Pré-natal: Exames realizados sob circunstâncias especiais

Se forem detectados problemas com o desenvolvimento do bebê ou se os pais apresentarem fatores de risco para doenças genéticas, o médico pode solicitar exames especiais. Por exemplo, se a mãe tiver 34 anos ou mais, ela tem um risco maior de ter um filho com síndrome de Down. Por isso, os pais, junto ao obstetra, podem decidir retirar amostra de líquido ou de tecido do bebê para determinar sua constituição genética. Essas amostras podem ser obtidas por meio de alguns procedimentos:
  • amniocentese
  • biópsia de vilo corial
  • exame de sangue fetal
  • monitoramento fetal
Nesses exames, o médico usa uma agulha ou tubo de sucção para recolher amostras de fluidos ou de tecidos do bebê, utilizando um ultra-som para auxiliá-lo. Essas amostras de tecido/fluido são levadas e analisadas em laboratório para determinar o número de cromossomos (cariótipo) e outros exames bioquímicos (por exemplo, AFP). Os resultados dos exames podem ser usados para tomar decisões a respeito de um possível aborto ou para preparar os pais para lidar com quaisquer defeitos genéticos (aconselhamento genético).

Amniocentese
A amniocentese é um exame no qual o médico retira uma amostra do líquido amniótico que envolve o bebê dentro do útero. Há células e líquidos (urina) do bebê flutuando no líquido amniótico. As células podem ser cultivadas e o líquido analisado por vários marcadores bioquímicos.

A amniocentese costuma ser feita entre a décima quinta e a décima oitava semanas, para mães com dois ou mais fatores de risco (por exemplo, mais de 34 anos e/ou histórico de síndrome de Down ou outras doenças genéticas na família). O procedimento é o seguinte:

  1. o técnico limpa o abdome da paciente com um antisséptico;
  2. usa o ultra-som para determinar em que lugar do útero o bebê está e onde há bolsas de líquido longe do bebê;
  3. após localizar essas áreas, o médico insere uma agulha através do abdome, buscando o útero. O médico monitora constantemente o ultra-som para não atingir o bebê;
  4. o médico recolhe de 30 a 60 ml de líquido amniótico, que será reposto em um dia pelo bebê;
  5. o médico coloca esse fluido em um ou mais copos esterilizados, marca os copos e os envia para um laboratório;
  6. a agulha é removida e se coloca um curativo sobre o local;
  7. é possível fazer mais um ultra-som para avaliar a saúde do bebê depois do fim do procedimento.
Os resultados da amniocentese ficam prontos de duas a três semanas após o procedimento.

Diagrama exibindo a amostra e os procedimentos de análise da amniocentese

A amniocentese apresenta um risco de 0,5%, o que significa que, de cada 200 procedimentos, 1 apresenta algum tipo de complicação (por exemplo, infecção, aborto ou machucar o bebê com a agulha). Na maioria dos casos, essas porcentagens são muito menores, especialmente depois de o ultra-som ter sido introduzido como um auxiliar para o médico.

Biópsia de vilo corial
Como a amniocentese, a biópsia de vilo corial (BVC) é realizada para obter uma amostra do tecido do bebê, buscando determinar distúrbios genéticos. A diferença é que a BVC retira o tecido da placenta (córion). Como a córion é derivada do bebê e não da mãe, ela possui as características genéticas do bebê. O procedimento é semelhante à amniocentese, exceto pelo fato de que o tecido pode ser tirado inserindo uma agulha através do abdome ou um tubo de recolhimento de amostra através do colo do útero.


Diagrama exibindo a amostra e procedimentos de análise da BVC

Como a amniocentese, a BVC é realizada quando a mãe possui um ou mais fatores de risco de doenças genéticas. A BVC pode ser feita antes da amniocentese, normalmente na última parte do primeiro trimestre (entre a nona e a décima primeira semanas). Os resultados da BVC podem ser obtidos mais rapidamente do que os da amniocentese porque não é preciso fazer uma cultura do tecido. No entanto, como a BVC retira somente tecido, alguns dos testes bioquímicos feitos com a amniocentese não podem ocorrer com a BVC. Além disso, a BVC possui um risco mais alto (cerca de 1%), principalmente por ser um procedimento mais novo em relação à amniocentese.

Retirada de amostra de sangue do feto
A retirada de amostra de sangue do feto pode ser realizada a partir da décima oitava semana. Nesse procedimento, o sangue do feto é obtido do cordão umbilical. Como na amniocentese, o médico (auxiliado por ultra-som) insere uma agulha através do abdome da mãe, entrando no cordão umbilical, e retira uma amostra de sangue. A amostra de sangue é enviada ao laboratório para análise. O resultado do exame genético pode ser obtido muito mais rapidamente do que com a amniocentese por não ser necessária a cultura de tecido. Outro benefício dessa técnica é que ela pode ser usada para fazer a transfusão de sangue compatível para o feto caso os fatores Rh dele e da mãe não sejam os mesmos. O risco geral desse procedimento é de 0,5% a 1%.

Monitoramento fetal
O monitoramento fetal costuma ser feito no terceiro trimestre (para casos de gravidez de alto risco, parto prematuro ou bebês que já passaram do tempo) e durante o parto. Esse teste envolve amarrar um monitor eletrônico ao abdome da mãe para medir as atividades elétricas dos:

  • batimentos cardíacos do feto
  • batimentos cardíacos da mãe
  • contrações do músculo uterino da mãe
Os movimentos do bebê dentro do útero podem ser avaliados e relacionados a sua freqüência cardíaca. Há dois tipos de exame realizados:
  • teste sem estresse - a freqüência cardíaca do bebê deve aumentar quando o bebê se move (cerca de 15 batidas por 15 segundos, pelo menos duas vezes durante um período de 20 minutos);
  • teste com estresse - a freqüência cardíaca do bebê deve aumentar quando o útero se contrai. As contrações uterinas são induzidas pela injeção de um medicamento (Pitocin) ou pela estimulação dos mamilos da mãe.

Esses são os exames usados pelos obstetras para determinar como o bebê irá suportar o estresse causado pelo parto.

Como você pode ver, há uma grande variedade de maneiras de medir o crescimento e o desenvolvimento de um bebê antes de ele nascer. Um exame pré-natal é absolutamente normal durante a gravidez e pode detectar problemas nos estágios iniciais.