História escrita da Medicina Tradicional Chinesa

História escrita da Medicina Tradicional Chinesa - curandeiro chinês antigo
Curandeiros antigos compilaram seu
conhecimento em textos que formaram
a base da medicina chinesa


A história escrita da Medicina Tradicional Chinesa evoluiu principalmente nos últimos 3.000 anos. Escavações arqueológicas da Dinastia Shang (1.000 a.C.) revelaram escrituras médicas inscritas em ossos de divinação: os primeiros xamãs, principalmente mulheres, usavam ossos da escápula para realizar ritos de divinação; posteriormente esses ossos também foram usados para escrever.

A descoberta, em 1973, de 11 textos médicos escritos em seda revelou um pouco das práticas sofisticadas desse período inicial da história chinesa. Datados de 168 A.C., os textos discutem dieta (em inglês), exercício, moxabustão e fitoterapia.

Misturado com mágica xamanística, um extenso texto, Prescrições para cinqüenta e dois males, descreve os efeitos farmacológicos das ervas e alimentos.

Também datado da mesma época está a lenda de Shen Nong, o Imperador da Agricultura, que provava 100 ervas diariamente para avaliar suas qualidades. Dizem que ele se envenenou muitas vezes durante suas investigações.

O livro atribuído a ele é conhecido como o Clássico da matéria médica do imperador da agricultura. Ele lista 365 remédios, compreendendo 252 plantas, 67 animais e 46 minerais.

Tao Hong-Jing, o editor da versão da Matéria Médica de Shen Nong usada hoje em dia, dividiu as ervas em três classes. As ervas da classe superior são tônicos não-tóxicos que revitalizam e nutrem o corpo; as ervas de grau médio são tônicos com qualidades terapêuticas e o grau inferior consiste em ervas que tratam doenças ou possuem alguma toxicidade.

Esse sistema de classificação sugere um importante princípio da Medicina Tradicional Chinesa: é melhor fortalecer o corpo e prevenir doenças do que combatê-las após já terem se instalado.

Ignorar o cuidado com a saúde e esperar para tratar doenças era considerado tão ridículo quanto esperar ficar com sede para cavar um poço.

Por volta de 400 d.C., as fundações básicas da Medicina Tradicional Chinesa já tinham sido colocadas na forma escrita. Nessa época, a maioria dos aspectos mágicos da medicina já tinham sido deixados para trás; havia uma crescente crença nos poderes da natureza para curar doenças.

O livro mais importante compilado entre 300 a.C. e 400 d.C. é o Clássico interior do imperador amarelo (Huang Di Nei Jing). O trabalho é supostamente uma série de diálogos entre o Imperador Amarelo, Huang Di, e seu ministro, Qi Bo, apesar de muitos historiadores acreditarem ser uma compilação de todo o conhecimento médico daquele período. O trabalho é dividido em dois livros: Perguntas simples e Eixo espiritual.

O primeiro livro lida com princípios teóricos gerais, ao passo que o segundo descreve mais especificamente os princípios da acupuntura e o tratamento de doenças. Notavelmente, esse trabalho antigo ainda é válido; ele forma a base da prática contemporânea da Medicina Tradicional Chinesa. Por exemplo, o Nei Jing afirma que doenças frias deveriam ser tratadas com ervas quentes e doenças quentes deveriam ser tratadas com ervas frias. Esse princípio ainda é seguido hoje em dia na prática clínica.

Infecções quentes, inflamatórias são tratadas com ervas frias, como madressilvas ou raiz de Coptis; condições frias, debilitantes, como fadiga crônica, são tratadas com ervas mornas, estimulantes, como ginseng ou raízes de Astragalus.

A pesquisa moderna confirmou que essas plantas contêm ingredientes com fortes efeitos farmacológicos sobre essas condições específicas.
Por volta do segundo século d.C., os médicos por toda a China estavam compilando escrituras sobre as últimas descobertas da acupuntura e medicina fitoterápica. Foi nessa época que o famoso médico Hua Tuo escreveu sobre anestesia herbal.

Apesar de sua fórmula para o anestésico ter-se perdido, seu exclusivo sistema de pontos de acupuntura ainda é usado. Ele também foi pioneiro na recomendação de exercícios como um método de manter o bem-estar. Ele é citado como tendo dito que "um rio que corre nunca fica mal", significando que o exercício move o qi e previne a estagnação que leva à doença.

Outro pioneiro da época foi Zhang Zhongjing, que escreveu o Tratado sobre doenças febris e diversas após ter testemunhado uma epidemia que assolou sua cidade e matou a maioria de seus parentes. Esse médico altamente considerado desenvolveu um sistema de diagnósticos tão sofisticado que ainda é usado por praticantes em hospitais modernos, 1.700 anos após sua morte.

A medicina chinesa demonstrou um progresso contínuo durante os séculos. Aprenda mais sobre o avanço da Medicina Tradicional Chinesa na próxima página.

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