As causas da infertilidade nos homens que buscam conceber estão relacionadas a seguir. Essas causas são baseadas em um estudo feito em 2001.
Idade
O efeito da idade sobre a fertilidade masculina não é totalmente claro. No entanto, há indícios crescentes de que possa ser um fator (embora não na proporção que é para a mulher). Evidências demonstram que mudanças no espermatozóide, relacionadas à idade, não são abruptas, mas graduais. A idade pode afetar a quantidade e a mobilidade dos espermatozóides (a capacidade do espermatozóide nadar rapidamente e se movimentar de modo linear). Um estudo de 2006 também sugeriu que a qualidade genética do espermatozóide cai conforme o homem envelhece. Os pesquisadores descobriram que a baixa mobilidade dos espermatozóides estava associada à fragmentação do DNA. Isso aumentaria o risco de homens mais velhos transmitirem mutações genéticas que poderiam causar nanismo e possivelmente outras doenças genéticas.
Causas temporárias e de estilo de vida para baixa quantidade de espermatozóides
Quase todo tipo de estresse físico ou mental pode reduzir temporariamente a quantidade de espermatozóides. Veja a seguir algumas condições comuns que reduzem tal quantidade (na maioria dos casos, temporariamente).
Estresse emocional - o estresse pode interferir no hormônio GnRH e reduzir a quantidade de espermatozóides.
Questões sexuais - em menos de 1% dos casos, a impotência, a ejaculação precoce ou problemas psicológicos ou no relacionamento contribuem para a infertilidade masculina, embora essas condições sejam normalmente tratáveis. Lubrificantes usados em preservativos, incluindo espermicidas, óleos e vaselina, também podem afetar a fertilidade. Lubrificantes como Astroglide, Replens ou óleos minerais podem ser prejudiciais ao espermatozóide e lubrificantes à base de óleo podem danificar preservativos de látex e devem ser evitados.
Superaquecimento testicular - superaquecimento, causado por febre alta, sauna ou banhos quentes, podem reduzir temporariamente a quantidade de espermatozóides. Exposição prolongada a altas temperaturas durante o trabalho também pode prejudicar a fertilidade. Diversos estudos não identificaram conseqüências negativas na fertilidade decorrentes de se usar calça ou cueca justa, suportes atléticos (mesmo que diariamente).
Abuso de substâncias - o uso de cocaína ou o consumo exagerado de maconha parecem reduzir temporariamente o número e a qualidade dos espermatozóides em, pelo menos, 50%. Na verdade, os espermatozóides possuem receptores para determinados componentes da maconha que podem prejudicar a capacidade deles de se movimentar e de penetrar no óvulo. O álcool não parece afetar a fertilidade, a menos que seja consumido de forma abusiva, prejudicando o fígado.
Fumo - fumar prejudica a mobilidade do espermatozóide, reduz seu tempo de vida e pode causar mudanças genéticas que afetam os filhos. Um estudo de 2002 revelou que homens e mulheres fumantes têm menos chances de sucesso com tecnologias de reprodução assistida. Uma pesquisa anterior havia relatado que homens que fumam também apresentam menos desejo sexual e vida sexual menos ativa.
Desnutrição e deficiências nutricionais - deficiências em certos nutrientes, como vitamina E, vitamina C, selênio, zinco e ácido fólico, podem representar um risco à infertilidade.
Obesidade - pode ser um fator de risco para infertilidade masculina. Um estudo epidemiológico de 2006 descobriu que um aumento de cerca de 10 kg no peso do homem elevou as chances de infertilidade em cerca de 10%.
Andar de bicicleta - essa prática tem sido associada à impotência e à infertilidade masculina. A pressão do assento pode danificar veias e nervos responsáveis pela ereção. Praticar o mountain bike expõe o períneo (região entre o escroto e o ânus) a batidas e vibrações extremas, aumentando o risco de lesões no saco escrotal. Um estudo revelou que homens que praticam o mountain bike ficam muito mais propensos a apresentar anormalidades escrotais, incluindo depósitos de cálcio, cistos e veias torcidas. Homens que pedalam podem reduzir os riscos da seguinte forma:
Fatores genéticos
Problemas nos genes que regulam a fertilidade e o material genético do próprio espermatozóide contribuem bastante para os problemas de infertilidade masculina. Mesmo em homens sem problemas de fertilidade, 19% dos espermatozóides apresentam defeitos genéticos. Certos quadros médicos hereditários também causam infertilidade masculina. Os próprios genes defeituosos podem ser herdados, produzidos por problemas ambientais (como exposição à radiação). Existe uma certa preocupação quanto à possibilidade dessas mutações serem transmitidas aos descendentes de homens que se submetem a técnicas de fertilização em que há retirada do espermatozóide para fecundação do óvulo (sob condições normais, seria pouco provável que um espermatozóide geneticamente anormal atingisse o óvulo e o fecundasse).
Material genético defeituoso - o esperma carrega metade do material genético necessário para gerar um ser humano. Segundo relatos, homens estéreis apresentam uma porcentagem relativamente alta de espermatozóides com o DNA (cadeia molecular que forma o gene) fragmentado ou danificado.
Fatores genéticos que afetam especificamente a produção e a qualidade de espermatozóides - anormalidades nos genes que regulam especificamente a produção de espermatozóides e sua qualidade são os principais fatores da infertilidade masculina. Algumas pesquisas sugerem que cerca de 10% dos casos de infertilidade masculina podem ser decorrentes de problemas (genéticos, principalmente) no acrossomo. O acrossomo é uma membrana de revestimento do espermatozóide (semelhante a uma ogiva) preenchida por enzimas que são críticas para a penetração do óvulo. Segundo um estudo, a gravidez fica prejudicada se 7% (ou mais) dos espermatozóides apresentarem anormalidades no acrossomo.
Doenças hereditárias que afetam a fertilidade - determinados transtornos hereditários podem prejudicar a fertilidade.
Danos ambientais
Exposição a toxinas, substâncias químicas ou infecções pode reduzir a quantidade tanto por efeitos diretos sobre a função testicular como também pela alteração nos sistemas hormonais, embora as conseqüências e danos ambientais específicos envolvidos sejam normalmente controversos. Alguns especialistas acreditam que isso esteja contribuindo para uma queda mundial na fertilidade masculina.
Radicais livres (oxidantes) - também chamados oxidantes, são os principais suspeitos entre os danos ambientais e a infertilidade. Eles são moléculas instáveis (que normalmente contêm oxigênio) e são liberados como resultado de muitos processos químicos naturais no corpo. Infecções, substâncias químicas e outros danos ambientais podem produzir altos níveis dessas partículas. Altos níveis podem afetar inclusive o material genético das células. Os espermatozóides são particularmente vulneráveis aos efeitos nocivos desse processo de oxidação. Há relatos de níveis significativos de oxidantes encontrados no sêmen de cerca de 25% de homens inférteis.
Exposição a substâncias químicas que alteram os hormônios (como o estrógeno e outras) - estudos na Europa têm revelado uma piora na saúde reprodutiva masculina e um aumento nos casos de câncer nos testículos e na próstata. Muitos investigadores acreditam que causas ambientais, particularmente substâncias químicas que alteram os hormônios, podem ser a causa principal de ambos os eventos. Substâncias químicas como o estrógeno, encontrado nos pesticidas e em outros itens, são particularmente preocupantes. A extensa exposição de animais machos ao estrógeno reduziu o número de células de Sertoli (necessárias para o desenvolvimento inicial do espermatozóide). Conheça a seguir algumas substâncias químicas sob análise.
![]() O tratamento do câncer de próstata varia dependendo do estágio da doença e pode incluir remoção cirúrgica, radiação, quimioterapia, manipulação hormonal ou uma combinação destes tratamentos. |
A principal evidência dos estrógenos químicos sobre o hormônio foi observada em animais e pássaros. Testes com substâncias químicas contendo estrógeno demonstraram pouco risco para pessoas. Mas alguns estudos sugerem que a exposição a mais de uma dessas substâncias químicas pode ser muito prejudicial. No momento, não há indícios de conseqüência perigosa em pessoas que normalmente se exponham a essas substâncias químicas. Estudos estão sendo feitos para mensurar o possível dano causado por essas substâncias químicas.
Hidrocarbonetos e outras substâncias químicas industriais - um estudo em 2000 revelou que trabalhadores de uma fábrica de borracha expostos diariamente a hidrocarbonetos (etilbenzeno, benzeno, tolueno e xileno) apresentaram níveis inferiores à média, em termos de quantidade e qualidade de espermatozóides (um estudo em 2001 demonstrou que homens fumantes e que trabalhavam em petroquímicas apresentavam particularmente baixa qualidade de espermatozóides). Mesmo assim, nem todos os principais estudos confirmaram os efeitos dessas substâncias químicas. As evidências que demonstram efeito significativo sobre a fertilidade são irrelevantes.
Exposição a metais pesados - exposição crônica a metais pesados como chumbo, cádmio ou arsênico pode afetar a qualidade do espermatozóide. Vestígios desses metais no sêmen parecem inibir a função de enzimas no acrossomo, membrana que reveste a cabeça do espermatozóide.
Tratamentos com radiação - raio X e outras formas de radiação afetam qualquer célula que esteja se dividindo. Dessa forma, células que produzem espermatozóides são bem sensíveis a danos de radiação. Células expostas a níveis significativos de radiação podem levar até 2 anos para retomar a produção normal de espermatozóides e, em muitos casos, nunca mais se recuperam.
Baixos níveis de sêmen
Homens com problemas de fertilidade devido aos níveis baixos de sêmen na ejaculação podem ter uma anormalidade estrutural nos canais que transportam espermatozóides (uma quantidade normal de sêmen é 2,5 ml a 5 ml ou cerca de meia colher de chá).
Varicocele
Varicocele é uma veia alterada grande e torcida (varicosa) no cordão espermático que se liga ao testículo. Esse quadro é encontrado geralmente em 15% a 20% dos homens e em 25% a 40% de homens inférteis, embora ainda não seja claro como ou mesmo se afeta a fertilidade. A varicocele tende a acontecer com mais freqüência do lado esquerdo (85%).
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Veja a seguir algumas teorias que embasam esse possível efeito da varicocele na fertilidade:
Alguns relatórios indicam que apenas as varicoceles grandes o suficiente para serem sentidas (apalpadas) podem afetar a fertilidade. No entanto, um estudo feito por 8 anos em homens com e sem varicoceles não encontrou diferenças na qualidade do espermatozóide ou na capacidade de conceber. Além disso, os poucos estudos sérios sobre recuperação de varicoceles sugerem que o procedimento não eleva taxas de gravidez. A conseqüência sobre a fertilidade ainda é incerta.
Deficiências na testosterona e no hipogonadismo
Hipogonadismo é o nome de uma grave deficiência no hormônio que libera gonadotropina (GnRH), principal hormônio do processo que libera a testosterona e outros importantes hormônios reprodutivos. Baixos níveis de testosterona, independente da causa, podem originar problemas na produção de espermatozóides.
O hipogonadismo é incomum e mais freqüente no momento do nascimento, geralmente resultado de raras doenças genéticas que afetam a hipófise, incluindo deficiências especificas nos hormônios HFE e LH, síndrome de Kallman ou panhipopituitarismo (caso em que a glândula hipófise falha na produção de quase todos os hormônios). O hipogonadismo pode se desenvolver posteriormente decorrente de tumores no cérebro ou na hipófise ou como resultado de tratamentos com radiação. Defeitos nos genes do cromossomo X que regulam os receptores ligados aos andrógenos (hormônios masculinos) também podem ser importantes causas da infertilidade masculina.
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Auto-anticorpos
Auto-imunidade é uma condição na qual os anticorpos atacam células especificas do corpo, confundindo-as com micro-invasores externos. No caso da infertilidade masculina, os chamados auto-anticorpos (anticorpos próprios) atacam os espermatozóides. Os anticorpos se unem a partes especificas do espermatozóide, como cabeça ou cauda e, dependendo do local, causam vários problemas:
Alguns especialistas acreditam que, na maior parte dos casos, a presença de anticorpos não evita a concepção, a menos que uma grande porcentagem de espermatozóides esteja afetada.
Vasectomia e anticorpos antiesperma - a vasectomia é o principal procedimento de esterilização masculina e é a causa mais comum de auto-anticorpos (também chamados de anticorpos antiesperma). Especialistas acreditam que seu desenvolvimento acontece da seguinte forma:
Tais anticorpos freqüentemente permanecem, mesmo se o homem resgata o fluxo de espermatozóides através de um procedimento de reversão bem sucedido (vasovasostomia). A permanência de anticorpos antiespermatozóides pode resultar em infertilidade.

Ejaculação retrógrada
A ejaculação retrógrada acontece quando os músculos da uretra não pulsam adequadamente durante o orgasmo e os espermatozóides são empurrados para trás, sendo expelidos na bexiga em vez de na uretra. A qualidade do espermatozóide é freqüentemente prejudicada.
A ejaculação retrógrada pode ser conseqüência de diversas condições:
Medicamentos como calmantes, determinados antibióticos e remédios contra hipertensão também podem causar ejaculação retrógrada temporária.
Síndrome disgenésica testicular ou anormalidades estruturais
Qualquer anormalidade estrutural que afete os testículos, ductos e outras estruturas reprodutivas podem ter um efeito profundo sobre a fertilidade.
Síndrome disgenésica testicular - ocorrência observada recentemente em três quadros: produção e qualidade prejudicadas de espermatozóides, câncer testicular e anormalidades no trato genital. Acredita-se que fatores ambientais que aumentem os danos causados por oxidantes sejam responsáveis.
As anormalidades genitais identificadas nessa síndrome são testículos retidos e hipospádia, ambos associados à infertilidade.
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Câncer e tratamentos
Os índices de natalidade entre pessoas que sobreviveram ao câncer é de apenas 40% a 85% das taxas normais. Freqüentemente, determinados tipos de câncer (particularmente o testicular) impedem, de maneira grave, a produção de espermatozóide. Tratamentos de câncer como quimioterapia e radioterapia podem danificar a qualidade e a quantidade dos espermatozóides, causando infertilidade. Quanto mais próximo o tratamento com radiação estiver dos órgãos reprodutivos, maior é o risco de infertilidade. Felizmente, mesmo que o homem fique sem produzir espermatozóides por até 5 anos após a terapia, alguns eventualmente recuperam sua capacidade de produção de espermatozóides. A quimioterapia com drogas que danificam a função reprodutiva tende a ser mais nociva em termos de fertilidade aos homens do que às mulheres. Novos medicamentos têm colaborado para melhorar as taxas de fertilidade.
Homens adolescentes e adultos em tratamentos de câncer, que desejam ser pais, devem considerar o congelamento de espermatozóides para uso posterior através de terapias de reprodução assistida. Essa técnica é chamada de criopreservação de espermatozóides. É um método recomendado pela Associação Americana de Oncologia Clínica por apresentar as melhores chances de sucesso em homens que sobreviveram ao câncer. No entanto, estocar espermatozóides não é recomendado para garotos pré-adolescentes que fizeram tratamento para leucemia durante a infância. Pesquisadores estão investigando formas para que o transplante de células tronco possa um dia ajudar essas crianças a recuperar a fertilidade e, ao mesmo tempo, evitar reincidência da leucemia.
Infecções
Há certas controvérsias sobre os efeitos de infecções na infertilidade. Detectar simplesmente a presença de uma infecção em um homem infértil não quer dizer necessariamente que exista uma relação do problema com a própria infertilidade. Segundo alguns especialistas, a resposta da imunidade a certas infecções pode liberar elementos inflamatórios e oxidantes, desestabilizando quimicamente partículas que podem danificar o espermatozóide. No entanto, o exato impacto desse processo sobre o espermatozóide não é claro. Infecções podem alterar a fluidez do sêmen e a mobilidade do espermatozóide, embora normalmente sejam efeitos temporários. Veja a seguir as infecções mais relevantes para a infertilidade.
Doenças sexualmente transmitidas - infecções como Chlamydia trachomatis reincidente ou gonorréia são as mais associadas à infertilidade masculina. Tais infecções podem causar feridas e bloquear a passagem dos espermatozóides. O vírus do papiloma humano, que provoca verrugas genitais, também pode prejudicar os espermatozóides.
Micoplasma - trata-se de um organismo infeccioso que parece reter as células dos espermatozóides, provocando menor mobilidade.
Caxumba - quando a caxumba acontece depois da puberdade, danifica 25% dos testículos dos homens afetados pela doença (Interferon, uma droga anti-viral, pode impedir a infertilidade em adultos homens com caxumba aguda, mas o medicamento é extremamente tóxico, por isso, cautela é essencial).
Infecções nas glândulas do trato urinário ou genital - infecções em glândulas que podem afetar a fertilidade incluem prostatite (na glândula da próstata), orquite (inflamação nos testículos), vasculite seminal (nas glândulas que produzem sêmen) ou uretrite (na uretra), talvez alterando a mobilidade dos espermatozóides. Mesmo depois de tratamento bem sucedido com antibiótico, infecções nos testículos podem deixar cicatrizes em tecidos, bloqueando o epidídimo.
Outras condições associadas à infertilidade
Condições de saúde - outras condições de saúde que podem afetar a fertilidade masculina incluem qualquer dano importante ou grande cirurgia, diabetes, HIV, doenças na tireóide, síndrome de Cushing, infarto, insuficiência hepática (do fígado) ou renal (dos rins) e anemia crônica.
Medicamentos
Os efeitos de medicamentos sobre a qualidade e quantidade de espermatozóides ainda não foram analisados rigorosamente. Muitos medicamentos são normalmente prescritos sem a informação de eventual dano à fertilidade. Esteróides anabolizantes (usados com freqüência por praticantes de musculação e outros atletas) merecem atenção especial por serem conhecidos por prejudicar a produção de espermatozóides. Entre outras drogas que podem afetar a fertilidade estão a cimetidina, sulfasalazina, salazopirina, colchicina, metadona, metotrexate, fenitoína, corticosteróides, espironolactona, tioridazina e bloqueadores do canal de cálcio.