Tratamento do refluxo gastro-esofágico

Autor: 
Isabela Benseñor

O tratamento da doença de refluxo envolve as mudanças de hábito, o tratamento medicamentoso e o tratamento cirúrgico.

As mudanças de hábito no tratamento da doença de refluxo incluem a elevação da cabeceira da cama de modo que ao deitar o tórax esteja elevado em relação ao abdome. Pode-se levantar os pés da cabeceira da cama com algum tipo de material ou podem-se usar os travesseiros anti-refluxo. Esses travesseiros devem deixar o tórax mais elevado em relação ao abdome. Não adianta colocar vários travesseiros embaixo da cabeça porque isso traciona o pescoço e não evita o refluxo. É recomendável jantar mais cedo bem antes ou pelo menos duas horas antes do horário de dormir. Deve-se evitar refeições muito volumosas à noite, com grande ingestão de líquidos especialmente refrigerantes com gás. Deve-se também evitar os alimentos quando eles se correlacionarem bem com os sintomas. Os mais correlacionados são café, chocolate, álcool, cítricos, combinações com hortelã, molho de tomate, pimentões, pepino e outros.

Tratamento medicamentoso

O tratamento medicamentoso pode ser utilizado como teste diagnóstico. Em casos de refluxo gastro-esofágico com endoscopia normal, muitas vezes o diagnóstico fica como dispepsia funcional. A melhora com o teste terapêutico confirma o diagnóstico de refluxo gastroesofágico com endoscopia normal.  O tratamento medicamentoso do refluxo inclui o uso de inibidores da bomba de prótons por um período de tempo mais longo. Outra opção é o uso de doses dobradas de bloqueadores H2 associados a procinéticos. O uso de antiácidos está reservado para os casos mais leves. No tratamento do refluxo é comum o aparecimento de recidivas e a manutenção do tratamento por longos períodos com a dose mínima de inibidores de bomba de prótons suficiente para controle da dor.

Alguns pacientes com refluxo podem ter indicação de tratamento cirúrgico quando não houver melhora clínica com o tratamento medicamentoso. Ainda não foi estabelecida a eficácia clínica do tratamento cirúrgico a longo prazo. A presença de hérnia de hiato (quando o estômago sobe e entra no tórax) não é uma indicação específica de tratamento cirúrgico porque muitas pessoas com hérnia de hiato não apresentam refluxo. A cirurgia de refluxo pode ser feita por via laparoscópica com internação mais curta e procedimento cirúrgico menos invasivo.

Uma complicação importante do refluxo gastroesofágico prolongado é o esôfago de Barrett. Nessa doença, o epitélio do esôfago atingido pelo refluxo ácido sofre uma alteração (metaplasia) que aumenta o risco de um adenocarcinoma de esôfago, um tipo de câncer. As pessoas com essas alterações devem se tratar com doses altas de inibidores da bomba de prótons com indicação de realizar endoscopias anuais ou a cada seis meses de acordo com a gravidade da doença.

Dispepsia associada ao uso de antiinflamatórios

Grande parte das alterações gástricas causadas pelo uso de antiinflamatórios é assintomática. Os antiinflamatórios lesam à mucosa do estômago causando risco de hemorragias graves. Portanto, o antiinflamatório deve ser usado com cautela, por períodos curtos e com acompanhamento médico. No tratamento agudo, o paciente pode ter que ficar internado ou receber transfusões de sangue dependendo da quantidade de sangue perdido. Deve-se ter um cuidado especial com os idosos.