Vidas compartilhadas

Os gêmeos xifópagos ou siameses são gêmeos monozigóticos unidos por alguma região do corpo. Os vários tipos diferentes de gêmeos xifópagos são classificados pela área onde a ligação está localizada:
  • Terata catadídimos se refere a gêmeos que são unidos pela parte inferior do corpo ou que podem aparentar dois corpos na parte superior e um corpo na parte inferior.
    • Pigópagos, de costas, unidos pelas nádegas (cerca de 19%)
    • Isquiópagos, unidos pela região pélvica (cerca de 6%)
    • Dicéfalos, um corpo com duas cabeças separadas
    • Diprosopos, um único corpo e uma única cabeça, mas com dois rostos

  • Terata anadídimos se refere a gêmeos com um único corpo superior com uma metade inferior dupla ou a gêmeos que estão unidos por uma única parte do corpo.
    • Cefalópagos, unidos pela cabeça (cerca de 2%)
    • Sincéfalos, unidos pela região facial
    • Cefalotoracópagos, unidos pela região facial e pelo tórax
    • Dípigos, um corpo superior com dois corpos inferiores, incluindo o abdômen, a pélvis e as pernas


  • Terata anacatadídimos se refere a gêmeos unidos por alguma parte ao longo da metade do corpo.
    • Toracópagos, unidos pelo tórax, podem compartilhar um único coração ou ter alguma ligação cardíaca; alguns órgãos na região abdominal podem ser malformados (cerca de 40%)
    • Onfalópagos, unidos pelo tórax (cerca de 33%)
    • Raquípagos, de costas, unidos ao longo da espinha acima da pélvis

Também há outras formas de gêmeos xifópagos. A formação de gêmeos parasitas é quando um dos gêmeos xifópagos é muito menor e talvez não esteja totalmente formado ou desenvolvido quanto o gêmeo maior. Em casos raros, isso acarreta membros localizados em áreas estranhas do corpo do gêmeo. Por exemplo, o que aparenta ser o nascimento de um único feto se apresenta com um braço unido às costas ou uma perna extra conectada à região do quadril. O Internet Movie Database (site em inglês) relata que o ator Andy Garcia nasceu com um gêmeo parasita xifópago. O gêmeo pequeno malformado foi removido cirurgicamente pouco depois do nascimento.

Há uma outra forma ainda mais rara de gêmeos xifópagos parasitas. A anomalia fetus in fetu ocorre quando um gêmeo malformado é encontrado dentro do corpo de um gêmeo hospedeiro, seja uma criança ou um adulto vivo. Embora seja difícil saber a taxa exata de incidência, já que os casos podem passar despercebidos durante longos períodos, acredita-se que o fetus in fetu ocorre a cada grupo de 500 mil nascimentos. No artigo "Fetus In Fetu: A Case Report", Phatak, Kolwadkar e Phatak afirmam: "Massas contendo ossos, cartilagem, dentes, tecido do sistema nervoso central, gordura e músculo denominadas 'teratomas' podem ser encontradas no abdômen de recém-nascidos e de crianças. Elas são consideradas como fetus in fetu caso haja um tronco e membros reconhecidos." [ref (site em inglês)]


Crédito da foto: Foto da Casa Branca, Paul Morse
O presidente George W. Bush e Laura Bush com suas filhas Barbara (esquerda) e Jenna (direita), que são gêmeas fraternas

Não há um consenso a respeito de como e por que os gêmeos xifópagos são formados. A principal teoria afirma que isso ocorre quando um óvulo fertilizado que vai se dividir em gêmeos monozigóticos não se separa por completo. É basicamente uma questão de sincronismo. Conforme discutimos anteriormente, quanto mais rápido a divisão ocorrer, mais independentes os gêmeos monozigóticos serão com relação a ter córion, âmnion e placenta separados ou compartilhados. Nos gêmeos xifópagos, acredita-se que a separação ocorra muito tarde, por volta do décimo segundo dia ou depois; portanto, ela nunca é totalmente concluída, deixando os gêmeos conectados fisicamente um ao outro.

A formação de gêmeos xifópagos acontece muito raramente e a taxa de sobrevivência é muito baixa. Embora eles ocorram cerca de uma vez a cada grupo de 40 mil nascimentos, apenas um em cada grupo de 200 mil nascimentos sobrevive. As pesquisas indicam que aproximadamente de 40 a 60% dos gêmeos xifópagos são natimortos, ou seja, nasceram mortos. Outros 35% sobrevivem apenas um dia após o nascimento. Os gêmeos que sobrevivem são, em geral, meninas e não meninos. Embora mais gêmeos meninos sejam concebidos, as meninas sobrevivem ao nascimento em uma proporção de 3 para 1 com relação aos meninos. Provavelmente, há menos de 50 gêmeos xifópagos que não foram separados vivendo no mundo hoje.

Celebremente unidos, os siameses

Um dos casos mais antigos documentado de gêmeos xifópagos é o de Mary e Eliza Chulkhurst [ref (site em inglês)]. As irmãs, também conhecidas como as Donzelas de Biddenden, nasceram em 1100. Gêmeas pigópagas, ou seja, unidas pelas costas, na região lombar, Mary e Eliza viveram até os 34 anos. Elas morreram com uma diferença de algumas horas.


Eng e Chang Bunker

Talvez os gêmeos xifópagos mais conhecidos na história sejam Eng e Chang Bunker. Unidos pelo tórax, Eng e Chang nasceram em 1811 em Sião (hoje Tailândia), por isso, muitos chamam os xifópagos de siameses. Eles deixaram sua terra natal durante a adolescência para viajar pela Europa e Américas do Norte e do Sul. Trabalhando como dois agentes, os irmãos se tornaram celebridades muito conhecidas, fazendo apresentações e ministrando palestras por onde viajavam. Finalmente, eles se aposentaram em Wilkes County, na Carolina do Norte, onde se casaram com Sally e Adelaide Yates. Juntos, os dois casais tiveram 21 filhos.

Os irmãos Bunker viveram incrivelmente até os 63 anos. E, assim como as Donzelas de Biddenden, Eng e Chang morreram com uma diferença de algumas horas. Em sua autópsia, descobriu-se que os gêmeos não compartilhavam a maior parte dos órgãos internos e que eles poderiam ter sido separados. Na verdade, uma separação desse tipo hoje teria mais chances de ter um resultado bem-sucedido.