Medicamentos de fertilidade normalmente são usados sozinhos como tratamento inicial para induzir ovulação. Se falham, como terapia única, eles podem ser associados a outros procedimentos reprodutivos ou à inseminação artificial para produzir óvulos múltiplos, um processo chamado superovulação
Clomifeno
O citrato de clomifeno (Clomid e Serofene) é normalmente a primeira escolha no caso de mulheres com ciclos irregulares e longos. Diferente de outros medicamentos potentes usados na superovulação, o clomifeno é mais suave e atua inibindo o estrógeno, fazendo a hipófise produzir HFE e HL. Isso favorece o crescimento do folículo e a liberação do óvulo. O clomifeno pode ser tomado oralmente, é relativamente barato e o risco para múltiplos nascimentos (cerca de 5%, a maioria gêmeos) é inferior do que no uso de outros medicamentos.
Mulheres com as melhores chances de sucesso com o medicamento são as que têm:
Uma ou duas drágeas são tomadas durante cinco dias, normalmente depois de 2 a 5 dias do início do ciclo. Se a tentativa for bem sucedida, a ovulação ocorre uma semana depois da última pílula tomada. Se a ovulação não ocorrer, uma dose maior pode ser prescrita no próximo ciclo. Se a tentativa for bem sucedida, o tratamento pode ser prolongado ou medicamentos adicionais podem ser acrescentados. Os especialistas normalmente não recomendam o uso durante mais do que 6 ciclos
O medicamento normalmente reduz a quantidade e a qualidade do muco cervical e pode causar espessamento da mucosa uterina. Nesses casos, outros medicamentos hormonais podem ser tomados para restaurar a espessura. Outros efeitos colaterais são cistos ovarianos, climatério, náusea, dor de cabeça, aumento de peso e fadiga. Há uma chance de 5% de nascimento de gêmeos e um risco levemente maior de aborto
Superovulação com gonadotropinas e agonista do GnRH
A superovulação, também chamada estimulação ovariana controlada, é normalmente adotada se o clomifeno não funciona. Essa abordagem considera a administração direta do hormônio luteinizante (HL) e do hormônio folículo-estimulante (HFE), chamados de maneira geral como gonadotrofinas. O objetivo é imitar o processo natural que causa ovulação e produz múltiplos folículos. A superovulação é geralmente associada a um conjunto de tecnologias reprodutivas assistidas.
Muitas das drogas usadas na superovulação são extraídas de fontes naturais (menotropinas) ou são geneticamente desenvolvidas.
Gonadotrofinas para menopausa humana (GMH) - o GMH (Pergonal, Repronal, Metrodin) é uma menotropina que contém tanto o HFE como o HL, sendo obtida da urina de mulheres em fase pós-menopausa. A GMH deve ser auto-administrada como uma injeção. É um dos medicamentos para ovulação mais potentes e é normalmente usado em técnicas de reprodução assistida. Pode ajudar a estimular a fertilidade em mulheres com disfunções ovarianas, endometriose e infertilidade sem causa. A GMH é administrada por meio de uma série de injeções (2 a 3 por dia) depois do início do ciclo. As injeções são dadas durante 7 a 12 dias, mas o tempo pode ser estendido se a ovulação não ocorrer. Em tais casos, uma injeção de gonadotrofinas para menopausa humana (GMH) pode desencadear a ovulação.
HFE - o HFE estimula diretamente os folículos e pode ser usado com um GMH para produzir HL e HFE, que provocam a ovulação. O HFE é normalmente usado sozinho em mulheres que já tomaram clomifeno sem sucesso. Essas mulheres geralmente possuem ovários policísticos caracterizados por altos níveis de HL e baixos de HFE.
Urofolitropina (Metrodin, Fertinex, Bravelle) - é uma menotropina extraída da urina de mulheres em fase pós-menopausa e tem sido o medicamento HFE padrão. Hormônios folículo-estimulantes recombinantes (Puregon, Gonal-F, Follistim) são a forma geneticamente desenvolvida do HFE natural. Dessa forma, não apresentam riscos de contaminações, como proteínas urinárias ou traços de HL que podem ocorrer com as menotropinas (Bravelle é uma menotropina altamente purificada e pode ser tão eficaz quanto o HFE recombinante).
Gonadotropina coriônica humana (hCG)
A gonadotropina coriônica humana ou hCG é semelhante ao hormônio luteinizante e imita o seu efeito de estimulação do folículo e de liberação do óvulo. Drogas hCG padrão (APL, Follutein, Pregnyl, Profasi, Humegon) são derivados da urina da mulher grávida. A forma recombinante (geneticamente desenvolvida) de hCG (Ovridel) possui poucos efeitos colaterais no local da injeção e sua eficácia pode ser melhor controlada do que a dos medicamentos naturais. É normalmente usada depois do hMG ou do HFE para estimular os estágios finais de maturação dos folículos. Se ocorrer, a ovulação acontece cerca de 36 a 72 horas depois da administração.
Análogos do GnRH (Agonistas ou Antagonistas) - hormônios análogos à gonadotropina liberada (GnRH-a) podem ser tanto agonistas como antagonistas GnRH. São drogas sintéticas similares ao GnRH natural, mas possuem ações bem diferentes. Enquanto o GnRH natural estimula o HL, essas drogas, na verdade, impedem a produção de HL e de HFE que ocorre logo depois da ovulação. Essa ação ajuda a prevenir a liberação prematura de óvulos antes que possam ser colhidos através de tecnologias reprodutivas assistidas.
Medicamentos similares ao GnRH-a são administrados por injeção ou spray nasal. Eles aumentam o risco de cistos ovarianos, mas, de acordo com um estudo feito em 2000, não impedem a gravidez. Eles podem elevar o risco de cistos ovarianos e causar efeitos típicos da menopausa, como climatério, secura vaginal, insônia e osteoporose.
Mulheres com endometriose normalmente apresentam uma dificuldade maior para engravidar. Um estudo feito em 2006 sugeriu que os agonistas GnRH podem ajudar mulheres com endometriose a quadruplicar suas chances de gravidez quando o medicamento é administrado de 3 a 6 meses antes da fertilização in vitro (IVF) ou juntamente com uma injeção intracitoplasmática de espermatozóides (para mais informações, veja o relatório Endometriose em Análise).
Complicações da superovulação
Nascimentos múltiplos - a superprodução de folículos pode causar aumento do ovário. Esse evento aumenta o risco de múltiplos nascimentos. Existe uma chance de 25% de nascimentos múltiplos (cerca de 17% para gêmeos e de 8% para trigêmeos ou mais bebês).
Síndrome da hiperestimulação ovariana - a complicação mais grave da superovulação é a síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO), que é associada com presença de ovário aumentado. Isso pode resultar em acúmulo de líquidos dentro do abdome podendo levar a desequilíbrio de eletrólitos, alterações hepáticas e renais. A SHO é também associada ao risco maior de coágulos que, em alguns casos, podem ser fatais. Os sintomas incluem inchaço abdominal, náusea, vômito e falta de ar.
Sangramento e ruptura de cistos ovarianos - a superprodução de folículos, se não acompanhada, pode resultar em sangramento e ruptura de cistos ovarianos.
Riscos de câncer - existe preocupação quanto ao aumento do risco de câncer ovariano e nas mamas em mulheres que tomam medicamentos para fertilidade, particularmente clomifeno e gonadotrofinas para menopausa humana. No geral, há diversas evidências de que não há riscos maiores para câncer de mama ou de ovário decorrentes do uso dessas drogas. Em vez disso, tais estudos sugerem que esses tipos de câncer são causados pelos mesmos fatores que contribuem para a infertilidade.
Outros medicamentos sob análise
Tamoxifeno - o tamoxifeno (Nolvadex) é um medicamento conhecido como modulador seletivo do receptor de estrógeno (MSRE). É usado para prevenir câncer de mama em mulheres com alto risco de desenvolver o quadro. Estudos demonstram que se iguala ao clomifeno em sua capacidade de induzir a ovulação. Pode ser especialmente eficaz quando usado paralelamente à fertilização in vitro para preservar a fertilidade de pacientes com câncer de mama. Essa droga é mais barata que o clomifeno, mas traz danos à saúde, incluindo risco de coágulos e de câncer no útero.
Inibidores da aromatase - inibidores da aromatase bloqueiam a aromatase, enzima fundamental na produção de estrógeno em muitos dos principais tecidos corporais. Essas drogas incluem anastrozole (Arimidex) e letrozole (Femara). Esses medicamentos são usados para tratar o câncer de mama e estão sendo analisados por estimular a ovulação em mulheres inférteis. Embora o letrozole não esteja aprovado para tratamentos de infertilidade, tem sido amplamente usado com essa finalidade nos últimos anos. Alguns especialistas se questionavam se o letrozole poderia aumentar o risco de defeitos congênitos, no entanto, uma ampla pesquisa feita em 2006 indicou que o letrozole não aumenta os riscos para o feto. O estudo comparou a taxa de defeitos congênitos entre bebês cujas mães conceberam tomando letrozole ou clomifeno (medicamento tradicional de primeira linha em tratamentos de fertilidade). Os pesquisadores não encontraram diferença entre os resultados de ambos os grupos.