Condições psicossomáticas

A síndrome de Couvade não é uma condição médica reconhecida até o momento, ainda que o estudo da Universidade St. George's tenha emprestado credibilidade à sua existência. Parece lógico que a síndrome possa ser explicada como uma reação, pelo corpo, a um estado emocional da mente. O próximo passo é descobrir esse elo entre mente e corpo, mas até o momento prová-lo vem se revelando muito difícil.

Foi só no século 18 que a pesquisa sobre os efeitos da mente nas doenças físicas foi iniciada a sério. Médicos europeus que estavam estudando a histeria feminina (anteriormente considerada como originária do útero) vieram a acreditar que seria possível explicar essa questão médica como reação a um estado emocional altamente conturbado. Desde então, a intensidade das pesquisas sobre condições psicossomáticas oscilou profundamente, ainda que o trabalho jamais tenha sido abandonado de vez.

Jean Martin Charcot gives lesson on hysteria
Imagno/Getty Images
Os avanços na compreensão das doenças psicossomáticas começou com as pesquisas sobre histeria de médicos como Jean-Martin Charcot, ilustrado aqui enquanto fazia uma palestra sobre a doença

As condições psicossomáticas podem se manifestar de diferentes maneiras. Por exemplo, elas podem ser consideradas estritamente como um distúrbio mental, como no caso de um paciente com síndrome de Munchausen, sob a qual uma pessoa se convence de que está doente a fim de obter a atenção que almeja. Embora os sintomas existam estritamente na mente do paciente, podem parecer-lhe bastante reais. Outra forma de manifestação pode resultar do medo ou ansiedade (em inglês), como no distúrbio de conversão (em inglês), condição mental sob a qual perturbações mentais se manifestam fisicamente, como no caso de uma dançarina que, por medo de subir ao palco, sofra uma paralisia [fonte: Mayo Clinic].

Mas existe outra maneira de considerar as condições psicossomáticas, sob a qual não é preciso inferir qualquer forma de doença mental. A medicina está começando a aceitar de maneira mais ampla que a mente tem larga influência sobre a saúde da pessoa.

Nesse sentido, reações psicossomáticas podem ser bastante simples, como por exemplo uma dor de cabeça causada pelo estresse, ou muito complexas, como uma personalidade introvertida que contribua para que um paciente desenvolva câncer. Estudos extensos demonstram correlações entre as doenças e as emoções. Um estudo constatou que pessoas que sofrem de síndrome de pânico provavelmente exibem atividade elétrica anormal em suas funções cardíacas. Outros demonstraram que pessoas que sofrem de depressão depois de uma grande cirurgia têm mais chance de morrer do que pacientes que ostentam uma atitude positiva ao passar por operações da mesma gravidade.

Mas à medida que se acumulam os dados de pesquisa sobre a correlação entre estados emocionais e doenças físicas, os vínculos em si continuam sob investigação. No caso da síndrome de Couvade, é evidente: a mente afeta o corpo. Mas a ciência não é uma disciplina que costuma se satisfazer com simples correlações.

Talvez a endocrinologia seja a disciplina mais habilitada para descobrir o elo entre o corpo e a mente. Os cientistas sabem há muito tempo que os hormônios desempenham papéis fisiológicos na determinação do humor. Já foi demonstrada, por exemplo, uma correlação entre o estresse emocional e liberação do hormônio 17-OHCS pela glândula adrenal. A conexão possível, aqui, pode ser a de que o estresse (em inglês) emocional, como a ansiedade, age sobre o sistema nervoso central - o qual pode influenciar o funcionamento do sistema endócrino.

À medida que a ciência se aprofunda no estudo da influência das emoções sobre a fisiologia, a conexão entre corpo e mente se torna cada vez mais aparente. A conexão parece funcionar em ambos os sentidos: da mesma maneira que a emoção pode ter efeito sobre as glândulas, outros estudos descobriram que os eletrólitos - elementos como o potássio, que cria os impulsos necessários às funções corpóreas - estão relacionados a enfermidade mentais como a depressão (em inglês). Talvez um dia pesquisas como essas resultem em explicação satisfatória para a gravidez masculina.

Para mais informações sobre a gravidez e a mente, vá à próxima página.