Tecnologias de reprodução assistida (TRA) são técnicas médicas que ajudam os casais a conceber e que envolvem:
A fecundação pode acontecer tanto no laboratório quanto no útero. Nos Estados Unidos, o número de nascimentos com vida, decorrentes de TRA, aumentou em 128% de 1996 a 2002. Mais de 45 mil bebês nascem todos os anos nos Estados Unidos por meio de tecnologias de reprodução assistida.
O TRA inclui tratamentos à base de drogas de fertilidade, inseminação artificial (IA), fecundação in vitro, injeção intracitoplasmática de espermatozóides (IEE) e outros procedimentos.
Inseminação artificial
A inseminação artificial (IA) é a tecnologia menos complexa de reprodução assistida e é a primeira alternativa nos casos simples de infertilidade. Consiste em aplicar o espermatozóide diretamente no colo (inseminação intracervical) ou no útero (inseminação intra-uterina - IIU), que é o procedimento padrão. A inseminação artificial é eficaz nos seguintes casos:
Se este tratamento falhar, casais com problemas específicos de fertilidade ou mulheres de idade mais avançada devem buscar outras tecnologias reprodutivas.
Taxas de gravidez - uma revisão de 45 estudos mostrou que, em casos de infertilidade sem razão, a taxa de gravidez por ciclo era de 4% nos casos de inseminação intra-uterina (IIU) e de 8% a 17% nos casos de IIU associada à superovulação (procedimento que utiliza medicamentos de fertilidade para favorecer a reintrodução do óvulo).
Um estudo de 2002 sugeriu a IIU como a primeira opção para mulheres com menos de 43 anos. Essa técnica é mais barata e representa um risco menor de nascimento múltiplo do que através de tecnologias de reprodução assistida (TRA) como a fertilização in vitro. Embora procedimentos de fertilização in vitro sejam mais eficazes por ciclo, o custo da IIU permite um tratamento mais prolongado. Com isso, as taxas de gravidez ao longo do tempo são muito similares.
Procedimento de inseminação artificial - o procedimento abrange os seguintes estágios:
A administração de medicamentos de fertilidade e a retirada de espermatozóides são planejadas de forma que o processo coincida com a ovulação. Um estudo em 2000 revelou que mulheres que repousam por 10 minutos depois da implantação dos espermatozóides tiveram uma taxa significativamente mais alta de gravidez do que aquelas que se levantaram imediatamente.
Fertilização in vitro tradicional (FVT)
Atualmente, cerca de 71% dos procedimentos de TRA utilizam fertilização in vitro com os próprios óvulos das mulheres. O procedimento in vitro é realizado em laboratório. Os avanços nesses procedimentos aumentaram bastante a taxa de nascimentos com sucesso.
Esse método é recomendado para mulheres com danos nas trompas de falópio. Alguns especialistas acreditam que é uma opção melhor do que o tratamento cirúrgico. Ele também é usado quando a infertilidade não tem causa definida ou quando o parceiro masculino tem problemas de infertilidade. Veja a seguir as etapas do procedimento típico.
Os índices de sucesso da fertilização in vitro para os primeiros três ciclos de tratamento são praticamente iguais. Depois eles apresentam uma leve queda no quarto ciclo e uma queda significativa no quinto ciclo.
Transferência intrafalopiana de gameta/zigoto - a transferência intrafalopiana de gameta (TIG) e transferência intrafalopiana de zigoto (TIZ) são adaptações de fertilização in vitro. Ambas são usadas em casos de infertilidade feminina sem causa definida e de infertilidade masculina branda. As taxas de sucesso são similares às de fertilização in vitro, mas a mulher precisa ter ao menos uma trompa de falópio funcionando.
TIG - o procedimento acontece da seguinte maneira:
TIZ - o procedimento acontece da seguinte maneira:
Índices de sucesso em procedimentos de fertilização in vitro
Em 2002, mais de 45 mil bebês americanos nasceram através da fertilização in vitro. Índices de sucesso também são maiores entre mulheres sem anormalidades no útero e que tiveram gravidez prévia bem sucedida.
A taxa de sucesso pode ser alta ou baixa, dependendo de a mulher usar seus próprios óvulos ou os de doadoras, sendo estes novos ou congelados. As taxas mais altas de nascimento acontecem com óvulos novos doados (uma média de 50% por transferência). Os níveis mais baixos acontecem quando a mulher utiliza seus próprios óvulos congelados (uma média de 29% de transferência). No entanto, utilizar óvulos congelados é mais barato do que utilizar novos e dá ao casal condições de custear mais ciclos.
Uso de óvulos doados - mulheres de idade mais avançada são mais propensas a usar óvulos doados. Um estudo em 2002 revelou que as taxas de sucesso eram as mesmas que as de mulheres que utilizaram óvulos de doadoras com idade entre 20 a 40 anos. Não houve diferença nas taxas no caso de mulheres de até 45 anos. Mulheres com mais de 45 anos, no entanto, tiveram cada vez mais problemas com a implantação, gravidez e parto.
Uso de óvulos congelados - óvulos congelados tendem a apresentar níveis mais baixos de sucesso devido às toxinas liberadas pelas células danificadas no congelamento e pelos tecidos congelados.
Injeção intracitoplasmática de espermatozóides (IIE)
Essa é uma técnica de reprodução assistida usada por casais quando a infertilidade masculina é o principal fator. Consiste na injeção de um único espermatozóide em um óvulo através da fertilização in vitro. O procedimento é muito simples:
A principal preocupação com esse procedimento diz respeito ao risco de defeitos congênitos. No entanto, estudos em 2002 e 2003 não relataram riscos elevados de defeitos congênitos em crianças nascidas pelo procedimento de IIE. Embora alguns estudos demonstrem um alto número de defeitos congênitos em crianças concebidas pelo IIE, isso está mais relacionado com o histórico genético dos pais do que com o próprio IIE. Pesquisas recentes sugerem que crianças nascidas a partir de IIE se desenvolvem naturalmente. Um estudo de 2006 de com crianças de 8 anos concebidas através de IIE não encontrou diferenças significativas entre essas crianças e as concebidas naturalmente (para mais informações, veja o relatório Infertilidade Masculina em Análise).
Outras técnicas de TRA
Maturação in vitro - essa técnica permite o uso de drogas de fertilidade. Nesse processo, folículos são coletados alguns dias antes da ovulação. Em tais casos, até 50 deles já estão amadurecendo. Cerca de 15 desses folículos em amadurecimento podem ser removidos, dos quais 2 ou 3 podem produzir embriões saudáveis.
Transferência de blastocisto - a transferência de blastocisto é muito promissora. Em vez de implantar tradicionalmente embriões de 2 a 3 dias no útero, o procedimento implanta blastocistos de embriões de 5 dias. Menos blastocistos precisam ser implantados, reduzindo o risco de nascimentos múltiplos (no entanto, comparado a outros procedimentos, há um alto risco de gêmeos idênticos). É mais provável que a descendência seja de meninos do que meninas. A taxa de gravidez é de cerca de 36% em uma primeira tentativa, mas cai significativamente depois. A probabilidade de sucesso é maior em mulheres jovens.
Transferência ooplásmica - esse é um procedimento experimental controverso que utiliza o próprio óvulo feminino, o óvulo de uma doadora e o espermatozóide para fecundação. Material genético da doadora do óvulo e o espermatozóide são adicionados ao óvulo da própria mulher. O método tem sido eficaz em alguns casos, mas os estudos são recentes e os efeitos a longo prazo são desconhecidos. Pesquisas sobre o assunto e procedimentos similares são atualmente realizados fora dos Estados Unidos.