O químico suíço Albert Hoffmann trabalhava em um laboratório da companhia farmacêutica Sandoz quando sintetizou o LSD pela primeira vez. A Sandoz estava trabalhando em um projeto de pesquisa envolvendo um fungo parasita chamado ergot que cresce no centeio, conhecido como Claviceps purpurea. Na Idade Média esse fungo envenenou milhares de pessoas que comeram pão de centeio infectado. O fungo também era usado por parteiras, que às vezes o davam a mulheres grávidas para acelerar o trabalho de parto. No século 19, a maioria dos médicos considerava a prática perigosa demais porque altas dosagens levavam a contrações muito fortes, colocando o bebê em perigo. Apesar disso, às vezes os médicos usavam o ergot para parar o sangramento após o nascimento da criança.
![]() Philip H.Baley/CC-BY-SA Albert Hoffman, que descobriu o LSD |
Nos anos 30, pesquisadores do Instituto Rockefeller, em Nova York, isolaram o ácido lisérgico de um composto do ergot. Essa pesquisa foi a base para o trabalho de Hoffmann na Sandoz. Enquanto estava derivando diferentes compostos do ácido lisérgico, Hoffmann desenvolveu vários medicamentos, incluindo drogas que baixavam a pressão arterial e melhoravam as funções cerebrais em idosos. Em 1938, Hoffmann isolou o 25o composto em uma série desses experimentos. Era a dietilamida do ácido lisérgico, o LSD-25. Ele achava que o LSD-25 podia estimular a respiração e a circulação. Mas testes não mostraram nada de especial, e a Sandoz abandonou estudos adicionais.
Cinco anos depois, os pensamentos de Hoffmann voltaram para o potencial do LSD-25. Ele sentiu que o LSD-25 não tinha sido totalmente explorado, então deu um passo incomum ao sintetizar outro lote para testes adicionais. Durante o processo, contudo, Hoffmann começou a se sentir estranho. Ele parou seu trabalho e foi para casa cedo, "sendo afetado por uma inquietação memorável, combinada com uma leve tontura". Já em casa, ele estava em um "estado irreal" e percebeu um fluxo ininterrupto de imagens fantásticas, formas extraordinárias com um caleidoscópio de cores intenso". Naquele momento, Hoffman percebeu que tinha ficado com um pouco da solução nos dedos. (Mais tarde ficaria comprovado que ele colocou seu dedo na boca, já que o LSD não podia ser absorvido pela pele.)
No dia seguinte, Hoffman propositalmente tomou o LSD. Ele pegou 250 microgamas, dez vezes mais que a típica dose mínima de hoje. Hoffmann ficou delirante e mal podia falar. Inicialmente, ele entrou em pânico e pediu a seu assistente de laboratório para chamar um médico. O médico não encontrou nada errado com Hoffmann além do fato de suas pupilas estarem dilatadas - ele tinha a pressão arterial, batimentos cardíacos e respiração normais. Logo seu pânico deu lugar à euforia, e Hoffmann mais uma vez viu formas belas e coloridas. No dia seguinte, contou aos outros na Sandoz o que havia acontecido, e eles experimentaram resultados similares. Nenhuma outra droga conhecida tinha efeitos tão fortes em tão pequenas doses.
Após testes em animais, a Sandoz deu o LSD para institutos de pesquisas e médicos usarem em experimentos psiquiátricos, tanto em pacientes saudáveis quanto em mentalmente doentes. A pesquisa foi persuasiva o suficiente para convencer a Sandoz a patentear o LSD e levá-lo ao mercado como Delysid em 1947. Ele foi vendido em tabletes de 25 microgramas para uso na psicoterapia analítica. A Sandoz também sugeriu que psiquiatras tomassem a droga eles mesmos, assim poderiam entender melhor seus pacientes. Dois anos depois, médicos do Hospital Psicotrópico de Boston estavam usando o LSD em seus pacientes. Em 1960, havia centenas de pesquisas publicadas nos jornais médicos e científicos sobre os vários usos do LSD - era a palavra da comunidade psiquiátrica. Mas em 1966, a Sandoz parou de fabricar de vez o LSD.
Agora vamos ver como o LSD passou a ser ilegal.