Outros acreditam que os efeitos negativos do uso da maconha são maiores do que os efeitos positivos. Atualmente, nove estados norte-americanos legalizaram o uso medicinal da maconha: Alasca, Arizona, Califórnia, Colorado, Havaí, Maine, Nevada, Oregon e Washington.