Pré-natal: Exames de rotina não-invasivos

Autor: 
Craig Freudenrich, Ph.D.

Os exames de rotina não invasivos são feitos toda vez que a paciente vai ao obstetra e incluem:

  • pressão arterial
  • glicose na urina
  • proteína na urina
  • batimentos cardíacos do feto

Pressão arterial

O aumento no volume de sangue e na circulação sangüínea do feto que ocorrem durante a gravidez também intensifca a demanda do sistema cardiovascular da mulher grávida, especialmente sobre o coração. Por isso é necessário medir a pressão sangüínea regularmente para detectar quaisquer sinais de pressão arterial ou hipertensão induzida pela gravidez. Cerca de 5% das grávidas apresentam hipertensão induzida pela gravidez a partir da vigésima semana de gravidez. E esse problema pode levar a algumas complicações:

  • parto prematuro
  • descolamento da placenta, que leva a sangramento
  • redução do funcionamento ou insuficiência dos rins
  • fluxo de sangue reduzido para o bebê (que pode retardar o crescimento e o desenvolvimento)

Hipertensão induzida pela gravidez, inchaço e proteína na urina (albuminúria) consistem em uma condição conhecida como pré-eclâmpsia. As causas da pré-eclâmpsia são desconhecidas e seu tratamento é o parto prematuro. Algumas vezes, altas doses de sulfato de magnésio podem ser administradas para retardar os sintomas até que o parto possa ocorrer de modo seguro para o bebê. No entanto, não se sabe a razão pela qual esse tratamento funciona.

A pressão arterial da grávida será medida com um equipamento de medição de pressão ou esfigmanômetro (leia Como funciona um medidor de pressão arterial para mais informações).

Glicose na urina
Durante cada consulta, o médico poderá pedir que se passe uma fita de testes pelo fluxo de urina ou que se colete uma amostra de urina, que será testada com uma tira que mede a quantidade de glicose na urina. A presença de glicose na urina pode ser indicação de diabetes gestacional, uma forma de diabetes que normalmente se desenvolve por volta da vigésima semana de gravidez em algumas mulheres. A diabetes gestacional também causa algumas complicações.

  • O bebê cresce mais do que o normal e desenvolve mais gordura. Bebês maiores fazem com que o parto se torne mais difícil.
  • O pâncreas do bebê tem que secretar quantidades maiores de insulina para se livrar do excesso de açúcar vindo da mãe. Após o nascimento, quando o bebê parou de receber essas altas quantidades de açúcar da mãe, os altos níveis de insulina podem fazer com que o nível de açúcar no sangue do bebê caia a níveis perigosos (hipoglicemia).
  • Alguns bebês cujas mães têm diabetes gestacional apresentam problemas para respirar após o parto (insuficiência respiratória).

A diabetes gestacional normalmente pode ser tratada com o controle da alimentação da mãe. Contudo, há casos em que a mãe deve tomar insulina para controlar seus níveis de glicose. Esse tipo de diabetes costuma desaparecer após o nascimento da criança.

A tira de testes contém duas enzimas (glicose oxidase e peroxidase), um produto químico (ortolidina) e uma tinta amarela impregnada no papel. As reações ocorrem assim:

  1. a glicose oxidase converte glicose em ácido glucônico e peróxido de hidrogênio;
  2. a peroxidase faz com que o peróxido de hidrogênio reaja com a ortotolidina, produzindo uma coloração azul;
  3. a tinta amarela espalha a alteração de cor por uma área maior em proporção à quantidade de glicose presente.

Se não houver glicose presente, a tira de teste permanece amarela. Se a glicose estiver presente, a cor pode variar de verde-claro a azul-escuro, dependendo da concentração de glicose na urina.

Proteína na urina
A presença de proteína na urina indica um problema no funcionamento dos rins e é um dos sintomas de pré-eclâmpsia, como já mencionamos. Para detectar proteína na urina, a tira de testes tem um tampão de pH (tampão de citrato) e um indicador de coloração (azul de bromofenol) impregnado no papel. No pH normal do papel, a maior parte do indicador não está ionizada. As proteínas podem se ligar à forma não ionizada e liberar íons de hidrogênio, o que altera o pH e a cor do papel. Se houver proteína presente, a cor do papel irá mudar de amarelo para verde ou azul, dependendo da concentração de proteínas.

Batimentos cardíacos do feto
Um dos momentos mais emocionantes em qualquer início de gravidez pode ser a primeira vez em que se ouve as batidas do coração do bebê. A batida do coração do bebê pode ser vista em um ultra-som por volta da quinta ou sexta semana de gravidez. Por volta de décima segunda ou décima terceira semana, o médico já pode ouvir os batimentos do bebê com um estetoscópio de Pinard ou estetoscópio Doppler especializado. O estetoscópio de Pinard funciona da mesma maneira que um aparelho de ultra-som comum, exceto pelo fato de que não fornece imagens. Em vez disso, os ecos são contados e a contagem é exibida em um visor de LCD. Se o estetoscópio tiver um alto-falante, você pode até ouvir o batimento cardíaco amplificado.