O que é uma gravidez ectópica?

Quando um óvulo fertilizado se desenvolve fora do útero, se chama gravidez ectópica. A palavra ectópica significa "fora de lugar". Essa não é uma ocorrência incomum: uma em cada 100 a 150 gestações é ectópica.

Uma gravidez ectópica ocorre mais frequentemente em uma das trompas de falópio, as estruturas através das quais o óvulo viaja do ovário ao útero. Quando isso acontece, se chama gravidez tubária. Em raras ocasiões, a gravidez começa a se desenvolver no ovário, no colo do útero, ou ligada à superfície de um órgão próximo.

 


Ilustração: Teri J. McDermott, M.A., Medical Illustrator
Uma gravidez ectópica é aquela na qual o óvulo fertilizado se desenvolve fora do útero, mais freqüentemente nas trompas de falópio, mas também no ovário, no colo do útero, ou ligada a algum outro órgão na cavidade abdominal

A causa típica de uma gravidez ectópica é uma obstrução ou estreitamento de uma trompa de falópio que impede o óvulo fertilizado de passar através da trompa até o útero. Pode ser resultado de inflamação e cicatrização de infecção pélvica anterior causada por uma infecção de Gonococcus ou Chlamydia, ou pode ser resultado de infecções tubárias causadas por outras numerosas bactérias após um aborto ou parto, ou ainda durante o uso de um DIU (dispositivo intra-uterino).

Outras causas menos comuns da obstrução ou bloqueio tubário incluem infecções abdominais como apendicite, tumores pélvicos, e formação de tecido fibroso de cicatrização após cirurgia abdominal.

Infelizmente, uma gravidez ectópica não é viável. De fato, é uma condição médica que pode ter complicações sérias. Pode ser fatal para a mãe, a menos que seja prontamente tratada.

Se não for detectada, uma gravidez ectópica pode romper a trompa que a envolve, levando a sangramento abundante dentro do abdômen. Gestações ectópicas localizadas em outras áreas, como o ovário e o colo do útero, podem invadir os vasos sanguíneos próximos e causar sangramento intenso. Antigamente a gravidez ectópica era catastrófica, geralmente levando à morte. Hoje, com o advento de transfusões de sangue seguras e melhores métodos diagnósticos, a morte resultante de gravidez ectópica é rara.

Os sintomas de uma gravidez ectópica geralmente aparecem duas a quatro semanas após o atraso do período menstrual normal. Pequenas quantidades irregulares de sangue que saem da vagina são um dos sintomas iniciais. Geralmente são seguidas por dores agudas e contínuas em um lado da porção inferior do abdome.

Dor repentina, aguda e muito forte no baixo ventre acompanhada de batimento cardíaco acelerado e dor nas costas são sinais de que a gravidez ectópica se rompeu. A mãe também pode desmaiar.

Uma gravidez ectópica pode ser descoberta durante um exame pélvico. O médico pode encontrar um inchaço em um lado da pelve ao fazer exame de toque, e os movimentos do útero ou ovários durante esse exame podem causar dor. Se o médico suspeitar de uma gravidez ectópica, a mulher será hospitalizada imediatamente.

Com um ultra-som das estruturas pélvicas, pode-se revelar a localização de uma gravidez ectópica. O sangue que fluiu de uma gravidez ectópica para dentro da cavidade abdominal pode ser detectado pela inserção de uma agulha através da parede da vagina sob o colo do útero, que drena o sangue. O diagnóstico pode ser confirmado pela inserção de um laparoscópio (um tubo fino contendo uma fonte de luz) dentro da cavidade abdominal, através de uma pequena incisão feita abaixo do umbigo. Isso permite ao médico olhar diretamente para os órgãos pélvicos e localizar precisamente a gravidez ectópica.

O tratamento para uma gravidez ectópica é a remoção cirúrgica do embrião. Quando a gravidez é em uma trompa de falópio, a trompa inteira e, às vezes o ovário, deve ser removida para parar o sangramento. Entretanto, às vezes é possível remover as partes afetadas e reconstruir a trompa de modo que funcione normalmente no futuro.

Uma mulher que teve uma gravidez ectópica tem uma chance de 15% de ter uma segunda. Nesse caso elas devem ver o médico assim que suspeitarem que estão grávidas, para que o médico possa localizar o embrião. E devem estar especialmente atentas aos sintomas da gravidez ectópica.