Antes de ser uma droga recreativa, o LSD era usado na terapia psiquiátrica. No começo, os psiquiatras esperavam que o LSD provasse ser a cura para algumas formas de doença mental. Acreditava-se que dar LSD a um paciente dispensaria a necessidade de anos de psicoterapia e provocaria mudanças permanentes no comportamento e na personalidade. Entre 1950 e 1965, aproximadamente 40 mil pacientes receberam tabletes de Delysid, da Sandoz [fonte: Henderson]. Isso incluiu esquizofrênicos, obsessivos-compulsivos, depressivos e autistas. Ele também foi administrado em pessoas consideradas mentalmente doentes com perversões sexuais, como homossexualidade.
Houve dois tipos principais de terapia que incorporaram o uso do LSD. Na Europa, a terapia psicolítica era comum. Psiquiatras davam aos pacientes doses baixas de LSD (50 microgramas ou menos) durante várias sesões e os encorajavam a se concentrar na infância e no subconsciente. Psiquiatras americanos tenderam a usar mais a terapia psicodélica. Eles davam aos seus pacientes altas doses de cerca de 200 microgramas por algumas poucas sessões. Em vez de trazer à tona memórias da infância, esses médicos esperavam que as altas doses de LSD provocassem um despertar espiritual positivo e encorajasse os pacientes a encontrar um significado em suas vidas e a querer melhorar.
A abordagem do despertar espiritual também foi usada em alcoólicos, que eram difíceis de tratar por outros tipos de terapia. Alguns psiquiatras tentavam induzir uma forma de delirium tremens, que podia levar os alcoólicos a "corrigir-se". O LSD também era dado a criminosos na esperança de que eles pudessem ser corrigidos. Embora muitos pisquiatras tenham relatado bons resultados, houve poucos estudos abrangentes. Os estudos em pequena escala são considerados falhos hoje porque eles não empregaram controles.
A Sandoz recomendava doses muito específicas de LSD e determinou que a droga só deveria ser administrada por um psiquiatra em um ambiente médico controlado. Claro que houve um mercado negro da droga em 1962. Como o uso recreativo cresceu, o governo federal ficou progressivamente preocupado com os efeitos do LSD e tomou providências para restringir seu uso oficial. Muitos pesquisadores sentiram que seus estudos foram abortados antes que eles pudessem chegar a uma conclusão definitiva sobre os efeitos terapêuticos do LSD. Em 1965, bem poucos pesquisadores nos EUA ainda tinham permissão para possuir LSD. Havia apenas seis projetos conduzidos em 1969, e, em 1974, o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) declarou que o LSD não tinha valor terapêutico real.
O último estudo terapêutico com LSD nos EUA aconteceu nos anos 80. Os pesquisadores acreditavam que o LSD poderia ser benéfico para pacientes terminais porque os ajudava a ter consciência de seu ambiente, aliviava suas dores e fazia-os sentir-se mais conectados com seus familiares. O estudo terminou, contudo, antes de a idéia ser completamente explorada.
Atualmente há estudos usando o LSD em humanos em outros países, como Suíça e Reino Unido. Em setembro de 2008, a Food and Drugs Administration (FDA) abriu as portas novamente para pesquisas clínicas com pacientes terminais usando LSD. Isso pode sinalizar um interesse renovado em outros usos terapêuticos da droga.
Na próxima página, vamos falar sobre um grupo de pessoas comumente associado com o LSD: os hippies.