Os tipos de insulina

Autor: 
Dr. Dana Armstrong and Dr. Allen Bennett King

Se você precisa de insulina, a decisão a ser tomada deve ser a melhor. Uma coisa que sabemos sobre a insulina é que ela sempre funciona. Ela diminuirá seus níveis de glicose quando usada corretamente, na quantidade exata e nas horas certas.

A insulina é uma pequena molécula equivalente à proteína secretada pelas células beta no pâncreas. Suas maiores funções são fazer com que seus músculos e células gordurosas absorvam a glicose e pedir ao fígado que fabrique menos glicose. Se tem diabetes tipo 1, você é dependente da insulina, já que precisa das injeções de insulina para viver. Seu pâncreas não fabrica insulina suficiente, para manter as funções de seu corpo. Se tem diabetes tipo 2, você pode precisar de insulina para complementar a quantidade que seu pâncreas produz para manter as funções normais.


Existem diferentes tipos de insulina, todos com características diferentes. Ao determinar a melhor insulina para você, há três características importantes a serem compreendidas e consideradas. A primeira é o tempo de ação da insulina. É o tempo que leva para a insulina chegar à corrente sangüínea e começar a diminuir seu nível de glicose.

A próxima é o pico da insulina. É a hora em que a insulina está no seu ponto máximo em termos de redução do nível de glicose. A última característica da insulina é sua duração. É o tempo que a insulina permanece no corpo, continuando a trabalhar e diminuir seus níveis de glicose.

Ao compreender essas características, você e a equipe que trata de você têm vários tipos diferentes de insulina a levar em consideração. Com bastante freqüência, essas insulinas serão usadas em uma espécie de combinação para atender as suas necessidades de início, pico e duração da ação. E, embora as características dos tipos da insulina tenham sido estudadas e documentadas detalhadamente, você precisa entender que existe uma singularidade em cada um de nós e que sua resposta a cada insulina pode variar em relação ao que se espera.

Por essa razão, fazer anotações completas e detalhadas dos resultados dos exames de sangue (glicemia) e do efeito das injeções de insulina é de extrema importância para poder compreender como funciona a insulina no seu corpo especificamente.

Quando a insulina foi disponibilizada pela primeira vez em 1923, havia apenas um tipo, a insulina comum. Embora fosse de origem animal, ainda está disponível hoje, em uma forma de DNA recombinante. A insulina comum, também chamada de insulina R, é uma insulina de ação curta que geralmente começa a funcionar dentro de 30 a 60 minutos, chega ao pico 2 a 4 horas depois da injeção e geralmente está fora do seu organismo entre 6 e 8 horas.

No início da terapia com insulina, as agulhas usadas para injetar a insulina eram grossas e precisavam ser afiadas manualmente antes de cada uso com uma pedra de amolar ou um couro de afiar navalhas. As seringas eram de vidro e precisavam ser fervidas e limpas diariamente. A dor e a inconveniência provocadas impulsionaram o desenvolvimento de uma insulina de ação mais longa, de modo que fossem necessárias menos injeções.

Nos anos 50, pesquisadores europeus desenvolveram dois novos preparados de insulina que reduziram as quatro ou seis injeções necessárias por dia para duas. O primeiro desses novos preparados de insulina foi a insulina NPH, que acrescentou uma proteína de peixe, a protamina, à insulina comum para retardar sua absorção. A NPH é uma insulina de ação intermediária que geralmente começa a funcionar em 2 a 4 horas, chega ao pico em 6 a 10 horas e sai do sistema em 16 a 24 horas. O outro novo preparado produziu dois tipos de insulina, a insulina Lenta e Ultralenta. Essas insulinas foram produzidas cristalizando-se a insulina comum em diferentes graus.

Com a cristalização da insulina, leva mais tempo para ela ser absorvida, prolongando, assim, sua ação no corpo. A insulina Lenta, uma insulina de ação intermediária, como a NPH, geralmente começa a funcionar em 3 a 4 horas, chega ao pico em 6 a 12 horas e dura de 20 a 26 horas. Em comparação, a Ultralente é cristalizada a um grau maior e é considerada uma insulina de ação prolongada. Geralmente, começa a funcionar em 4 a 6 horas, chega ao pico em 10 a 20 horas e costuma sair do corpo 24 a 36 horas depois da injeção. Devido a sua ação prolongada, geralmente é chamada de insulina "sem pico", com uma liberação aparentemente contínua durante um longo período de tempo.

Entretanto, estudos mostraram que a insulina Ultralenta é absorvida em graus em diferentes pessoas diferentes. Para algumas pessoas, a Ultralenta funciona como uma insulina de ação intermediária, enquanto para outras, tem ação longa. Há insulinas mais recentes: a Lantus, também conhecida como glargina e a Lispro. a glargina é a verdadeira insulina "sem pico". Ela é aplicada uma vez por dia e, funciona igualmente por 24 horas. A Lantus pode substituir a NPH, mas, em virtude de ter uma ação direta e sem pico, ela não faz nada para diminuir o aumento da glicose quando se come. Além disso, por ter um pH menor do que o de outras insulinas (tornando-a mais ácida), ela pode arder quando injetada e não pode ser misturada com outras insulinas na mesma seringa.

Um quarto tipo de insulina consiste nas insulinas de ação rápida como a insulina lispro e a insulina aspart. Esse tipo de insulina começa a fazer efeito 5 a 10 minutos depois de injetada, chega ao pico cerca de 1 a 2 horas e sai em aproximadamente 3 a 5 horas. Essa insulina mais recente age muito mais rápido do que a insulina comum e pode ser injetada pouco antes da refeição, em vez de 30 minutos antes, tempo recomendado para a insulina comum. Já que funciona tão rápido, o ideal é manter os níveis de glicose no sangue baixos logo após a refeição. Além disso, em virtude de ser removida do corpo rapidamente, há menos risco de hipoglicemia.

Devido à ação rápida dessas insulinas, há mais flexibilidade no planejamento das refeições, um benefício real de estilo de vida para as pessoas que devem usar insulina. Outro tipo de insulina é insulina pré-misturada. As insulinas pré-misturadas consistem de diferentes insulinas que são combinadas em porcentagens estabelecidas. Essas insulinas são adequadas para algumas pessoas que combinam duas insulinas diferentes juntas, como a NPH e a comum. A mistura mais típica é 70% de NPH e 30% de comum, chamada de insulina 70/30.

A insulina pré-misturada pode ser usada por aqueles que não querem ou estão desmotivados a tomar várias injeções diariamente, por aqueles que não conseguem ou não querem testar com freqüência os níveis de glicose no sangue, por aqueles que têm problema em tirar insulina de dois frascos diferentes e por aqueles incapazes de ajustar a dosagem de insulina com base nas leituras de glicose no sangue. É mais difícil atingir o controle com as insulinas pré-misturadas do que aplicando várias vezes a insulina durante o dia.

Geralmente, você é incapaz de chegar ao controle normal da glicose usando uma insulina pré-misturada, e a principal meta desse tipo de terapia rígida com insulina é prevenir os níveis baixos e muito altos de glicose no sangue.

Evidentemente, a insulina somente funcionará se for administrada corretamente. A próxima seção explora a forma como a insulina é usada.