Outros tratamentos

Terapias hormonais têm sido eficazes para mulheres com problemas de infertilidade, mas têm desapontado nos tratamentos masculinos com exceção de alguns casos específicos.

  • O hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH) é normalmente muito eficaz para restaurar a fertilidade em homens com deficiência de gonadotrofina e hipogonadismo.

  • GnRH pode ser usado para restaurar a produção de espermatozóides após tratamentos de quimioterapia.

  • A produção de espermatozóides ocasionalmente responde a baixas doses de estrógeno e de testosterona, bem como de testosterona sozinha, menotropinas (Pergonal, Repronal), citrato de clomifeno (Clomid), Gonadotropina coriônica humana (hCG) ou hormônio folículo-estimulante humano (r-hFSH, Gonal-F).

  • Tratamento prolongado com hormônio folículo-estimulante (HFE) anterior ao IIE pode aumentar as chances de implantação.

  • Inibidores de aromatase bloqueiam a aromatase, uma enzima que é a principal fonte de estrógeno em muitos tecidos do corpo. Essas drogas incluem anastrozole (Arimidex) e letrozole (Femara). Eles podem ser úteis para homens cuja infertilidade esteja associada a uma relação anormal entre a testosterona e o estrógeno.

Medicamentos não hormonais

Bromocriptina - bromocriptina (Parlodel) é usada por homens cuja infertilidade esteja associada ao excesso de prolactina produzida pela hipófise.

Antibióticos - infecções que interferem na fertilidade podem ser curadas com antibióticos.

Anti-histaminas bloqueadoras de mastócitos - estudos mostram que determinadas anti-histaminas que bloqueiam mastócitos podem ser úteis em alguns homens com baixa quantidade de espermatozóides. Mastócitos são células inflamatórias imunes que exercem influência em casos de baixa qualidade de espermatozóides. Estudos relatam que o uso de dois medicamentos no exterior - ebastina e tranilast - aumentou as taxas de gravidez. Anti-histaminas similares nos Estados Unidos são a fexofenadina (Allegra), loratadina (Claritin) e cetirizina (Zyrtec).

Recuperação de varicocele

O reparo da varicocele (varicocelectomia) em homens com problemas de fertilidade é uma prática cirúrgica comum. Embora alguns urologistas recomendem a reparação da varicocele, poucos estudos sobre esse procedimento sugerem que não ele melhore as chances de uma gravidez bem sucedida. Segundo especialistas, tais estudos não utilizariam as técnicas mais avançadas que tendem a ser mais eficazes. Algumas pesquisas revelam que a reparação pode aumentar os índices de sucesso de tecnologias de reprodução assistida, como inseminação intrauterina. Mesmo assim, os benefícios continuam incertos, sendo necessário fazer avaliações adicionais rigorosas. Em todo caso, o procedimento não parece melhorar a fertilidade em homens com pequenas varicoceles.

O reparo da varicocele para a fertilidade é considerado em alguns casos específicos.

  • Quando a varicocele pode ser sentida em um exame físico.
  • Tratamento cirúrgico de varicocele pode ser importante em meninos e adolescentes para prevenir danos futuros nos testículos.
  • Quando o sêmen do parceiro com varicocele apresenta baixa qualidade ou quando os resultados de exames indicam anormalidade na função dos espermatozóides.
  • Quando o casal está ciente da infertilidade e o homem tem varicocele, mas a mulher é fértil ou pode tratar sua infertilidade.

Varicocelectomia - esse procedimento padrão para reparo, envolve a união das veias intumescidas e torcidas. A recuperação leva 6 dias e a maioria dos homens não retoma todas as atividades dentro de 3 semanas. Essa técnica elimina 90% de varicoceles.

Técnicas cirúrgicas recentes usam laparoscopia, que requer apenas pequenas incisões de poucos centímetros. Essa abordagem permite uma recuperação mais rápida, embora esse procedimento leve mais tempo. Também possui uma taxa mais alta de complicações do que o procedimento padrão.

Embolização de varicocele - essa técnica não cirúrgica pode ser eficaz e menos dolorida no tratamento de varicoceles, inclusive em meninos jovens. Envolve a inserção de um tubo estreito (cateter) através de uma pequena incisão no pescoço ou na perna. Pequenos plugues de metal atravessam o cateter para obstruir as veias afetadas. O procedimento leva de 15 a 45 minutos, com anestesia local. A reincidência ocorre em mais de 10% dos casos, freqüentemente exigindo cirurgia convencional. Esse método não está amplamente disponível e pode não ser recomendado para alguns homens.

Tratamento de ejaculação retrógrada e falha na liberação

Homens com ejaculação retrógrada e falha na liberação dos espermatozóides causada por cirurgia, doença grave ou dano da medula espinhal são tratados de diversas maneiras.

  • Medicamentos conhecidos como agonistas dos receptores alfa-adrenérgicos, incluindo pseudoefedrina (Sudafed, Actifed), estimulam a contração muscular e ajudam na ejaculação. A imipramina, antidepressivo tricíclico (Tofranil) possui efeitos similares e em uma análise de 35 estudos foi mais eficaz do que a pseudoefedrina. Medicamentos promissores que ainda estão sendo avaliados incluem o amezinium, que eleva a pressão arterial.

  • Se os medicamentos não funcionarem, uma técnica chamada eletrovibração (ou estimulação elétrica) é benéfica na maioria dos casos (a medicação não ajuda em casos de homens com falha completa na liberação).

Com qualquer um desses métodos, o espermatozóide pode ser coletado para inseminação artificial ou tecnologias de reprodução assistida. A concepção espontânea é possível, mas não é comum, mesmo com tais tratamentos.

Para preparar o espermatozóide para a fertilização in vitro, homens com ejaculação retrógrada normalmente utilizam bicarbonato de sódio quatro vezes ao dia para reduzir a acidez da urina. Depois da ejaculação, o homem urina ou utiliza o cateter (tubo) para reter a urina, que é então submetida a técnicas de purificação para ser separada dos espermatozóides.

Técnicas para homens com danos na medula espinhal

Procedimentos que ajudam na ejaculação têm ajudado homens com danos na medula espinhal. O estímulo vibratório ou eletrônico tem demonstrado ser benéfico para muitos deles. Os espermatozóides retirados através desses métodos são introduzidos em mulheres por meio de inseminação artificial, inseminação intrauterina, inseminação intravaginal ou injeção intracitoplasmática de espermatozóides. Quase 1/3 dos casais consegue conceber - taxa de acerto que se aproxima à concepção natural.

Reversão da vasectomia (Vasovasostomia)

Vasovasostomia - para homens que desejam conceber após a vasectomia, a cirurgia de reversão (vasovasostomia) pode resgatar a fertilidade. Na vasovasostomia, as extremidades dos ductos deferentes rompidas (cortadas durante a cirurgia) são reconectadas para restabelecer o fluxo de espermatozóides. O procedimento de reversão é difícil, envolvendo a união das duas extremidades de ambos os ductos, cada um com aberturas do tamanho de um alfinete.

Taxas de gravidez após a vasovasostomia - um estudo australiano, no fim dos anos 90, relatou que taxas de gravidez depois de cirurgias de reversão foram quatro vezes maiores do que no início dos anos 80. Atualmente, as taxas de gravidez depois da vasovasostomia estão em mais de 50%. Um estudo indicou que quando a concepção acontece, ela ocorre em média um ano após a cirurgia.

Para a reversão ser bem sucedida, as seguintes condições devem estar presentes:

  • a área removida durante a vasectomia não deve ser muito grande;
  • o procedimento original deve ter sido executado em áreas específicas dos ductos deferentes;
  • as partes unidas da vasovasostomia devem ter tamanho semelhante.

Quanto menos tempo passar após a vasectomia, melhores são as chances de sucesso da vasovasostomia. Um amplo estudo revelou que as taxas foram de 76% para homens que fizeram vasectomia seguida de cirurgia de reversão dentro de um prazo de até 3 anos depois. No entanto, os índices caíram para 30% nos casos de homens que se submeteram à vasectomia há mais de 15 anos. A redução das taxas com o passar do tempo se deve, possivelmente, ao aumento da probabilidade de obstrução do epidídimo e ao desenvolvimento de anticorpos antiespermatozóides.

De acordo com pesquisas, as taxas de sucesso são um pouco melhores se o homem não trocar de parceira após o procedimento. Outros estudos indicam que não faz diferença se o homem tiver uma nova parceira. A idade da mulher é um fator importante e as chances de gravidez são maiores para mulheres com menos de 35 anos. Algumas pesquisas sugerem que homens que fizeram a reversão da vasectomia podem apresentar um índice maior de anormalidades cromossômicas do que homens férteis normais.

Reversão X tecnologias de reprodução assistida (TRA) - mesmo que novas técnicas (como a injeção intracitoplasmática de espermatozóides) estejam melhorando as taxas de gravidez após a vasectomia, a vasovasostomia é ainda melhor do que as tecnologias de reprodução assistida para a maioria dos homens que querem ter filhos.

As taxas de sucesso em cirurgias de reversão têm aumentado e os custos são inferiores aos de tecnologias de reprodução assistida. Além disso, a vasovasostomia não traz o risco de nascimentos múltiplos. Em um estudo, o índice de gravidez para a vasovasostomia foi de 52%, enquanto que no caso de injeção intracitoplasmática de espermatozóides essa taxa ficou entre 25% e 30% (injeção intracitoplasmática de espermatozóides é a alternativa de tratamento por meio de TRA para homens que fizeram vasovasostomia). Mesmo em casos de homens que não tiveram sucesso com a vasovasostomia, a repetição do procedimento parece ser menos onerosa do que os tratamentos de fertilidade.

As tecnologias de reprodução assistida, no entanto, podem ser uma abordagem melhor para homens com evidências de anticorpos antiespermatozóides devido à vasectomia. A injeção intracitoplasmática de espermatozóides também pode ser mais eficiente do que cirurgias de reversão em homens cuja vasectomia foi feita, no mínimo, há 15 anos ou mais.

Procedimentos cirúrgicos diversos

Tratamento cirúrgico de obstruções - obstruções na área dos dutos ejaculatórios têm sido tratadas com sucesso através da extirpação ou descarte da região onde a próstata contorna a uretra e da reconstrução dos ductos.

Correção de testículos intra-abdominais (que não desceram)  - testículos retidos de crianças podem ser reposicionados cirurgicamente para evitar infertilidade posterior. É importante fazer a cirurgia antes dos 18 meses de idade para prevenir a destruição da maioria das células produtoras de espermatozóides, que ocorrem quando os testículos permanecem internos no abdome.

Tratamentos experimentais

Células tronco - pesquisadores têm investigado o uso de células tronco de espermatozóides para tratar a infertilidade. A pesquisa ainda está nos estágios iniciais. Em 2004, pesquisadores anunciaram que conseguiram células progenitoras de espermatozóides em laboratório. Esses tipos de células poderiam potencialmente se desenvolver em células de espermatozóides capazes de fecundar um óvulo. Essa descoberta foi um importante passo para avançar nos tratamentos de infertilidade com base em células tronco.