Tipos de esclerose múltipla

Autor: 
Shanna Freeman

O nome "esclerose múltipla" significa que um paciente tem mais de uma esclerose. Uma esclerose é uma placa ou tecido endurecido. Como mencionado na página anterior, pessoas com a doença têm essas placas, ou lesões, na substância branca do cérebro ou na medula espinhal. Enquanto a substância cinzenta contém neurônios (células nervosas), a branca contém os axônios - fibras nervosas - que conectam os neurônios e permitem que se comuniquem uns com os outros. Especificamente, o diagnóstico de EM significa que houve um colapso da bainha de mielina, que é a camada protetora que envolve os axônios. Esse colapso é conhecido como desmielinização. Quando a camada de mielina afina e quebra, o axônio não pode funcionar corretamente e os sinais elétricos (em inglês) não podem trafegar entre os neurônios. Embora a mielina possa se reconstituir, a taxa de desmielinização provocada pela EM é muito rápida para que o nível de mielina se mantenha. Em alguns casos o axônio é cortado completamente.

esclerose múltipla
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Isso resulta em numerosos sintomas neurológicos que podem aparecer na forma de ataques. O tipo, duração e gravidade da doença dependem do tipo de esclerose múltipla. Ela também varia dependendo da pessoa, o que dificulta para um médico determinar o tipo e prognosticar seu comportamento.

De acordo com a Sociedade Nacional de Esclerose Múltipla dos EUA, há quatro tipos principais de EM:

Não exatamente EM?

Algumas pessoas apresentam sintomas e sinais de EM, mas não satisfazem os critérios padrão para o diagnóstico. Os pacientes podem ser diagnosticados com síndrome clinicamente isolada (CIS, sigla em inglês), na qual podem ter um episódio ou crise de desmielinização, mas apenas uma lesão no sistema nervoso central. Às vezes, chegam a desenvolver EM, mas não sempre. Os pesquisadores ainda estão aprendendo sobre a CIS e tentando determinar sua relação com a esclerose múltipla. Também há doenças que os médicos chamam de limítrofes ou formas variantes de EM, ou doenças desmielinizantes inflamatórias idiopáticas (DDII). Estas podem incluir (dependendo do que você lê) EM de Marburg, esclerose difusa de Schilder, esclerose concêntrica de Balo e doença de Devic. Os debates se intensificam na comunidade médica quanto a essas doenças serem formas verdadeiras de EM ou doenças distintas.

Progressiva recorrente: Pacientes com esta forma rara de EM ficam progressiva e constantemente piores e também sofrem crises ou recaídas. Às vezes, se recuperam logo, mas nunca experimentam remissão (recuperação a longo prazo) da doença.

Recorrente-remissiva: A maior parte dos pacientes é diagnosticada com esta forma. Eles apresentam períodos de crises seguidos por remissões, durante as quais a doença não piora.

Primária-progressiva: Uma pequena porcentagem de pacientes de EM experimenta uma lenta progressão da doença sem crises ou remissões. Eles podem melhorar temporariamente ou a doença pode permanecer a mesma por curtos períodos de tempo.

Secundária-progressiva: Alguns pacientes começam com um diagnóstico de EM progressiva-recorrente, mas desenvolvem a forma secundária-progressiva. Isso significa que a doença progride mais rapidamente e eles podem ou não experimentar crises, períodos de recuperação ou períodos de remissão.

A esclerose múltipla pertence a uma classe de doenças conhecidas como doenças auto-imunes. Isso significa que o sistema imunológico, que normalmente nos defende contra corpos estranhos como vírus e bactérias, agride o  próprio corpo. Na EM, as células-T e os monócitos (tipos especializados de células brancas do sangue) atacam as bainhas de mielina do sistema nervoso central. É por isso que um dos exames que deve ser feito é uma punção lombar, para verificar se o líquido cérebro-espinhal contém um número anormalmente alto de anticorpos e certos subprodutos de proteínas (que indicam um colapso de mielina, compostos de proteína e lipídios).

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A esclerose múltipla é uma doença extremamente imprevisível, porque as lesões podem ocorrer em qualquer ponto do sistema nervoso central e os estágios de desmielinização variam dependendo da lesão. Na próxima página, vamos examinar os sintomas e como ela é tratada.