Causas da esquizofrenia

twin boys looking at each other
Barbara Penoyar/Getty Images
Um gêmeo idêntico de um esquizofrênico possui de 40% a 65% de chances de desenvolver o transtorno

Cientistas não sabem o que causa a esquizofrenia, mas é provável que ela se desenvolva a partir de fatores genéticos e circunstanciais. Parentes de pessoas com esquizofrenia têm mais propensão de desenvolver a doença. Por exemplo, você tem 10% de chance de desenvolver o transtorno se tiver um parente de primeiro grau (como pais ou irmão) com esquizofrenia (comparada à chance de 1% da população em geral) [fonte: NIMH (em inglês)].

Além disso, um gêmeo idêntico de um esquizofrênico possui de 40% a 65% de chances de desenvolver o transtorno [fonte: NIMH]. Embora as estatísticas indiquem que a genética certamente tem a ver com a doença, ela não explica tudo. Apenas analisar a genética não ajuda os cientistas a determinar quem irá desenvolver o transtorno. É possível que diversos genes diferentes influenciem o aparecimento da esquizofrenia, mas outros fatores também contribuem para o transtorno.

Se você apresentar predisposição genética para o transtorno, fatores circunstanciais podem contribuir para o estabelecimento da doença. Alguns desses fatores têm relação até com o período anterior ao nascimento. Por exemplo, um estudo sugere que se uma mulher ficar gripada durante a gravidez, isso pode aumentar os riscos de a criança desenvolver esquizofrenia [fonte: Minkel]. Além disso, complicações durante o nascimento, desnutrição e danos cerebrais também podem aumentar a chance de alguém ter a doença.

Recuperação no terceiro mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que 90% dos esquizofrênicos com tratamento inadequado vivem em países em desenvolvimento [fonte: OMS (em inglês)]. Apesar disso, um estudo feito nos anos 60 feito pela OMS descobriu que o índice de recuperação de esquizofrenia nesses países era, na verdade, maior do que em outras áreas industrializadas do mundo [fonte: Sartorius (em inglês)]. Além disso, um estudo posterior tentou corrigir eventuais erros na amostragem do estudo inicial, mas a descoberta foi reconfirmada. Enquanto apenas um terço dos esquizofrênicos nos países industrializados se recuperam completamente, quase dois terços se recuperam nos países em desenvolvimento [fonte: Warner (em inglês)].

Muitas teorias tentam explicar essa disparidade. Uma delas diz que as pessoas nessas sociedades são, talvez, mais tolerantes e abertas aos esquizofrênicos. Outra teoria alega que um esquizofrênico se beneficia com um emprego produtivo adequado a suas capacidades individuais (tal conquista é mais difícil em sociedades competitivas e industrializadas). Talvez, a natureza do trabalho nos países em desenvolvimento mais pobres, tais como agricultura de subsistência, seja um facilitador para o esquizofrênico conseguir um emprego [fonte: Warner]

Algumas pesquisas revelam possíveis causas para sintomas específicos de esquizofrenia. Por exemplo, as alucinações que muitos esquizofrênicos vivenciam podem ter relação com a desconexão do indivíduo com a realidade. Se suas idéias são separadas de suas verdadeiras sensações ou emoções, eles podem não ser capazes de prever o próprio comportamento [fonte: Zimmer]. Nesse caso, se não conseguem reconhecer a própria voz interna, eles podem chegar à conclusão de que ela não veio de si próprio. Isso também pode explicar a razão pela qual muitos acreditam que uma outra pessoa os esteja controlando.

Os cientistas têm buscado respostas através de estudos da composição química do cérebro de esquizofrênicos. Os medicamentos que tratam a esquizofrenia geram uma grande quantidade de dúvidas e respondem parcialmente às dúvidas de como as funções cerebrais atuam no transtorno. Baseados em efeitos de diferentes medicamentos, os pesquisadores agora acreditam que os neurotransmissores dopamina e glutamato tenham influência maior sobre a esquizofrenia. A seguir vamos discutir sobre como os medicamentos agem sobre esses neurotransmissores.