Diuréticos e insuficiência renal

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Todd Davidson PTY LTD./
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Pacientes que sofrem de insuficiência cardíaca e tomam diurético têm uma expectativa de vida menor do que os que não tomam o medicamento

Estudos recentes levantaram dúvidas a respeito do uso de diuréticos em pacientes que tem excesso de líquido no corpo e que sofrem de insuficiência cardíaca.

Um estudo com 522 pacientes, de quatro centros médicos ligados à Universidade da Califórnia, que sofriam com graves complicações nos rins, mostrou que o uso de diurético nesses pacientes aumentava o risco de morte.

Outro estudo com 1.354 pacientes com insuficiência cardíaca avançada de um centro médico universitário mostrou que há uma associação entre o uso crônico e prolongado de diuréticos potentes (usado por pacientes com insuficiência cardíaca) e o aumento do risco de morte. O estudo também mostrou que o risco de morte elevado estava relacionado à dose alta do diurético. Pacientes que tomam altas doses de diuréticos potentes apresentaram risco maior de morte do que os que tomam doses mais baixas.

Um outro estudo com pacientes de mais de 65 anos que sofriam com insuficiência cardíaca comparou um grupo de 651 pacientes que tomavam diurético com outro grupo de 651 pacientes que não tomavam o medicamento. Os resultados mostraram que o uso crônico do diurético estava associado a um risco significativamente elevado de hospitalização e de morte em larga escala nos idosos que sofriam de insuficiência cardíaca.

A relação entre o uso de diuréticos e o risco de morte em pacientes com insuficiência cardíaca com comprometimento grave dos rins (insuficiência renal) foi alvo dos estudos de pesquisadores no Registro Nacional de Insuficiência Cardíaca Descompensada Aguda (ADHERE), maior base de dados sobre insuficiência cardíaca do mundo. A ADHERE possui um banco de dados de pacientes com insuficiência cardíaca desde 2001, com informações de 105 mil pacientes com insuficiência cardíaca.

Nessa análise, os pacientes foram divididos em dois grupos: pacientes com e sem insuficiência renal. A insuficiência renal foi diagnosticada pelos níveis de creatinina sérica - pessoas com níveis de creatinina de 2.0 miligramas ou mais por decilitro foram consideradas pacientes com insuficiência renal. Cerca de 70% dos pacientes em ambos os grupos receberam tratamento com diuréticos.

O estudo descobriu que a insuficiência renal e o uso de diuréticos estavam associados a uma taxa elevada de mortalidade e a um tempo de internação mais prolongado nos hospitais. Pacientes com insuficiência renal que tomaram diuréticos tiveram uma taxa de mortalidade de 7,8%, enquanto os que não fizeram uso do medicamento apresentaram taxa de mortalidade de 5,5%. Da mesma forma, pacientes com função renal normal que tomaram diuréticos apresentaram taxa de mortalidade de 3,3%, enquanto os que não tomavam o medicamento apresentaram taxa de mortalidade de 2,7%.

Pacientes com insuficiência renal grave na base de dados ADHERE e que estavam sob tratamento prolongado com diuréticos apresentaram a mais alta taxa de mortalidade. Para qualquer nível de disfunção renal, os pacientes sob tratamento prolongado com diuréticos tiveram taxa de mortalidade maior do que os que não foram submetidos ao mesmo tratamento.

Na média, pacientes sob tratamento prolongado com diuréticos também passaram mais tempo internados no hospital. O período médio de internação ficou em 5,5 dias em pacientes com baixos níveis de creatinina e que não usavam diuréticos. Já os pacientes com elevados níveis de creatinina em tratamento prolongado com diuréticos passaram, em média, 6,9 dias hospitalizados.

Os pesquisadores que coordenaram esse estudo concluíram que diuréticos devem ser usados com cautela em pacientes com insuficiência cardíaca e com insuficiência renal. Uma alternativa aos diuréticos seria um procedimento relativamente novo chamado ultrafiltração, que consiste em filtrar o sangue do paciente para fora do corpo a fim de remover o excesso de líquido.

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