A pontuação de QI de uma pessoa permaneceu como padrão nos debates sobre inteligência; é o tipo de número que fica em seu registro permanente. Consequentemente, os cientistas tentaram usar esse pequeno número como uma forma de determinar o estado do cérebro. Tome o exemplo da demência, em que a memória falha e a pessoa começa a perder a capacidade de se lembrar de fatos e tarefas simples. Uma redução da função cognitiva, ilustrada por uma pontuação de QI decrescente, foi usada como modo de prognosticar essa doença.
Entretanto, esse método possui algumas falhas, pois as pessoas com QIs muito altos apresentam os sintomas de demência muito mais tarde, e sua pontuação fica acima das normas preditivas nos testes cognitivos. A pontuação dessas pessoas, então, diminui rapidamente à medida que elas começam a apresentar os sintomas, pois a doença já progrediu. Como sua pontuação fica muito acima das normas, elas perdem valiosas oportunidades de intervenção precoce. De modo contrário, as pessoas com QIs mais baixos correm o risco de serem diagnosticadas erroneamente com demência, pois sua pontuação fica abaixo das normas cognitivas [fonte: APA].
![]() © istockphoto.com / Jessica Jones A irritação desse homem poderia fornecer pistas sobre a saúde de seu cérebro? |
Como a demência geralmente inclui um componente emocional, assim como essas falhas de memória, pode ser útil incluir como fator a inteligência emocional de alguém durante o diagnóstico. Mas como a emoção se decompõe no cérebro? Embora muitas partes do cérebro possam estar envolvidas no controle da emoção, o que vale é o que realmente está acontecendo nos hemisférios direito e esquerdo. O lado direito do cérebro recebe as informações sensoriais relacionadas às emoções e as processa. Em seguida, essas informações são enviadas para o lado esquerdo do cérebro, responsável pela linguagem. Esse lado do cérebro nomeia essas emoções. Também são fundamentais ao processo o cerebelo, a amígdala e o corpo caloso, que transfere as informações entre os dois hemisférios. Embora talvez não saibamos tudo a respeito da inteligência emocional, é razoável presumir que um nível baixo dessa inteligência seja conseqüência do mau funcionamento de uma dessas partes do cérebro.
Mas podemos usar esse conhecimento para determinar a saúde do cérebro? Ainda não, já que os cientistas ainda não sabem exatamente o que causa muitos distúrbios cerebrais. Entretanto, a inteligência emocional pode se mostrar mais valiosa em termos de identificação e tratamento dos fatores de risco. Por exemplo, o tabagismo é um fator de risco para muitas doenças cerebrais, mas um estudo realizado por uma universidade de Barcelona descobriu que os alunos com inteligência emocional elevada tinham menos probabilidade de fumar ou de usar maconha [fonte: Universidade Autônoma de Barcelona]. Esses alunos, aparentemente, eram capazes de controlar seu estado emocional de modo que sentiam menos necessidade de usarem produtos à base de tabaco, embora aqueles com inteligência emocional inferior pudessem consumir drogas para compensar um estado emocional deficiente.
De forma semelhante, apesar de uma pessoa com um QI alto geralmente saber os princípios básicos da nutrição, uma pessoa emocionalmente inteligente pode fazer as escolhas de alimentos corretas. Em um estudo, os pesquisadores descobriram que as pessoas com inteligência emocional superior conseguiam fazer melhores escolhas de produtos nas lojas [fonte: Press Journals da Universidade de Chicago]. A capacidade de selecionar produtos mais saudáveis pode proteger a pessoa emocionalmente inteligente contra o fator de risco extremamente perigoso da obesidade.
A inteligência emocional também foi associada ao melhor controle do estresse e à menor angústia psicológica, além de índices mais baixos de depressão [fonte: Austin et al.]. Quando as pessoas não conseguem reconhecer e controlar suas emoções, a probabilidade é maior de se sentirem insatisfeitas com a vida. Uma pessoa descontente parece achar graça das coisas? Embora possa parecer óbvio, as pessoas emocionalmente inteligentes têm redes sociais melhores para auxiliá-las em caso de doença; a socialização também pode ajudar a impedir o início da demência. Como a pessoa emocionalmente inteligente se relaciona com vários tipos de pessoas, ela também pode ter maior propensão a procurar um médico e a seguir suas orientações [fonte: Austin et al].
Dessa forma, existem aparentemente algumas ligações positivas entre a inteligência emocional elevada e a saúde do cérebro, mas o que acontece quando há falta dessa inteligência? Descobriremos na próxima página se a falta de inteligência emocional pode causar algum efeito ao cérebro.