Tratamentos não invasivos para a disfunção erétil

Os médicos concordam que é melhor começar com o tratamento mais simples e menos invasivo, e buscar outros, mais invasivos, se os tratamentos iniciais não funcionarem. A conversa com o médico e o histórico médico podem revelar medicamentos cujo uso deve ser modificado ou interrompido, ou uma disfunção clínica que deve ser tratada para resolver o problema. Mudanças no estilo de vida, como reduzir o consumo de álcool ou cigarro, praticar um mínimo de atividade física e adotar uma alimentação pobre em gorduras, também fazem parte do tratamento inicial. Além disso, o aconselhamento psicológico é quase sempre recomendado como um bom ponto de partida.

Aconselhamento psicológico

Como a DE costuma ser conseqüência da depressão ou de uma combinação de fatores físicos e psicológicos, o aconselhamento profissional é recomendado. O aconselhamento pode reduzir a ansiedade que, por sua vez, reduz o impacto e a duração da DE. Em geral, a terapia é usada em conjunto com outros tratamentos orientados pelo médico.

A depressão ou o estresse podem causar disfunção erétil.

2006 Publications International, Ltd.

A depressão ou o estresse podem causar disfunção erétil

Nunca é demais enfatizar que os problemas psicológicos estão presentes em todas as formas de DE, mesmo naquelas que resultam de um problema clínico. Portanto, o aconselhamento psicológico e a psicoterapia devem fazer parte de todo tratamento. O aconselhamento sozinho talvez seja suficiente para os pacientes sem causas físicas para sua disfunção, e ele pode ser o único recurso para homens que se recusam a fazer qualquer tratamento clínico ou cirúrgico.

O terapeuta deve, primeiro, avaliar se problemas como relacionamentos problemáticos ou abuso de álcool ou drogas são as causas reais ou importantes causas secundárias da DE. Além disso, o aconselhamento é importante para lidar com a ansiedade do desempenho e outros problemas que o homem tem e que interferem na estimulação sexual e nas ereções. Os profissionais trabalharão com os casais para instruí-los a respeito da reação sexual normal e a DE para que possam lidar com os problemas sexuais e ajudá-los a entender que, com o envelhecimento, ocorrem alterações esperadas no homem. Entre essas estão a demora para ter uma ereção, mais tempo para ejacular, não ejacular toda vez e um tempo de recuperação maior entre as ereções. Alguns medicamentos antidepressivos podem ajudar na ejaculação precoce, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) ainda não os aprovou para essa finalidade.

A participação da parceira é fundamental. Afinal de contas, um homem só pode ser considerado pleno em relação ao seu conjunto de relacionamentos, sobretudo os relacionamentos familiares básicos. Uma terapia boa e construtiva deve ajudar a aliviar a ansiedade e a depressão e a melhorar o funcionamento sexual. Além disso, ela deve ensinar a reduzir o estresse e a controlar a ansiedade, além de ajudar o paciente a reconhecer os sinais de aumento da ansiedade.

Tônus muscular

Também pode ser útil tonificar os músculos que atuam na região do tecido erétil que fica dentro do corpo - os músculos que ficam tensos para gerar ereções mais fortes e que causam a ejaculação quando se contraem. Embora nem sempre seja necessário um esforço consciente de sua parte para contrair esses músculos, alguns pesquisadores na Bélgica estão certos de que os homens podem aprender a usá-los e fortalecê-los, melhorando assim a ereção. Esses pesquisadores criaram um conjunto de exercícios pélvicos, semelhantes aos exercícios de Kegel para fortalecer os músculos pélvicos que costumam ser feitos por mulheres, para aumentar a tensão e o tônus desses músculos.

Medicamentos orais

Medicamentos orais funcionam melhor em homens cujo problema principal é a ansiedade ou outros problemas emocionais, mas também funcionam em homens com problemas físicos se a musculatura erétil não estiver gravemente lesionada. Em estudos clínicos, 70 a 80% de homens com DE conseguiram bons resultados com medicamentos orais. Embora o desenvolvimento de medicamentos orais a serem usados conforme necessário seja um grande progresso, eles não funcionam para todos os pacientes, e outros tratamentos continuarão a ajudar homens com problemas de ereção. Devido à popularidade esmagadora do Viagra, a maioria dos tratamentos que eram considerados terapias de primeira linha agora se tornou opção secundária, usados apenas depois que o Viagra ou outro agente oral falhar.

Há vários medicamentos orais para tratar a disfunção erétil.


2006 Publications International, Ltd.

Há vários medicamentos orais


para tratar a disfunção erétil

Além do "Viagra", "Levitra" e "Cialis" há outros medicamentos orais que podem ajudar no tratamento. A ioimbina é um medicamento em forma de pílula proveniente da casca de uma árvore africana chamada yohimbe. É usada por homens com problemas de ereção e redução do desejo sexual e há décadas é aclamada como afrodisíaco. A ioimbina produziu bons resultados em estudos animais, mas especialistas não concordam com sua eficácia para homens com problemas de ereção. Alguns alegam ótimos resultados; outros não. De modo geral, seu índice de sucesso é pouco melhor do que o uso de placebo. Dois estudos, ambos financiados por empresas farmacêuticas, alegam que a ioimbina pode ajudar entre 20 e 40% de seus usuários. .Ela pode ser boa para homens que não têm nenhuma causa física grave causando o problema.

A ioimbina está associada a efeitos colaterais potencialmente relevantes, entre os quais palpitações, elevação da pressão arterial, tremores, agitação e nervosismo. Se você tem uma história de palpitações e pressão arterial elevada, não use esse medicamento em hipótese alguma.

A iombina existe na forma de prescrição ("Yomax") como pílula que pode ser tomada três vezes ao dia. Ela também é encontrada em lojas de alimentos naturais em sua forma genérica (ioimbina) em doses variadas. Atenção: estudos mostram que a ioimbina vendida sem receita médica é incoerente em dosagem e efeito e não é menos onerosa do que as prescrições. É melhor usar a ioimbina com receita médica.

Outros medicamentos que podem ajudar alguns homens são a pentoxifilina e a trazodona. A pentoxifilina aumenta o fluxo sangüíneo para as artérias das pernas. Os efeitos colaterais são mínimos. Trazodona é um antidepressivo, mas em uma pequena porcentagem de homens, ele aumenta o fluxo sangüíneo peniano e ajuda a restaurar o impulso sexual. Contudo, os médicos consideram arriscado usar uma droga para combater seus efeitos colaterais. Entre os efeitos colaterais do Desyrel estão a ejaculação retrógrada (para a bexiga) e o priapismo, designação médica para uma ereção prolongada que ocorre sem estimulação sexual e que continua depois da ejaculação e do orgasmo. O priapismo é uma disfunção perigosa que pode resultar em dano irreversível ao pênis. Desyrel costuma ser usado em conjunto com a ioimbina.

Alguns homens também descrevem resultados com o uso dos agonistas da dopamina e da serotonina, mas nenhum estudo científico provou a eficácia dessas drogas no tratamento da DE. Assim como a ioimbina, qualquer melhora após seu uso pode ser um efeito placebo - ou seja, ele produz bons resultados apenas porque o paciente acredita neles.

Suplementos hormonais

Cinco por cento de todos os casos de DE são causados por níveis anormais de hormônios sexuais, por exemplo, níveis baixos de testosterona, excesso de prolactina ou excesso de estrogênio. Se o nível de testosterona estiver baixo, o urologista pode prescrever uma série de injeções intramusculares de testosterona, com intervalo de algumas semanas, durante vários meses, ou adesivos de testosterona colocados no escroto ou no torso. A testosterona oral é raramente recomendada porque costuma ser ineficaz e pode causar dano hepático. Embora um nível baixo de testosterona raramente seja a causa de problemas de ereção, ele pode ser um fator adicional, sobretudo em homens mais velhos, porque reduz o desejo sexual.

No entanto, há algumas questões graves sobre as injeções de testosterona, porque há indícios de que a próstata reage aos níveis de testosterona. A testosterona pode aumentar o tamanho da próstata, causando problemas de micção. Ela também pode atuar no surgimento do câncer de próstata. Além disso, os hormônios engrossam o sangue, aumentando o risco de problemas circulatórios. Outra desvantagem é que a suplementação hormonal pode levar a uma dependência vitalícia, pois ela reduz a capacidade do corpo produzir seus próprios hormônios, causa redução do tamanho dos testículos e espessa o sangue aumentando os glóbulos vermelhos.

O uso indiscriminado de testosterona oral ou de DHEA (o precursor da testosterona, encontrado em muitas lojas de produtos naturais) oral pode ser associado a efeitos colaterais significativos, por exemplo, interferência nos níveis sangüíneos de triglicerídeos e colesterol, maior risco de acidente vascular cerebral, aumento benigno da próstata e, sobretudo, aceleração do aumento de quantidades microscópicas de câncer da próstata não detectadas anteriormente.



Dispositivos a vácuo

Além dos medicamentos, os dispositivos a vácuo são o tratamento menos invasivo para a DE. Embora mecânicos e de uso um tanto incômodo, eles funcionam. Usado adequadamente, um dispositivo a vácuo produz ereção em qualquer homem. Na verdade, eles geram ereções em homens paralíticos que não têm nenhuma sensação no pênis.

Esses dispositivos mecânicos causam a ereção porque criam um vácuo em torno do pênis, puxando o sangue e deixando o pênis ereto. Os dispositivos têm três partes: um cilindro plástico em que se coloca o pênis; uma bomba que retira o ar do cilindro, e uma faixa elástica (anel constritor) colocada em torno da base do pênis para manter a ereção depois da remoção do cilindro (e durante o ato sexual), impedindo que o sangue saia do pênis. Uma variação do mecanismo a vácuo usa uma bainha de borracha semi-rígida que é colocada sobre o pênis e que permanece ali depois da ereção e durante o ato sexual.

Instruções para usar um dispositivo a vácuo são importantes para garantir o uso adequado e bem-sucedido. Visto que um anel constritor na base do pênis mantém a ereção, a parte do órgão que fica dentro do corpo talvez não fique tão rígida, produzindo um efeito de dobradiça. Além disso, o pênis pode ficar um pouco mais frio do que o normal por causa da restrição do fluxo sangüíneo.

Ainda que os dispositivos a vácuo sejam inconvenientes e tirem parte da espontaneidade de manter relações sexuais, eles são seguros, não invasivos e não têm efeitos colaterais significativos. Alguns homens até mesmo dizem que depois de usá-los algumas vezes conseguem ter ereções normais sem o dispositivo.

Atenção: não use o anel constritor por mais de 30 minutos ou poderá haver danos. Além disso, saiba que as faixas usadas com dispositivos a vácuo não são as mesmas faixas elásticas adquiridas em uma loja de materiais para escritório; faixas elásticas comuns podem causar danos graves ao pênis e nunca devem ser usadas.

Terapia com injeções

A terapia com injeções, usada desde 1990, diz respeito a auto-injeção de medicamentos no corpo do pênis. Ela produz ereções de boa qualidade em cerca de 70 a 80% dos homens com DE. Os medicamentos usados, entre os quais prostaglandina E1, papaverina e fentolamina, relaxam o músculo liso do pênis e permitem que o sangue permaneça no órgão.

A terapia com injeções requer prescrição médica. O urologista determinará a dose correta e o ensinará como se injetar. Embora pareça assustador e dolorido, a maioria dos homens não descreve grande desconforto. Usa-se uma agulha muito fina (do tipo usado para injeções contra alergia) em uma região com pouquíssimas terminações nervosas. Contudo, em alguns homens, o próprio medicamento, não a injeção, causa uma sensação de ardor.

A vantagem é que a injeção produz uma ótima ereção que dura de 30 a 60 minutos, ou mais. A ereção pode durar até depois da ejaculação e, às vezes, até passar o efeito do medicamento, que pode demorar duas ou três horas.

A terapia com injeções é menos arriscada do que a cirurgia, e as ereções são mais naturais do que aquelas produzidas por um dispositivo a vácuo, embora alguns homens digam que a ereção produzida pela injeção também é artificial. Contudo, também há desvantagens. Primeiro, a idéia de introduzir uma agulha no pênis pode desanimar muitos homens. E, como o dispositivo a vácuo, a terapia com injeções significa interromper a atividade sexual e tirar a espontaneidade. Entre as desvantagens estão uma chance de 7 a 10% de surgir cicatrizes no tecido elástico, causando uma deformidade no pênis ereto, e o risco de ter priapismo, que é uma ereção que não acaba. O risco do priapismo é maior no início do tratamento, quando o urologista está tentando ajustar a dosagem correta. Qualquer ereção com mais do que três ou quatro horas de duração requer uma consulta médica ou ida ao pronto-socorro para impedir o dano permanente ao pênis.

Embora não sejam a opção favorita, os tratamentos cirúrgicos podem obter bons resultados se os não invasivos fracassarem. Discutiremos essas medidas na próxima seção.


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