O diagnóstico da disfunção erétil

A avaliação básica consiste em um exame físico de rotina completo. Além disso, deve-se ter em mente uma abordagem objetiva (ou seja, uma abordagem que se concentra no que pode ser feito ou no que está disponível). As duas perguntas fundamentais que precisam ser respondidas são :

1) Há algum problema clínico significativo?

2) O que pode ser feito?

A história médica

O diagnóstico começa com uma consulta médica, que todo homem deve fazer periodicamente, com ou sem disfunção erétil. Uma história médica detalhada e exata é essencial, porque pode revelar doenças capazes de causar DE. Entre os fatores de risco para problemas circulatórios, causas relevantes de DE são a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, a doença cardíaca, a doença vascular periférica, cirurgia ou trauma pélvico e anormalidades lipídicas no sangue. Uma história de diabetes ou alcoolismo pode ser a causa de problemas neurológicos. Outras causas neurológicas, como esclerose múltipla, lesão da medula espinhal ou lesões cranianas, também aparecem na história médica. A história também revelará outras causas importantes de DE, como cirurgia pélvica radical, radioterapia, doença de Peyronie, lesão pélvica ou peniana, prostatite, câncer de próstata, priapismo (ereções persistentes e anormais que impossibilitam a penetração e podem causar dano permanente ao pênis) ou problemas urinários. O médico também se interessará por quaisquer informações sobre tratamentos ou exames de impotência feitos anteriormente.

O tratamento de disfunção erétil, e de qualquer disfunção clínica, deve começar com uma história médica detalhada levantada pelo médico.
2006 Publications International, Ltd.
O tratamento de disfunção erétil, e de qualquer disfunção clínica,
deve começar com uma história médica detalhada com seu médico

Além disso, você deve se preparar para enumerar os medicamentos (inclusive drogas ilegais) que estiver usando ou que já usou. Visto que 25% de todos os casos de DE são causados por medicamentos prescritos para outras disfunções, essa é uma parte importantíssima da história. Se os medicamentos forem a causa do problema, reduzir a dosagem ou substituir alguns deles talvez seja suficiente.

Entre as perguntas que costumam ser feitas como parte da história médica estão:
  • Sente dor no peito?
  • Tem falta de ar?
  • Sente dor nas pernas ao caminhar ou praticar atividade física?
  • É portador de pressão alta?
  • Há casos de doença cardíaca, diabetes ou câncer de próstata na família?
  • Tem edema nas pernas?
  • Sente entorpecimento ou perda de sensação nas pernas ou no pênis?
  • Já observou uma curvatura do pênis durante a ereção?
  • Já sofreu vertigem ou desmaio?
O médico também lhe fará perguntas para obter uma história sexual detalhada e honesta. Ela é necessária para avaliar exatamente as queixas específicas do paciente. Um simples relato da atividade sexual pode distinguir entre problemas com ereção, ejaculação, orgasmo ou desejo sexual. A diminuição do desejo sexual, por exemplo, pode indicar desequilíbrio hormonal. O médico perguntará quando o problema começou e com que freqüência ele ocorre. Além disso, fará perguntas sobre a qualidade e a duração das ereções, se você tem ereções noturnas ou matinais, e se o ato sexual é satisfatório.

Outras perguntas podem abranger detalhes de técnica sexual, expectativas do paciente e da parceira e a motivação específica do paciente para o tratamento. O médico analisará fatores emocionais e de relacionamentos para ver se têm alguma influência sobre suas dificuldades. Você sente ansiedade do desempenho? Há problemas familiares ou problemas com sua parceira? O ideal seria que a parceira participasse do processo e da consulta. Assim, ela teria a oportunidade de apoiá-lo e de contribuir para a discussão. Além disso, será útil para ela ouvir diretamente do médico as causas e os tratamentos para a DE. Se ela for à consulta, também será entrevistada, ainda que não necessariamente ao mesmo tempo em que o homem. Um questionário por escrito talvez seja prático, mas ele não deve substituir a entrevista. Finalmente, o médico perguntará o que você espera obter com o tratamento.

Exame psicológico

Uma boa história clínica engloba uma avaliação psicológica. Se necessário, pode-se usar diversos testes psicológicos e questionários sexuais. Se a avaliação inicial indicar que o problema erétil é sobretudo psicológico ou que existe um grande problema no relacionamento, o médico o encaminhará a um psiquiatra ou psicólogo ou assistente social. O mesmo é válido se você tiver uma história prévia de transtornos psiquiátricos.

O exame físico

O exame físico é a segunda etapa do diagnóstico. O exame pode dar pistas sobre problemas sistêmicos. Por exemplo, se o pênis não responde como deveria a certos toques, talvez um problema no sistema nervoso seja o responsável pela disfunção. Se o exame revelar características sexuais secundárias anormais, como a distribuição de pêlos, a causa pode ser problemas hormonais relacionados ao sistema endócrino. O exame também fará a verificação da pulsação nas artérias das pernas e das extremidades inferiores. A pulsação pode revelar problemas circulatórios ou talvez a descoberta de um aneurisma no abdome.

O médico também examinará os genitais para avaliar o tamanho e a consistência dos testículos. Características incomuns do pênis podem explicar a causa da disfunção. Por exemplo, a angulação grave do corpo do pênis durante a ereção pode ser uma conseqüência da doença de Peyronie. O médico também realizará um exame retal para avaliar o tamanho da próstata e o tônus do esfíncter anal.

Exames laboratoriais
Exames de sangue simples também podem ser uma ferramenta eficaz no diagnóstico da disfunção erétil.
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Exames de sangue simples também podem ser uma ferramenta eficaz no diagnóstico da disfunção erétil

Vários exames laboratoriais simples também podem ajudar a indicar as causas da DE. De modo geral, os testes para doenças sistêmicas englobam hemograma completo, análise da urina, perfil lipídico, creatinina, enzimas hepáticas e glicose em jejum. A avaliação hormonal inclui exames da tireóide. A avaliação laboratorial também fará a verificação do nível sérico basal matinal de testosterona. A DE causada apenas por baixos níveis de testosterona é incomum, mas a redução do desejo sexual em conseqüência de baixa testosterona pode ser uma causa secundária. Se houver baixo nível de testosterona, o exame será repetido.

Testes adicionais para a disfunção erétil

Homens saudáveis têm ereções involuntárias durante o sono. Por isso, se você não tem ereções noturnas, é provável que exista uma causa física, e não psicológica, para a sua DE. Quando o paciente não descrever nenhuma ereção ou quando houver suspeita de causa psicológica, o teste de ereção peniana noturna poderá ajudar. Esse exame monitora as ereções que ocorrem durante o sono, por meio de uma faixa de velcro ou outra ferramenta mais sofisticada. Se a faixa de velcro se solta durante a noite é porque houve uma ereção. Contudo, deve-se ter ciência de que esse teste não é completamente confiável e é raramente indicado.

Quando os testes diagnósticos forem inconclusivos, outros estudos, entre os quais testes invasivos, serão necessários. Mais testes também são necessários para pacientes considerados candidatos à cirurgia vascular. Testes adicionais podem englobar injeção farmacológica intracavernosa - a injeção de um medicamento como papaverina, fentolamina ou prostaglandina nos corpos cavernosos. Se a injeção causar uma ereção rápida e duradoura, o teste pode eliminar qualquer insuficiência venosa ou arterial significativa. O teste da injeção também indica bons candidatos para a terapia com injeções.

Candidatos à cirurgia vascular ou que desejam uma avaliação mais exata de suas funções arteriais podem se submeter a outros testes, entre os quais ultra-sonografia, cavernosometria/cavernosonografia e angiografia peniana ou pélvica farmacológica. Contudo, a eficácia desses procedimentos é limitada pela escolha adequada do paciente, a aptidão do profissional que realiza o teste, a interpretação variável dos resultados e o baixo prognóstico de sucesso da cirurgia venosa e arterial. Mais pesquisas são necessárias para a criação de padrões para a metodologia e a interpretação dos resultados.

A história médica e sexual, o exame físico e os testes laboratoriais ajudarão o médico a determinar se a DE é física, psicológica ou uma combinação de ambos. Depois que se faz o diagnóstico, o médico ajuda a determinar como proceder. Dependendo da causa, ele poderá encaminhá-lo a outro profissional. Por exemplo, se você tiver um desequilíbrio hormonal, ele o encaminhará a um endocrinologista para outra avaliação. Ou talvez os resultados iniciais indiquem que você se beneficiaria com uma avaliação neurológica completa. Se houver suspeita de causas psicológicas, você deverá fazer outra avaliação psicológica e terapia. Não importa o diagnóstico, há tratamento. Na próxima seção, falaremos sobre o tratamento para a disfunção erétil. Desde o momento certo para procurar o médico até quem você deve levar à consulta, trataremos de todas as etapas.

Esses dados são apenas informativos. ELES NÃO TÊM O OBJETIVO DE PROPORCIONAR ORIENTAÇÃO MÉDICA. Nem os editores de Consumer Guide (R), Publications International, Ltd., nem o autor e nem a editora se responsabilizam por quaisquer conseqüências possíveis oriundas de qualquer tratamento, procedimento, exercício, modificação alimentar, ação ou aplicação de medicação resultante da leitura ou aplicação das informações aqui contidas. A publicação dessas informações não constitui prática de medicina, e elas não substituem a orientação de seu médico ou de outros profissionais da área médica. Antes de adotar qualquer curso de tratamento, o leitor deve pedir orientação ao seu médico ou a outro profissional da área médica.