Perfumes líquidos
O perfume, tal como o conhecemos hoje, embalado em pequenas e caras garrafas com alto teor de álcool e centenas de compostos químicos, é uma invenção relativamente nova.
 Jim Crossley Os perfumes líquidos que conhecemos hoje quase não têmsemelhança com os primeiros perfumes, criados há milhares de anos |
O invento de Maria ProfetisaA primeira descrição escrita de um destilador para produzir óleos essenciais aparece no século 1. Maria Profetisa, também conhecida como Maria, a Judia, inventou um mecanismo que se parecia com uma chaleira dupla. Ela descreveu o óleo ali produzido como "um anjo vindo dos céus". Por volta do século 2, os chineses e árabes estavam destilando óleos essenciais e o Japão os seguiu alguns séculos depois.
As invenções de Profetisa também destilavam álcool. Misturando-o com os óleos essenciais e diluindo isto em água, produzia-se um novo tipo de fragrância. Essas "águas" perfumadas faziam o corpo cheirar bem e também funcionavam como remédio e cosmético. Quando eram colocados na pele, elas melhoravam o tom da pele e diminuíam manchas. Quando eram ingeridas, aliviavam a indigestão, cólicas menstruais ou tratavam muitas outras doenças. Nascia, assim, o "tônico medicinal".
Águas aromáticasSe você já experimentou um fino licor europeu como o Benedictine ou o Fra Angelica, você está se beneficiando dos alambiques das enfermarias e herbários dos antigos mosteiros. Muitos monges e freiras eram dedicados herbalistas que serviam como médicos e farmacêuticos para seus pacientes. As águas aromáticas eram uma de suas prescrições favoritas.
Algumas fontes dão à herbalista do século 12, Santa Hildegard (madre superiora de Bingen), o crédito da invenção da lavanda, que ela menciona em uma pesquisa sobre ervas medicinais e aromáticas. Seja como for, essa água aromática pegou a Europa em cheio. Por volta do século 14, a lavanda era tão popular que o rei francês Carlos V tinha lavanda plantada nos jardins do Louvre, para garantir o fornecimento.
Outra famosa invenção vinda de mosteiros foi a Aqua Mirabilis, ou "Água milagrosa", uma combinação de água e álcool, reforçada com óleos essenciais. Ela era ingerida para melhorar a visão e para tratar dores de reumatismo, febre e congestão, além de também melhorar a memória, diminuir a depressão e ser espirrada no corpo para melhorar o cheiro das pessoas. A água carmelita era preparada pelas freiras carmelitas da Europa, a partir de uma fórmula secreta que agora sabemos que inclui melissa e angélica. Ela auxiliava na digestão e na aparência, dependendo de sua utilização. Versões modernas da água milagrosa e da água carmelita ainda são vendidas na Europa atualmente.
Eau de CologneEm 1732, águas aromáticas foram refinadas e transformadas em colônia quando Giovanni Maria Farina de Cologne, França, tomou posse dos negócios de seu tio. Aqua Admirabilis, uma vigorosa mistura de neroli, bergamota, lavanda e alecrim em álcool de uvas, que tem um cheiro particular de fruta, foi usada no rosto e também para tratar inflamações e indigestão. Os soldados a apelidaram de "Eau de Cologne", significando água de colônia, devido à cidade. O nome Cologne ficou em todas as águas perfumadas dessa época em diante. O boato é que Napoleão usava várias garrafas por dia, uma confirmação que fez a colônia ficar tão popular que aproximadamente 39 produtos quase idênticos foram criados. Seguiu-se meio século de processos judiciais contra essas colônias falsificadas.
Depois de quatro séculos como a favorita incontestável, a água Queen of Hungary foi nomeada pela Eau de Cologne como a fragrância com maior demanda.
Química e cosméticosHá pouco mais de 100 anos, de repente, a indústria das fragrâncias foi empurrada para a idade da química moderna. Antigamente, a colônia e até o sabão eram considerados como parte da farmácia medicinal. Então, em 1867, a Exposição Internacional de Paris os exibiu audaciosamente em uma seção separada, chamada de cosméticos. Essa atitude radical fez nascer uma nova indústria que construiu o caminho de um novo produto: o perfume.
No ano seguinte, foi desenvolvido em laboratório o primeiro óleo essencial comercial sintético. Com seu perfume de feno recém cortado, o óleo sintético foi um sucesso instantâneo entre os fabricantes de colônia. Milhares de fragrâncias sintéticas, até mesmo as que imitam os óleos essenciais mais raros e caros, foram desenvolvidos, em sua maioria, a partir de materiais químicos derivados do petróleo.
Esses óleos sintéticos mudaram definitivamente a natureza da fragrância pessoal. Os novos produtos químicos eram tão concentrados que permitiam a fabricação de perfumes poderosos. Substituindo as leves colônias que eram livremente borrifadas, apenas algumas gotas de perfume deixavam um indivíduo completamente cheiroso, além de terem sido inventados outros aditivos químicos que faziam o cheiro durar por horas. É claro que com todos os ingredientes sintéticos, as colônias e perfumes já não eram mais medicinais - e, com certeza, também não eram mais comestíveis. Pela primeira vez na história, eles eram um produto puramente cosmético.
Promovidas pelo novo e emergente mundo fashion, as principais perfumarias, como a Guerlain, a Bourjois e a Rimmel, estabeleceram-se na França. Enquanto a era vitoriana tinha desprezado os cheiros mais leves, os estilos mudaram quando os soldados americanos voltaram da França depois da primeira guerra mundial trazendo perfumes como presentes. A idéia de usar uma fragrância pessoal pegou.
Na próxima seção você aprenderá como a aromaterapia voltou a aparecer.
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