Por que ser calmo é melhor

Então, por que somente temos força em momentos curtos, quando frente a frente com o perigo? Por que não vivemos em um constante estado de agitação? A resposta é: isso nos mataria. E aqui vai a explicação.

A transformação da força potencial do músculo em força real requer treinamento cuidadoso. Os músculos se fortalecem ao longo do tempo, com seu uso, como nos levantamentos de peso. Embora eles possam apresentar uma enorme força quando nos deparamos com o perigo, isso também pode ter repercussões arriscadas. Os músculos usados repentinamente além de sua capacidade podem se romper, e as articulações, sair.

Levantamento de peso
Martin Bernetti/AFP/Getty Images
O desenvolvimento da força muscular requer treinamento cuidadoso; o uso repentino do músculo pode resultar em lesão. Acima, Cristian Escalante, do Chile, levanta 180 kg para bater o recorde nos Jogos Panamericanos 2007, no Brasil
O estado físico de agitação também pode provocar efeitos negativos permanentes além da lesão imediata. O médico austríaco (em inglês) Hans Selye estudou a reação humana ao estresse (em inglês) e concluiu que existem três estágios que formam o que ele chamou de síndrome de adaptação geral. O primeiro estágio ocorre quando você encontra o estresse; o estágio da reação de alarme (RA). Ele inclui a excitação de sua resposta lutar ou fugir a um estressor. Todos os seus alarmes internos são ativados e você se prepara para enfrentar o perigo ou fugir dele. O próximo é o estágio de resistência (ER). Nele, a resposta humana ao perigo está em total mudança: suas pupilas se dilatam, seus batimentos cardíacos e sua respiração aumentam e seus músculos se contraem. Nesse momento, você está fugindo para proteger sua vida, tirando um carro de cima de alguém ou envolvido em outra atividade além do normal.

No caso de ver uma pessoa presa sob um carro, o estressor é rápido. O corpo começa a relaxar e volta ao normal depois de alguns minutos de tensão. Depois que o estressor desapareceu, o sistema parassimpático começa a funcionar. Esse sistema tem a função contrária a do sistema simpático. Quando o sistema parassimpático assume o controle, os batimentos cardíacos diminuem, a respiração volta ao normal, os músculos relaxam e as funções não essenciais (como a digestão) imediatamente recomeçam. O hipotálamo, responsável pelo estímulo da resposta simpática diante do perigo e pela resposta parassimpática depois que o perigo passou, é responsável pelo equilíbrio entre os dois. Esse equilíbrio, o estado normal do corpo, é chamado de homeostase.

Quando o corpo permanece excitado por um período prolongado, ele entra no estágio final da síndrome de adaptação geral de Selye - o estado de exaustão (EE). Esse estágio ocorre quando a resposta a um estressor durou por muito tempo. Nesse estado de hiperexcitação, o sistema imunológico do corpo começa a se cansar. Conseqüentemente, a pessoa ficará mais suscetível a infecções e a outras doenças, já que as defesas do corpo foram gastas lidando com um estressor. Uma pessoa em um estado prolongado de estresse pode facilmente ficar gripada ou ter um risco maior de sofrer um infarto. O estado do estágio de exaustão é visto com mais freqüência em casos de estresse prolongado, como no local de trabalho.

Dessa forma, o ideal é que o objetivo de seu corpo seja a homeostase. Se vivêssemos o tempo todo em estado de excitação, ficaríamos sem energia.

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