É como olhar em um espelho

Normalmente, os gêmeos monozigóticos são chamados de "gêmeos idênticos". Os gêmeos monozigóticos se formam da mesma maneira que um nascimento único: um espermatozóide fertiliza um óvulo. Logo após a fertilização, contudo, em vez de o blastocisto permanecer como um grupo celular, ele se divide em dois. Exatamente quando essa separação acontece é que, na verdade, é determinado como os gêmeos irão se fixar no endométrio. Quanto mais cedo ocorrer a separação, mais independentes serão os embriões. Por exemplo, se a separação ocorrer bem no início, em um momento ao longo do segundo dia, então os embriões terão córions, âmnions e placentas separadas. Esse cenário representa cerca de um terço dos gêmeos idênticos. Embora, assim como ocorre com os gêmeos dizigóticos, as placentas possam se fundir. Outras situações possíveis são:
  • os gêmeos têm âmnions e placentas separadas, mas compartilham um córion;
  • os gêmeos têm âmnions separados, mas compartilham um córion e uma placenta fundida;
  • os gêmeos compartilham um córion, um âmnion e uma placenta, que é a combinação mais rara.



A placenta fornece a nutrição e o oxigênio necessários para o bebê em desenvolvimento. Portanto, é preferível que os gêmeos monozigóticos tenham placentas separadas, mesmo se elas forem fundidas. Em alguns casos, os gêmeos monozigóticos que compartilham uma placenta não irão se desenvolver da mesma forma porque, na verdade, um deles receberá mais nutrientes através da placenta do que o outro. Isso é chamado de restrição do crescimento fetal. Os gêmeos monozigóticos que compartilham uma placenta também correm o risco de desenvolver uma desordem grave e potencialmente fatal conhecida como Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF).


Os gêmeos de Marshall com um ano de idade

Além da placenta compartilhada, os gêmeos que sofrem com a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal também compartilham a mesma circulação, possibilitando, assim, a transfusão de sangue de um gêmeo para outro. O gêmeo doador pode ficar anêmico e será muito pequeno para sua idade gestacional. Por outro lado, o gêmeo receptor terá uma abundância de fornecimento sangüíneo e será bem grande para sua idade gestacional. Além disso, o doador possui uma quantidade perigosamente baixa de líquido amniótico, ao passo que o receptor tem bastante. Essa abundância de líquido pode causar à mãe um desconforto contínuo, dificuldade para dormir e dor. É possível tratar alguns casos da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal usando a amniocentese para remover o fluido em excesso ou uma cirurgia a laser para fechar a conexão da circulação entre os gêmeos. Para obter mais informações sobre a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal, visite o site (em inglês) da Twin-to-Twin Transfusion Syndrome Foundation (Fundação da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal).

Como os gêmeos monozigóticos se originam do mesmo óvulo fertilizado, eles compartilham um material genético idêntico. Os gêmeos monozigóticos só podem ser do mesmo sexo, significando que há duas combinações possíveis:

  • dois meninos
  • duas meninas
Se a separação ocorrer bem mais tarde e for incompleta, haverá a formação de gêmeos xipófagos. Vamos ver de perto esse tipo de gêmeo.

Síndrome do gêmeo desaparecido
Pode ser que você tenha iniciado a vida como um gêmeo. Parece bastante improvável? Talvez não seja tanto quanto você imagina. Segundo a doutora Ann Anderson-Berry, a freqüência de gestações múltiplas está entre 3 e 5,5% na gestação de oito semanas. Síndrome do Gêmeo Desaparecido, quando um dos gêmeos ou um dos fetos de múltiplos desaparece do útero durante a gravidez - na verdade, ele é absorvido pelo corpo da mulher -, ocorre em 21 a 30% da gestação multifetal. Agora, dada a freqüência elevada dos exames de ultra-som, essa incidência não passa desapercebida, como poderia ter ocorrido antes de o exame se tornar tão corriqueiro.