Causas físicas da disfunção sexual feminina

Existem inúmeras razões físicas pelas quais as mulheres podem sofrer de disfunções sexuais, desde efeitos de determinados remédios até mudanças relacionadas à idade. Neste artigo, vamos falar sobre as causas físicas da disfunção sexual feminina.

Hormônios

Os hormônios estão normalmente no topo da lista quando o assunto é desvendar quaisquer mudanças, boas ou más, no corpo humano. Nas mulheres, o estrogênio e a progesterona, que são produzidos nos ovários, são muito importantes e têm diversas funções, dependendo muito da idade. Até a mulher chegar aos 40 anos estes hormônios, assim como a testosterona e outros andrógenos, estão funcionando quase com toda a força.

A testosterona estimula o desejo sexual (sim, nas mulheres também) e os estrogênios mantêm a região vaginal lubrificada (no entanto, a secura vaginal pode acontecer no período menstrual ou se a mulher estiver tomando determinados anticoncepcionais orais. Nestes casos, um lubrificante à base de água pode ajudar).

Como alternativa, um anticoncepcional oral com alto índice do estrogênio e progestina (um componente da progesterona) pode ser a resposta. Mulheres que usam pílulas trifásicas, que contêm combinações variáveis de estrogênio e progestina, manifestaram mais interesse sexual e maior excitação. É provável que isto aconteça porque as trifásicas simulam melhor as variações hormonais.
 
A produção excessiva de estrogênio pode causar danos à vida sexual da mulher. A ovulação passa a ocorrer em dias incertos e muitos casais são surpreendidos pela gravidez indesejada. Esta incerteza deixa algumas mulheres nervosas em relação ao sexo, mesmo que sejam usados contraceptivos.

À medida que a menopausa vai chegando, os níveis hormonais começam a diminuir. Conseqüentemente, os ovários param de produzir estrogênio e progesterona e a parede vaginal fica mais seca e menos elástica, tornando as relações sexuais dolorosas. A terapia de reposição hormonal, tanto a sistêmica (que afeta o corpo inteiro) quanto a tópica (um creme aplicado na vagina), pode facilitar as relações sexuais. Entretanto a terapia de reposição hormonal sistêmica aumenta o risco de tromboses, doença coronariana e de câncer de mama.

Remédios

Além dos contraceptivos hormonais, um grande número de remédios pode interferir no funcionamento sexual, como:

  • antidepressivos, incluindo os inibidores da recaptação da serotonina (ISRSs), como fluoxetina e paroxetina, que podem alterar os neurotransmissores e afetar o desejo e a resposta sexual, além de causar cansaço e náusea;

  • antibióticos, que podem causar infecções tornando as relações sexuais desconfortáveis;

  • anti-histamínicos, que secam as membranas mucosas (incluindo as da vagina);

  • remédios para o coração e hipertensão, que causam disfunção sexual em cerca de 25% das mulheres que os ingerem. Em um estudo, mulheres com função sexual inalterada que ingeriram clonidina e prazosina (remédios anti-hipertensivos) ficaram menos dispostas a ter desejos sexuais do que aquelas que ingeriram um placebo;

  • calmantes, que podem diminuir a libido e retardar ou impedir o orgasmo;

  • dietéticos, auxiliares para o sono e outros remédios que não precisam de receita, que podem causar sonolência e reduzir o desejo e a função sexual.

Infecção

Infecções urinárias, retais ou vaginais e doenças sexualmente transmissíveis (como o vírus do papiloma humano, que causa condiloma genital) podem provocar dores durante as relações.

Vasos sangüíneos danificados

O estudo do Dr. Goldstein, mencionado na página anterior, sugere que a disfunção sexual feminina pode ser indício de doença vascular, especificamente a diminuição do fluxo sangüíneo em vasos que vão até os órgãos sexuais. Isto seria similar à causa número 1 de disfunção erétil masculina. O Dr. Goldstein descreve a disfunção sexual essencialmente como sendo um "infarto" da vagina, clitóris ou pênis. No entanto, esta área de estudo é muito recente e nem todos concordam com a teoria do Dr. Goldstein.

Cansaço

Estar cansado acaba com o sexo. A terapeuta sexual Domeena Renshaw recomenda uma tática fora do comum para mulheres cansadas: escolha uma noite e coloque o alarme para despertar 1 hora e meia depois de ter ido dormir. Ela diz que esta é a hora em que o primeiro ciclo de sono sexual começa e, portanto, você deve estar no pico da excitação. Levantem-se, tomem banho juntos e façam amor.

O banho refresca e o sexo relaxa e ajuda a voltar a dormir. Além disso, você vai ganhar mais tempo para fazer amor com seu parceiro. Se seu parceiro tiver problemas de disfunção erétil, ele pode tomar remédios como Viagra.

Doenças ou ferimentos

Doenças orgânicas como distúrbios nas glândulas adrenais, pituitárias e tireóides (as reguladoras dos hormônios) podem alterar sua postura em relação ao sexo. O interessante é que a ocitocina, secretada pela glândula hipófise, foi associada a contrações no útero em animais (ainda não em humanos) durante o orgasmo. A ocitocina é mais conhecida como a substância usada para indução de contrações em mulheres grávidas.

Quimioterapia

Os efeitos colaterais da quimioterapia, como cansaço e náusea, podem diminuir a libido em pacientes com câncer, que também podem não se sentir atraentes por causa de cirurgia de mamas ou ostomias, por exemplo. A cirurgia de câncer no ovário, bexiga, reto e útero pode induzir à menopausa, assim como a quimioterapia para câncer de mama.

A quimioterapia pode ter um efeito adverso no funcionamento sexual da mulher.
2006 Publications International, Ltd.
Não é de surpreender que a quimioterapia possa ter um efeito adverso
no funcionamento sexual da mulher

Histerectomia

A histerectomia pode ter efeitos completamente opostos na função sexual. Em um estudo com 104 mulheres, 52 relataram melhora após realizar uma histerectomia subtotal, enquanto 21% relatou piora. Aquelas que se sentiram melhor provavelmente tinham vidas sexuais satisfatórias antes da cirurgia.

A histerectomia não afeta o desejo ou função sexual se os ovários (que produzem hormônios) estiverem intactos. A terapia de reposição hormonal pode compensar a falta de ovários. De qualquer maneira, o Dr. Renshawa aponta que a capacidade de ter orgasmo não muda porque a excitação acontece através do clitóris e da mente.

Ferimento na medula espinhal

Este tipo de ferimento não deve fechar as portas para a vida sexual. Em um estudo de 1995, metade de 25 mulheres com ferimentos na medula espinhal relataram a capacidade de atingir o orgasmo, independente do tipo ou grau de ferimento neurológico. O que fez a diferença? Os pesquisadores acreditam que foi o maior conhecimento e desejo sexual.

Mudanças relacionadas à idade

Mudanças hormonais, artrite, doença cardíaca e outras condições físicas significam que você terá de adaptar suas atividades a cada situação, mas não há necessidade de acreditar no mito de que envelhecer quer dizer deixar o sexo de lado. Estar livre da gravidez, se sentir confortável com o próprio corpo e a familiaridade com as reações do seu parceiro podem melhorar o sexo nos anos posteriores. Na verdade, dados do National Survey of Families and Households (Pesquisa Nacional de Famílias e Lares) revelaram que um quarto das pessoas casadas e acima de 76 anos relatou ter feito sexo pelo menos uma vez no mês anterior.

Fatores físicos não são a única causa da disfunção sexual feminina, existem também variáveis psicológicas. Elas serão discutidas na próxima página.

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