Diagnóstico e tratamento da infertilidade

O diagnóstico de infertilidade normalmente começa com uma avaliação clínica e uma análise dos históricos médico e sexual de ambos os parceiros.

Uma amostra do sêmen do homem será examinada no microscópio para determinar a quantidade e a qualidade do esperma. Os resultados do exame fornecerão uma contagem do número de espermatozóides e também indicará se o esperma está adequadamente móvel e se suas cabeças são ovais - características necessárias à concepção.

Para determinar se a ovulação está acontecendo na mulher, a temperatura basal do corpo (temperatura do corpo ao acordar, antes de comer ou beber algo) será medida todas as manhãs por alguns meses. Se a temperatura subir para 0,6 ºC, isso indica ovulação.

Uma biópsia endometrial, na qual uma amostra do revestimento do útero é obtida para exame, também é capaz de indicar se ovulação está ocorrendo e se a secreção de hormônios é normal.

A obstrução das trompas de falópio pode ser diagnosticada por meio da injeção de um corante no aparelho reprodutor, seguida por um exame de raios-X. Outro teste consiste de injetar dióxido de carbono em forma gasosa nas trompas de falópio e esperar para ver se a paciente sentirá dores na porção superior do corpo, o que indica que o gás está passando pelas trompas de falópio e que não existem obstruções.

Um colo de útero que crie um ambiente capaz de impedir a sobrevivência de espermatozóides pode ser identificado pelo exame microscópico do muco cervical. O exame tem de ser realizado pouco depois de uma relação sexual, para determinar o índice de sobrevivência de espermatozóides. A endometriose é diagnosticada por meio da inserção de um laparoscópio (um pequeno instrumento equipado com uma luz) no abdome, com a ajuda do qual o médico pode efetivamente ver o útero, as trompas de falópio, os ovários e qualquer tecido endometrial deslocado que possa estar causando a infertilidade.

Desequilíbrios hormonais, tanto masculinos quanto femininos, podem ser diagnosticados por meio de exames de sangue.

Tratamento

O tratamento em caso de baixa contagem de espermatozóides causada por uma deficiência de testosterona normalmente envolve terapia hormonal que eleve o nível de testosterona do homem. Caso a baixa contagem de espermatozóides se deva à presença de produtos químicos, radiação ou calor excessivo, a exposição a esses fatores deve ser corrigida, ou evitada. Caso a contagem de espermatozóides seja baixa por motivos desconhecidos, muitas vezes há pouco que se possa fazer para incrementá-la.

Uma gravidez continua a ser possível. As técnicas usadas envolvem fertilização artificial de um óvulo da mulher por um espermatozóide. A fertilização pode acontecer dentro ou fora do corpo da mulher. No segundo caso, o óvulo fertilizado é transferido para o útero da paciente.

Caso a infertilidade masculina seja causada por veias varicosas, pode ser necessária uma cirurgia para corrigir o problema. Caso exista uma obstrução em qualquer ponto dos tubos que conduzem ao pênis do homem, e o atravessam, pode ser utilizada uma microcirurgia que remova o bloqueio e corrija o problema.

A deficiência de ovulação pode muitas vezes ser tratada por meio de um medicamento conhecido como clomifeno, que estimula a produção do hormônio responsável por regulamentar a ovulação. Cerca de 60% das pacientes que recebem clomifeno engravidam, mas chances de gestação múltipla são baixas. Um medicamento mais forte, que combina certos hormônios da glândula pituitária, também pode ser receitado, mas ele acarreta probabilidade mais elevada de gestação múltipla.

Trompas de falópio obstruídas podem requerer microcirurgia para eliminar bloqueios, ou um procedimento sob o qual um óvulo é removido e reinserido para além do ponto de obstrução, em um local no qual possa ser fertilizado normalmente. Um colo de útero que impeça a sobrevivência de espermatozóides pode ser tratado com o hormônio feminino estrógeno, que estimula a produção do muco necessário ao transporte do esperma. Ocasionalmente espermatozóides podem ser colocados diretamente no útero, deixando o colo do útero completamente de lado. A endometriose pode ser tratada pela remoção cirúrgica dos tecidos deslocados e do tecido cicatrizado que se forma em torno dele. Desequilíbrios hormonais podem ser corrigidos por terapia hormonal.

A fertilização em tubo de ensaio, ou in vitro, é uma técnica na qual um óvulo é removido do ovário feminino e colocado em um tubo de ensaio ou recipiente esterilizado especial que contém o esperma masculino. Assim que o óvulo é fertilizado, ele é inserido no útero da mulher, onde continuará a crescer. Essa técnica é usada primordialmente em mulheres cujas trompas de falópio bloqueadas não podem ser desobstruídas cirurgicamente.

Outra nova técnica usada no tratamento da infertilidade é conhecida como transferência intrafalopiana de gametas (GIFT, em inglês). O procedimento envolve o uso de clomifeno ou outro medicamento para estimular a ovulação da mulher. Quando o ovário produz um óvulo, este é removido por laparoscopia e imediatamente combinado aos espermatozóides masculinos. Essa mistura entre óvulo e espermatozóide é transferida, em seguida, por laparoscopia para a trompa de falópio, onde a fertilização pode ocorrer normalmente. A fertilização ocorre no corpo da mulher e não em um tubo de ensaio. O método GIFT envolve um procedimento complicado e dispendioso, que só deve ser usado por casais que não conseguiram conceber usando os tratamentos convencionais contra a infertilidade.

Ainda que avanços recentes no tratamento da infertilidade tenham conduzido a sucessos cada vez maiores, cerca de 15% dos problemas femininos e 10% dos problemas masculinos de infertilidade passam sem diagnóstico, o que significa que não existem tratamentos para eles.

Estudaremos em seguida outro tratamento bastante comum para a infertilidade: a inseminação artificial.

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