A invenção dos óleos corporais

A fragrância também encontrou espaço na vida religiosa e secular através de óleos perfumados. Eles eram feitos (e ainda são atualmente) por meio da extração e transformação dos óleos de plantas em gordura ou em óleo vegetal e depois filtração do material usado. Eles eram amplamente utilizados em cerimônias religiosas para consagrar templos, altares, estátuas, velas e sacerdotes.

Utilização religiosa dos óleos perfumados

O Livro do Êxodo (30:22-25) fornece uma das mais antigas receitas de unção com óleo (dada por Deus a Moisés para ser usada na iniciação dos sacerdotes). Os ingredientes incluiam mirra, canela, cálamo e cássia misturados no azeite de oliva.

Quando Maria Madalena untou os pés de Cristo e os limpou com seus cabelos, ela o fez com um óleo feito a partir do nardo. O nome Cristo, ou Christos, do grego chriein, significa literalmente "untar", e o franquincenso e a mirra levados pelos reis magos para Jesus Cristo provavelmente eram óleos de unção. Acredita-se que esses óleos eram mais valiosos do que o ouro carregado pelo terceiro rei mago.

Os egípcios antigos eram conhecidos devido a sua capacidade de criar óleos perfumados.
Os egípcios antigos eram conhecidos
devido a sua capacidade de criar óleos perfumados

Os cheiros dos egípcios antigos

O talento egípcio para formular óleos perfumados se tornou lendário e seus óleos eram, com certeza, muito poderosos: potes de calcita cheios de óleos perfumados ainda tinham um leve odor quando o túmulo do rei Tutancâmon foi aberto 3 mil anos depois de sua morte. Os egípcios eram especialmente criativos na utilização do cheiro e não o restringiam a ritos religiosos. O cheiro específico de alguém, ou khaibt, era representado por um hieróglifo de um leque e acreditava-se que ele fosse capaz de influenciar as emoções dos outros.

O primeiro spa de beleza pode ter sido a fábrica de perfume de Cleópatra em En Gedi, perto do Mar Morto. Aparentemente, tratamentos de saúde e beleza eram oferecidos às pessoas, já que as ruínas da fábrica têm assentos que parecem ter sido parte de salas de tratamento ou de espera. Ervas perfumadas eram misturadas em um azeite de oliva especialmente preparado. Infelizmente, o livro onde Cleópatra registrava receitas de seus óleos corporais, Cleopatra Gynaeciarum Libri, foi perdido. Só sabemos de sua existência porque foi mencionado em textos romanos.

Banhados em fragrância

Os romanos, que não gostavam do processo bagunçado de infusão e filtração dos óleos perfumados, importavam a maioria dos seus do Egito. Tanto os homens quanto as mulheres se banhavam nas fragrâncias. A utilização dos perfumes era tanta que os romanos apaixonadamente chamavam seus amores de "minha mirra, minha canela", assim como os norte-americanos chamam seus amados de "honey" (palavra em inglês para "mel")

Os gregos eram especialmente seduzidos pelo uso de óleos perfumados. Na verdade, Hipócrates recomendava o uso de óleos corporais no banho. Em Atenas, donos de lojas de ungüentos vendiam manjerona, lírio, tomilho, sálvia, anis, rosa e íris infundidos em óleo e engrossados com cera de abelhas. Eles embalavam seus ungüentos (derivado de uma palavra que significa manchar ou untar) em potes de cerâmica pequenos e decorados, assim como fazem até hoje. Entretanto, naqueles tempos os donos de lojas eram consultados como médicos e seus produtos eram vendidos para várias utilizações com fins medicinais.

Homens e mulheres gregos untavam seus corpos para um realce pessoal e sensualidade. Os homens usavam um óleo perfumado diferente, escolhido por suas características particulares, para cada parte de seu corpo. A maioria dos óleos que usavam, como hortelã para os braços, eram quentes e estimulantes.

Os óleos também eram usados para massagear músculos que estivessem rígidos. Os atletas na Índia, na ilha mediterrânea de Creta e, depois, na Grécia e em Roma, esfregavam óleos especialmente preparados em seus músculos antes (e muitas vezes depois) de participar de jogos.

A prática tântrica dos indianos orientais transformava as mulheres em um verdadeiro jardim de prazeres da terra. Elas se untavam com jasmim nas mãos, patchouli no pescoço e queixo, âmbar nos seios, nardo nos cabelos, almiscareiro no abdômen, sândalo nas coxas e açafrão nos pés. Os homens, entretanto, só aplicavam sândalo no corpo.

O ritual de banho diário na Índia exigia a aplicação de óleos de gergelim perfumados com jasmim, coentro, cardamomo, manjericão, costus, pandanus, ágar, pinho, açafrão, champac e cravo-da-índia. Os antigos livros védicos religiosos e medicinais davam instruções sobre como equilibrar a temperatura corporal, o temperamento e a digestão através de aromas e alguns de seus usos terapêuticos com certeza foram passados para o ocidente.

No Egito, todos usavam óleos corporais, da realeza aos trabalhadores. Operários que construíam um local para enterros entraram em greve no século 12 a.C. não somente porque a comida era ruim, mas também porque "não tinham óleos". Eles dependiam dos óleos para aliviar a dor dos músculos depois de um dia rebocando e entalhando pedras enormes e para proteger suas peles do forte sol do Egito.

Pelas Américas, a massagem com óleos perfumados também foi usada como terapia e freqüentemente foi o primeiro tratamento oferecido. Um óleo de massagem preparado pelos incas continha valeriana e outras ervas relaxantes que eram engrossadas com algas marinhas. Os astecas massageavam os doentes com ungüentos perfumados em suas casas.

Estas orientações têm caráter apenas informativo. ELAS NÃO DEVEM SER CONSIDERADAS CONSELHOS MÉDICOS. Nem os editores do Consumer Guide (R), Publications International, Ltd., o autor ou a editora assumem a responsabilidade por quaisquer conseqüências de qualquer tratamento, procedimento, exercício, alteração de dieta, ação ou aplicação de medicamentos decorrentes da leitura ou do seguimento das instruções contidas neste artigo. A publicação dessas informações não constitui prática da medicina e não substitui o conselho de seu médico ou outro profissional da área da saúde. Antes de se submeter a qualquer tratamento, o leitor deve procurar o aconselhamento de seu médico ou outro profissional da saúde responsável.