É difícil classificar as doenças raras devido a sua natureza extrema. Para esse artigo, listamos exemplos das doenças mais raras: algumas que existem somente em laboratórios, outras que afetam poucas pessoas e as que são praticamente impossíveis de serem contraídas.
Varíola
Talvez você não tenha pensando que uma das doenças mais raras do mundo fosse a que matou milhões de pessoas em toda a história da humanidade. Mas hoje, se quiser saber de algum caso de varíola, os lugares mais prováveis para encontrar são os laboratórios do governo.

A varíola é transmitida pelo vírus da varíola, que provoca febre, dores no corpo e erupções que logo se transformam em protuberâncias cheias de líquido. Essas saliências formam uma crosta e, finalmente, cicatrizes permanentes. A doença é transmitida principalmente pelo contato direto com a pele ou com os líquidos do corpo de uma pessoa infectada, mas também pode se espalhar pelo ar em ambientes fechados. A forma mais comum da doença tem uma taxa de mortalidade de 30% [fonte: Centros de Controle de Doenças (em inglês)].
Entretanto, graças ao desenvolvimento de uma vacina e à campanha de erradicação de 1967 da Organização Mundial da Saúde, atualmente não se ouve falar de morte em decorrência da varíola. O último caso de epidemia de varíola que ocorreu naturalmente foi em 1977 e, desde então, apenas alguns acidentes em laboratório resultaram em infecções.
Doença de Fields
Se você tiver uma doença genética que seja realmente rara, os médicos provavelmente vão chamá-la pelo seu nome. Isso foi exatamente o que aconteceu com as gêmeas britânicas Catherine e Kirstie Fields. Elas nasceram com uma doença neuromuscular que não foi diagnosticada inicialmente, mas que agora é conhecida como doença de Fields. Essa doença afeta os nervos provocando movimentos musculares involuntários. Como conseqüência, as irmãs Fields passam a maior parte do tempo em cadeiras de rodas e têm dificuldade para realizar tarefas delicadas, como escrever.
Os cientistas ainda estão estudando a doença de Fields. Outros diagnósticos podem ser feitos à medida que o conhecimento sobre a doença for aumentando.
Febre kuru
A chance de uma pessoa contrair ou desenvolver febre kuru praticamente não existe. Para contrair essa doença neurológica fatal, você teria que viajar a uma região remota nas montanhas da Nova Guiné, encontrar um dos poucos portadores da doença que ainda existem e comer seu cérebro.
A febre kuru pertence a um tipo raro de doenças causadas por príons. Essas proteínas anormais induzem alterações protéicas nas células do cérebro. Essa alteração das proteínas leva à formação de um tecido cerebral diferente do normal, resultando em lesões progressivas e incuráveis no cérebro. A palavra kuru significa "doença do riso", assim chamada porque os cientistas observaram ataques de riso histérico nas pessoas afetadas.
As doenças semelhantes causadas por príons, como a doença de Creutzfeldt-Jakob (a variante humana da doença da vaca louca) são mais comuns. A febre kuru ocorre apenas na tribo isolada Fore, da Nova Guiné. A doença surgiu na década de 50 e rapidamente dizimou aldeias inteiras. Os cientistas logo descobriram que a única forma de contrair a doença era através do consumo de tecido cerebral contaminado. A tribo praticava o canibalismo em rituais fúnebres, cozinhando e comendo o cadáver - por acreditar que fazendo isso os aspectos espirituais do morto passavam para o vivo. As mulheres e crianças, parentes do morto, consumiam o cérebro e contraíam a febre kuru, uma doença fatal.
Quando os ocidentais aboliram o canibalismo na região, os casos da doença praticamente desapareceram. Os cientistas não encontraram novos casos de febre kuru nas pessoas da tribo Fore nascidas a partir do fim dos anos 50.
Com uma doença rara, as pessoas precisam contar com profissionais da área da saúde treinados para diagnosticar o problema e ajudá-las a encontrar um tratamento. Continue lendo para descobrir como os médicos tratam os pacientes que têm doenças raras.