Angina

Autor: 
Carl Bianco, M.D.

Quando uma doença arterial coronária (DAC) causa dores no peito, é chamada de Angina Pectoris. Aproximadamente 6,2 milhões de pessoas nos EUA são diagnosticadas com esta doença. É normalmente descrita como um aperto, uma compressão, uma pressão ou mesmo um sentimento de peso na região do subesternol (área central do peito). Angina pode irradiar para o ombro e posteriormente para o braço esquerdo, costas, pescoço, mandíbula, e em alguns casos, para o braço direito. Esta dor desencadeada pelo esforço, melhora com o repouso e dura, normalmente, poucos minutos. Podem acontecer, também, após uma crise de estresse emocional. A dor da angina não deve ser agravada por respirações fundas, quando a pessoa se abaixa, pressão no peito ou virar em certas posições. Por isso, algumas vezes, pode ser confundida com a azia.

O exame físico de alguém com angina pode ser normal mas a história típica e os sintomas relacionados aos fatores de risco alertam para esse diagnóstico.

Alguns exames de laboratório, devido à morte das células musculares cardíacas, mostram- se alterados (CPK, CPK-MB, troponina, mioglobina). No entanto, no caso da angina, onde a falta de oxigênio é temporária e a morte celular não ocorre, estes testes são normais. Seu médico pode querer verificar seu nível total de colesterol e os níveis de HDL (lipoproteínas de alta densidade) e LDL (lipoproteínas de baixa densidade); além da quantidade de açúcar no sangue, para saber se existe a possibilidade de diabetes ou de alteração dos níveis de colesterol, que são fatores de risco para o infarto.

ECG

Depressões no segmento ST (a linha entre o complexo QRS e as ondas T) e alterações nas ondas T (normalmente inversões) são as marcas registradas da isquemia. Mesmo assim, um ECG em alguém com histórico de DC e angina pode ser normal. Mas, se o eletro é feito durante uma crise de angina, pode ser possível visualizar a depressão do segmento ST.

Teste de estresse

Como o resultado de um ECG em repouso pode ser normal, mesmo em pacientes com angina, o médico responsável pode requisitar um teste de estresse para analisar a presença de uma DC. Como descrito anteriormente, se a depressão do segmento S, durante este teste, especialmente se for acompanhada de dores no peito, é considerado como teste "positivo".

Cateterização cardíaca

A cateterização cardíaca pode ser usada para determinar a presença de uma DC, sua gravidade e se uma ponte de safena é necessária. O teste pode excluir a possibilidade de DC. Ele é realizado por diversas razões, mas se torna especialmente importante se:

  • os sintomas da angina persistirem, mesmo que o paciente esteja recebendo tratamento médico;
  • presença de isquemia grave no teste de estresse para avaliar a gravidade da lesão;
  • paciente com quadro clínico compatível porém sem infarto, mas ainda com risco de doença coronariana.

Durante uma cateterização cardíaca, bloqueios são tratados com um balão inflado dentro das artérias coronárias, com a intenção de abrir passagem. Este procedimento é chamado de angioplastia transluminal percutânea coronária (ATPC) ou apenas angioplastia. Aqui está um exemplo de como a angioplastia funciona:

diagrama de uma angioplastia

Os fatores mais importantes que determinam a evolução de uma doença arterial coronária (DC) são a funcionalidade do ventrículo esquerdo e o número, a localidade da obstrução. Mesmo que tudo isto possa levar a um infarto e posteriormente à morte, muitas pessoas têm vidas longas e produtivas apesar das DC.

O tratamento das DC consiste na prescrição de medicamentos, controle dos fatores de risco e, em alguns casos, angioplastia ou cirurgia para a colocação de pontes de safena. As doenças que agravam as DC são anemia, doenças no pulmão, hipertensão, obesidade e hipertiroidismo. Tratar tanto estas doenças, como os fatores de risco, ajuda não apenas a amenizar as DC, mas também a evitá-las e até conter o seu progresso.

Abaixo alguns medicamentos usados para o tratamento de angina.

  • Nitratos - nitratos são medicamentos que podem ser encontrados de diversas formas, como em pílulas ou spray sublinguais (aplicação embaixo da língua), pílulas de nitrato e adesivos de nitroglicerina. Estes medicamentos dilatam as veias e as artérias coronárias, diminuem as exigências de oxigênio do coração e aumentam o fluxo de sangue nos músculos do coração. A nitroglicerina sublingual é usada durante a crise de angina. Um comprimido ou uma borrifada do spray pode ser usado a cada cinco minutos, até três vezes. Uma sensação de aquecimento no local da aplicação e a dor de cabeça são efeitos colaterais comuns. A dor no peito da angina, no entanto, tende a sumir em alguns minutos. Pílulas de nitrato e adesivos também podem ser usados para o tratamento desta doença. Estes medicamentos tendem a diminuir a efetividade após o uso prolongado, portanto, para evitar esta tolerância, um período de 8-12 horas de intervalo diário entre as doses é recomendado. São medicamentos que só devem ser utilizados quando prescritos pelo médico.
  • Betabloqueadores - betabloqueadores diminuem o ritmo das batidas cardíacas e a força das contrações, bloqueando os efeitos do sistema nervoso simpático no coração. Este tipo de medicamento reduz a chance de infarto e a mortalidade de pacientes que já o tiveram. Exemplos de betabloqueadores são Propranolol, Metoprolol e Atenolol. Apesar de sua grande utilidade, estes medicamentos possuem alguns efeitos colaterais que podem limitar seu uso em alguns casos.
  • Aspirina - plaquetas são necessárias para a coagulação. A aspirina é um medicamento anti-agregante planetário que previne a trombose. A dose exata de aspirina não é fixa, mas normalmente uma aspirina infantil, meio ou um comprimido são indicados como dose diária. A aspirina pode apresentar efeitos colaterais como sangramento e dores no estômago ou alergias. Para as pessoas que têm alergia à aspirina, recomenda-se a prescrição de outra medicação anti-agregante plaquetária, chamada Ticlopidine.

Angina instável

Normalmente, uma pessoa com angina começa a sentir dores após uma quantidade previsível de esforço, isto se chama angina estável. Quando a doença se torna mais grave fica bastante instável, neste caso as dores começam a se manifestar depois de esforços menores ou mesmo em períodos de descanso. Este fato está, quase sempre, relacionado ao agravamento da DC, ou seja, de obstruções maiores nos vasos sanguíneos. Esta condição pode levar a um ataque do coração, principalmente se vier acompanhada de certas mudanças no ECG. Ao ter esses sintomas, a pessoa deve procurar um pronto-socorro para tratamento especializado.

Nitratos (como a nitroglicerina) são usados para aliviar as dores no peito. Eles podem ser aplicados por via sublingual ou intravenosa (através da veia). Heparina, uma potente droga anti-coagulante, é usada para prevenir a completa obstrução nas artérias coronárias. Recentemente, novos medicamentos anti-agregante plaquetário foram adicionados à lista. Chamados de inibidores IIb/IIIa (Abciximab ou Tirofiban), eles são usados nos casos de angina instável. Outros medicamentos, como aspirina e betabloqueadores, também podem ser indicados. Se estes remédios não forem suficientes, uma cateterização cardíaca (para determinar a localidade e a gravidade da obstrução) e uma angioplastia podem ser efetuadas. Quando a angioplastia não for possível, uma cirurgia para a colocação de pontes de safena pode ser necessária.