Alexitimia e falta de inteligência emocional

Em 1991, o psicólogo canadense Robert Hare lançou um estudo indicando que os psicopatas podem ter um cérebro diferente do resto da população [fonte: Nichols]. Embora os psicopatas continuem intelectualmente cientes das regras da sociedade, eles não possuem inteligência emocional. O perfil de um psicopata inclui impulsividade, metas grandiosas sem disciplina ou foco para alcançá-las, tendência a se sentir aborrecido, falta de ligações pessoais próximas e, naturalmente, falta de empatia. Quando Hare monitorou as ondas cerebrais de psicopatas enquanto estes examinavam algumas palavras, como aquelas que despertam inúmeras emoções na maioria das pessoas, descobriu que não havia atividade nas partes do cérebro envolvidas na emoção. Hare descreveu esses psicopatas como sendo "emocionalmente daltônicos" à revista Maclean's, em 1996 [fonte: Nichols].

O trabalho de Hare parece indicar que os psicopatas possuem funções cerebrais anormais nas áreas relacionadas ao processamento da emoção e da linguagem - o que significa que existe uma base neurológica para alguns crimes abomináveis, ao contrário de certos fatores ambientais, como violência infantil. Se o QI desses psicopatas fosse testado, o resultado provavelmente seria normal, mas é na falta de inteligência emocional que vemos os transtornos na saúde cerebral.

Saudação ao cérebro do presidente

Quando Oliver Wendell Holmes encontrou Franklin D. Roosevelt, ex-presidente dos EUA, ele notou que este demonstrou "um intelecto de segunda categoria, mas um temperamento de primeira" [fonte: Gibbs]. Essa avaliação fala da inteligência emocional de Roosevelt.

A emoção pode ser um fator importante na determinação de quem é mais adequado para assumir uma liderança. Fred I. Greenstein, professor de política na Universidade de Princeton, escreveu um livro avaliando 11 presidentes norte-americanos em seis qualidades de liderança, incluindo o estilo cognitivo e a inteligência emocional. Greenstein descobriu que Eisenhower, Ford e George H.W. Bush não tiveram conflitos emocionais que pudessem ter dificultado sua liderança, enquanto Johnson, Carter, Nixon e Clinton tiveram problemas emocionais que afetaram suas presidências [fonte: Gailey]. Na visão de Greenstein, Reagan, Truman, Kennedy e
Roosevelt encontraram obstáculos emocionais que não afetaram sua liderança [fonte: Gailey].

Se uma pessoa está na extremidade baixa do espectro de inteligência emocional, ela pode apresentar uma condição conhecida como alexitimia, que é a incapacidade de compreender ou expressar as emoções. Com o conhecimento que os cientistas têm sobre as emoções no cérebro, eles criaram a teoria de que a alexitimia pode estar relacionada a um mau funcionamento do hemisfério direito ou a uma hiperatividade do hemisfério esquerdo (ficando o hemisfério direito incapaz de compensar) [fonte: Bermond et al.]. Também é possível que o corpo caloso, a parte do cérebro que controla a comunicação entre os lados direito e esquerdo do cérebro, esteja danificado a ponto de bloquear as mensagens relacionadas à emoção [fonte: Becerra et al.].

A alexitimia, às vezes, manifesta-se após a pessoa sofrer uma lesão cerebral, como um trauma brusco. Mas, no fim, o problema pode nos dizer mais sobre o que acontece durante os distúrbios cerebrais sem esse trauma. Por exemplo, a alexitimia foi associada a transtornos alimentares, distúrbios do pânico e distúrbios de estresse pós-traumático [fonte: Becerra et al.]. A condição também pode fornecer pistas sobre distúrbios do espectro do autismo; um assunto comum dos distúrbios do autismo é a falta de ligação emocional, de modo que as pessoas com o distúrbio não conseguem se apegar a detalhes sociais. A atividade reduzida do cerebelo foi associada ao autismo e à doença de Asperger [fonte: Bermond et al.].

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