Úlcera péptica

Autor: 
Isabela Benseñor

Até a década de 80 seria um absurdo dizer que a úlcera era uma doença infecciosa. Em 1979, um médico patologista australiano chamado Robin Warren identificou em uma lâmina com tecido do estômago a presença da bactéria. Junto com outro médico australiano chamado Barry Marshall fizeram vários estudos e conseguiram cultivar a bactéria em meios de cultura no laboratório. O conhecimento que a úlcera seria uma doença infecciosa causada pelo Helicobacter pylori sem nenhuma relação com a dieta e hábitos de vida demorou  para ser aceito pela comunidade científica. O próprio Barry Marshall  tomou um líquido contendo uma grande quantidade de Helicobacter pylori e desenvolveu gastrite sendo o Helicobacter recuperado do seu estômago em uma biópsia feita por endoscopia. Os descobridores do Helicobacter,  Robin Warren e Barry Marshall ganharam o Prêmio Nobel de Medicina em 2005, dada a importância da sua descoberta.

As úlceras foram doenças muito importantes no século XX. Muitas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas para o tratamento da úlcera. Na década de 70, surgiram os primeiros medicamentos para tratamento das úlceras como a cimetidina. Posteriomente, surgiram a ranitidina e uma outra classe de medicamentos chamados inibidores da bomba de prótons, o primeiro lançado com o nome de omeprazol, que reduziram em muito a necessidade de tratamento cirúrgico. Com a descoberta do Helicobacter e seu tratamento, a úlcera se tornou uma doença de fácil tratamento clínico e uma prova do avanço da medicina nas últimas décadas.

O Helicobacter pylori está presente em grande parte da população brasileira adulta e sua presença de associa a condições socioeconômicas e sanitárias ruins. A contaminação costuma ocorrer na infância e pode perdurar por toda a vida se não for tratado. O Helicobacter pylori provoca um processo inflamatório crônico da mucosa do estômago com intensidade diferente de acordo com a cepa da bactéria e o perfil genético do paciente. A infecção pelo Helicobacter se associa às úlceras gástricas e duodenais, aos linfomas tipo MALT (um tipo de linfoma do estômago) e à parte da neoplasia gástrica.