O esôfago apresenta no seu final, próximo do estômago uma camada de musculatura que funciona como um esfíncter e impede os alimentos que atingirem o estômago e que já se misturaram à secreção ácida de voltar para o esôfago. O relaxamento desse esfíncter pode ocorrer com a ingestão de alguns alimentos como café, molho de tomate, alimentos gordurosos, chocolate, cebola, pimentão, pepino e muitos outros. A mucosa do esôfago se protege do refluxo ácido secretando muco e bicarbonato, mas nem sempre isso é suficiente. O refluxo do ácido no esôfago pode causar dor, conhecida como queimação retroesternal porque se localiza embaixo do osso esterno.
O refluxo é mais freqüente em pessoas com predisposição, quando a pessoa ingere uma grande quantidade de comida e se deita em seguida, após ingestão de alguns alimentos citados acima.
Como se faz o diagnóstico diferencial?
É difícil fazer o diagnóstico diferencial entre os tipos de dispepsia baseando-se só nos sintomas porque existe muita sobreposição. É importante perguntar sobre queixas de azia e queimação retro-esternal porque elas sugerem refluxo. É sempre importante perguntar sobre os hábitos alimentares como horário das refeições e os tipos de alimentos que desencadeiam a dor. Hoje em dia, é muito freqüente que a pessoa passe todo o dia fora de casa. Muitas vezes ela toma café de manhã come alguma coisa correndo na hora do almoço e só vai fazer uma refeição completa em casa à noite. Muitas vezes nessa refeição a pessoa ingere uma quantidade muito grande de alimentos próxima da hora de deitar. Esse tipo de hábito leva ao desenvolvimento do refluxo em pessoas que já tem uma predisposição. O refluxo apresenta um sintoma importante além da dor retroesternal que é a tosse. Na investigação de uma pessoa com tosse crônica, aquela que dura mais de três semanas, o refluxo pode ser uma das principais causas.
Antigamente, se tentava fazer o diagnóstico do tipo de dispepsia de acordo com o tipo de dor, se ela melhorava ou piorava com a alimentação. Hoje em dia já se sabe que isso é impossível.
O diagnóstico diferencial da dor retroesternal ou da dor epigástrica (dor na região do estômago) são as doenças do coração como, por exemplo, a angina ou dor no peito que pode ser um sinal de insuficiência coronariana. Muitas vezes o diagnóstico diferencial deve ser feito com o próprio infarto. Isso acontece principalmente em idosos.
Existem alguns sinais de alarme que devem ser investigados em quem tem queixa de dispepsia: perda de peso sem explicação, presença de anemia ou história de vômitos com sangue, dificuldade progressiva para engolir ou vômitos freqüentes e repetidos. Esses sintomas podem sugerir que a dispepsia é de causa orgânica como por uma úlcera ou um tumor no estômago ou no esôfago. Mas esses casos são muito mais raros. Em geral, a pessoa com dispepsia não apresenta nenhuma dessas queixas.