Então, o que o futuro da insulina considera? Para começar, a eliminação da necessidade de injeções. Vários outros métodos de aplicação já foram testados e usados, mas com sucesso limitado, se é que houve algum. Dispositivos mecânicos, chamados de injetores a jato, usam ar comprimido para forçar a insulina sob a pele. São caros, volumosos e podem ainda provocar dor. Já se tentou administrar a insulina pelo nariz, mas sem sucesso, devido à irritação que causou na mucosa. O uso de supositórios retais de insulina antes das refeições foi rejeitado.
A principal promessa é um spray inalado que consegue ser tão eficaz quanto as injeções. Esses sistemas de aplicação de insulina inalada atualmente estão sendo testados por pelo menos três fabricantes. Com esses sistemas, os pacotes de insulina passam a ser espalhados pelo ar em uma cavidade fechada e são, então, inalados pela boca. Muitos especialistas em diabetes se surpreendem porque a insulina inalada é rapidamente absorvida e não é tóxica para os pulmões.
![]() 2006 Publications International, Ltd. As injeções de insulina logo poderão se tornar coisa do passado |
Uma desvantagem é que a insulina permanece por menos de uma hora, de modo que somente poderia ser usada para doses de insulina na hora das refeições. Os sistemas atuais também são grandes e requerem muita insulina para chegar ao mesmo efeito que uma dose pequena injetada. Entretanto, grandes estudos estão em andamento, esperando aprovação do FDA dentro em breve.
Outros caminhos promissores de investigação são o uso de pulsos de ultrassom para distribuir a insulina através dos emplastros na pele; as pílulas de insulina de liberação prolongada implantadas.
Embora as bombas de insulina implantáveis estejam disponíveis há anos, seu uso está avançando lentamente. Uma concentração de insulina muito alta (U-400 e superior) é aplicada em bolos prefixados (para depois das refeições) e em taxas basais (contínua) e é programada usando-se um controle remoto externo. A bomba precisa ser reabastecida a cada três meses, aproximadamente e, até há pouco tempo, havia incidentes de bloqueio no cateter de distribuição.
As reformulações da insulina a ser aplicada através dessas bombas parecem ter melhorado a situação de bloqueio. Com a combinação dessa bomba e de um sensor de glicose implantável, o ciclo da diabetes seria fechado, criando uma cura "mecânica" para a doença. Tal sistema talvez se torne realidade em breve.
Entretanto, cientistas canadenses fizeram uma descoberta importante na pesquisa sobre transplante de ilhotas. Eles demonstraram uma possível cura para a diabetes tipo 1, cujos portadores permaneceram independentes da insulina, com níveis normais de glicose e sem efeitos colaterais ou complicações significativas. Essa pesquisa levou a tentativas no mundo todo, usando o que agora chamamos de Protocolo de Edmonton. Essa é uma nova perspectiva para o tratamento da diabetes.
Mesmo que a insulina não seja a cura para a diabetes, sua descoberta médicas salvou, e ainda salva, milhões de vidas em todo o mundo. E embora esse feito ganhador do Prêmio Nobel seja uma das maiores façanhas médicas já vistas no Banting Museum em Londres, Ontário, a chama da esperança ainda queima. Somente quando for encontrada a cura, e não o tratamento, para a diabetes, é que essa chama será apagada.