Introdução

O surgimento da vacina contra a varíola no século 19 mudou o perfil de mortalidade das populações nos vários países do mundo. No século 20, o exemplo mais significativo foi a vacina contra a poliomielite e contra as então chamadas “doenças comuns da infância”, como coqueluche, difteria, sarampo e rubéola. Entretanto, as vacinas também apresentam poucos efeitos colaterais, principalmente sobre o sistema nervoso central. Esse fato propicia preconceito contra seu uso em adultos ou pessoas de risco como funcionários da área da saúde ou pacientes submetidos a algum tipo de imunossupressão, como os HIV positivos ou em uso de quimioterapia.

Vacina
Imagem cedida por Children's Healthcare of Atlanta
A vacina contra a varíola surgiu no século 19

Dados americanos da década de 80 compararam a mortalidade em adultos não vacinados e crianças vacinadas em relação à pneumonia pneumocócica, à infecção pelo vírus da influenza (gripe) e à hepatite B. Esse estudo mostrou que morriam em torno de 50 mil a 70 mil adultos no EUA por essas doenças, comparados a somente mil crianças. Esses dados mostraram a importância da vacinação na vida adulta. O uso das vacinas em adultos, além dos efeitos diretos sobre a mortalidade, diminuiu em muito os custos para o sistema de saúde, que pode utilizar o dinheiro poupado em outras ações importantes na área da saúde.

Em São Paulo, estudo dos professores José Leopoldo Antunes e Eliseu Waldman, da Universidade de São Paulo, mostrou que a administração da vacina contra gripe teve um efeito surpreendente: diminui a diferença das taxas de mortalidade por gripe e pneumonia entre os idosos residentes nas regiões mais pobres comparadas às taxas observadas na região mais rica. Esse dado mostra que o efeito da vacinação atenua o impacto que os determinantes sociais e econômicos têm nos indicadores de saúde.