A maconha e o cérebro

Autor: 
Kevin Bonsor

O THC é uma substância química bastante potente quando comparado às outras drogas psicoativas. Uma dose intravenosa (IV), de apenas um miligrama (mg), pode produzir sérios efeitos mentais e psicológicos. Uma vez na corrente sanguínea, o THC alcança o cérebro em poucos segundos após ser inalado, e começa a agir imediatamente.


Os usuários de maconha normalmente descrevem a experiência do fumo inicialmente como relaxante, criando uma sensação de nebulosidade e leveza. Os olhos dos usuários podem dilatar, causando a impressão de que as cores possuem maior intensidade. Outros sentidos também podem se alterar. Depois, sentimentos de paranóia e pânico também podem se manifestar nos usuários. A interação do THC com o cérebro é o que causa estes sentimentos. Para entender como a maconha afeta o cérebro, você precisa saber sobre as partes do cérebro que são afetadas pelo THC:

  • neurônios são as células que processam as informações no cérebro. Substâncias químicas chamadas neurotransmissores permitem que os neurônios comuniquem-se entre si;
  • neurotransmissores preenchem a fenda sináptica ou sinapse - espaço entre dois neurônios - e se ligam aos receptores de proteína, que ativam diversas funções e permitem ao cérebro e ao corpo ligar e desligar;
  • alguns neurônios possuem milhares de receptores que são específicos para neurotransmissores em particular;
  • substâncias químicas estranhas, como o THC, podem copiar ou bloquear as ações dos neurotransmissores e interferir nas funções normais.

Em seu cérebro, existem grupos de receptores canabinóides concentrados em diferentes lugares. Estes receptores possuem efeitos em diversas atividades mentais e físicas, incluindo:

  • memória de curto prazo
  • coordenação
  • aprendizado
  • soluções de problemas

Receptores canabinóides são ativados por um neurotransmissor chamado anandamida. A anandamida pertence ao grupo das substâncias químicas chamadas de canabinóides. O THC também é uma substância deste grupo e copia as ações da anandamida, o que significa que o THC se liga aos receptores canabinóides ativando os neurônios, com efeitos adversos sobre o próprio cérebro e o restante do corpo.


Existem altas concentrações de receptores canabinóides no hipocampo, cerebelo e nos gânglios basais. O hipocampo está localizado no lobo temporal sendo importante para a memória de curto prazo. Quando o THC se liga aos receptores canabinóides dentro do hipocampo, interfere na lembrança de eventos recentes. O THC também afeta a coordenação, que é controlada pelo cerebelo. Os gânglios basais controlam os movimentos involuntários dos músculos, o que apenas debilita, ainda mais, a coordenação motora quando sob a influência da maconha.