Causas da disfunção erétil

Há duas razões fundamentais para não ter ou manter uma ereção: problemas clínicos e problemas psicológicos. Em geral, os dois estão inter-relacionados. É natural ter problemas emocionais em conseqüência de um problema físico, e a DE não é exceção. Mas falaremos primeiro sobre as razões físicas da DE.

Problemas clínicos



Como as artérias e veias são tão fundamentais para ter e manter uma ereção, qualquer doença ou disfunção que altere o fluxo sangüíneo que passa por elas pode causar DE. A diabetes é provavelmente a maior causa de disfunção erétil, com 35 a 50% de diabéticos entre as vítimas do problema. Isso acontece porque a diabetes causa doença vascular e dano nervoso, ambos influenciando a capacidade de ereção. Muitos diabéticos desenvolvem a disfunção erétil na juventude e meia idade, embora os médicos raramente os alertem dessa complicação. Além disso, muitos homens com DE que procuram tratamento, costumam descobrir que a causa é a diabetes ou a aterosclerose (lesão das artérias) não detectadas.

Qualquer doença ou disfunção que as danifique ou prejudique o fluxo sangüíneo que passa por elas pode causar DE.

2006 Publications International, Ltd.

Qualquer disfunção que prejudique o fluxo sangüíneo pode causar DE

Além da diabetes, a doença renal, o alcoolismo crônico, a esclerose múltipla e a doença vascular são responsáveis por cerca de 70% de todos os casos de DE. Entre outros fatores de risco para a disfunção erétil estão a hipertensão (pressão arterial elevada); hiperlipidemia (excesso de gordura ou de lipídios no sangue); hipogonadismo (redução da atividade das glândulas reprodutivas); disfunções endócrinas; tabagismo; anemia; trauma ou lesão na pélvis ou na medula espinhal; doença coronariana; doença de Peyronie (uma curvatura dolorosa do pênis que impossibilita a penetração); doença do tecido erétil do pênis; cirurgia vascular, cirurgia do cólon ou da próstata e depressão. Se você tiver alguma dessas doenças, o médico lhe perguntará durante o exame de rotina se você está passando por alguma disfunção sexual. O clínico geral pode e deve ser o responsável pelo diagnóstico e tratamento para homens com DE. Contudo, se seu médico nada perguntar, mencione o problema. Muitos clínicos gerais não são sensíveis aos problemas de disfunção sexual e não procuram os sintomas.

Medicamentos: a DE também é um efeito colateral de muitos medicamentos comuns, entre os quais medicamentos vendidos com e sem receita médica e drogas ilegais. Estima-se que 25% de todos os casos de DE sejam causados por medicamentos.

Os medicamentos usados para qualquer uma das disfunções a seguir podem prejudicar a função sexual: hipertensão, angina, úlcera, síndrome do cólon irritável, ansiedade, depressão, psicose, obesidade, dependência de heroína, alcoolismo, tuberculose, insônia, câncer de próstata e glaucoma. Se você usa medicamentos para alguma dessas disfunções e suspeita que eles sejam responsáveis por sua DE, procure o médico imediatamente; não suspenda o uso do medicamento por conta própria. Embora o medicamento possa ser o causador do problema, a disfunção que ele trata também pode muito bem ser o problema. É o médico que deve decidir se os medicamentos são responsáveis por sua DE e, em caso afirmativo, o que fazer. Em muitos casos, interromper ou mudar de medicamento restaura a função erétil.

A lista detalhada a seguir contém medicamentos prescritos que causam problemas na ereção, no desejo, na potência e na ejaculação.

  • Medicamentos para pressão arterial elevada e angina:
    • bloqueadores alfa-adrenérgicos, entre os quais doxazosina, tamsulosina, terazosina e prazosina;
    • medicamentos que contêm metildopa;
    • estimulantes andrenérgicos, como clonidina, guanfacina e guanabenz;
    • inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como benazepril, captopril e enalapril;
    • beta-bloqueadores, como nadolol, propranolol, penbutolol, acebutolol, metoprolol e pindolol;
    • bloqueadores de canal de cálcio, como nifedipina, verapamil, nicardipina, diltiazem, isradipina, amlodipina, felodipina e bepridil;
    • diuréticos, como espironolactona, bumetamida, indapamida, amilorida e metolazona;
    • drogas combinadas contendo reserpina, como drogas para tratamento da hiperplasia benigna de próstata (dutasterida e finasterida, por exemplo)

  • Entre os medicamentos para úlcera e síndrome do cólon irritável que podem causar DE estão os alcalóides de beladona e fenobarbital, hiosciamina, propantelina, clidínio, glicopirrolato e cimetidina.

    Entre os ansiolíticos que podem causar DE estão buspirona, prazepam, clordiazepóxido, diazepam e alprazolam.
  • Muitos antidepressivos podem causar problemas de ereção; entre eles, inibidores de monoamina-oxidase (MAO) como isocarboxazida, fenelzina e tranilcipromina; inibidores da recaptação de serotonina, como fluoxetina e sertralina; e antidepressivos tricíclicos, por exemplo, maprotilina, clomipramina, amoxapina, amitriptilina, desipramina, nortriptilina, doxepin, trimipramina, imipramina, protriptilina, trazodona e bupropiona.
  • Muitos antipsicóticos, entre os quais clozapina, proclorperazina, haloperidol, lítio, tioridazina, tiotixeno, flufenazina, mesoridazina, trifluoperazina, clorprotixeno, clorpromazina e perfenazina.
  • Anfetaminas como metanfetamina são prescritas para a perda de peso e podem causar DE
  • Os tratamentos para diversas doenças e dependências químicas causam a impotência ou disfunção erétil. Entre eles estão metadina para a dependência de heroína, dissulfiram para o alcoolismo, medicamentos para o glaucoma e qualquer medicamento que contenha estrogênio ou progesterona usados no tratamento do câncer de próstata.

Álcool e nicotina: muitas pessoas acham que uma boa dose de bebida alcoólica melhora o desempenho sexual. Contudo, nada é mais falso. O álcool é um depressivo e, quando consumido em excesso, reduz a capacidade de o homem ter uma ereção. E todos sabem que o álcool pode ter efeitos prejudiciais sobre o organismo, capazes de causar muitos problemas de saúde a longo prazo, entre os quais problemas físicos como ter e manter ereções. Reduzir ou interromper o consumo de álcool pode trazer muitos benefícios, entre os quais a eliminação de uma causa relevante de DE.

A nicotina tem efeito tanto imediato quanto a longo prazo sobre as ereções. Ela interfere diretamente nos processos nervosos que produzem e mantêm a ereção, e a fumaça do cigarro associa-se a doença cardíaca e problemas circulatórios que reduzem o fluxo de sangue para o pênis e destroem a flexibilidade dos tecidos. Sem dúvida, não há nenhum bom motivo para fumar, mas quem poderia pensar que uma vida sexual melhor seria um bom motivo para abandonar o tabagismo? É verdade, mas também é melhor não esperar milagres. Reduzir o álcool e deixar de fumar não recuperará a potência totalmente da noite para o dia, e talvez você nunca consiga recuperar o antigo vigor. Mas fumantes e dependentes de álcool que mudam de hábito vêem melhoria em sua vida sexual e na saúde geral.

A nicotina tem efeito tanto imediato quanto a longo prazo sobre as ereções.

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O tabagismo tem efeito tanto imediato quanto a longo prazo sobre as ereções

Idade: é comum supor que a DE seja uma conseqüência natural do processo de envelhecimento, a ser tolerada junto com outras condições associadas à idade avançada, por exemplo, perda auditiva e problemas na visão. Mas essa é apenas outra idéia falsa. A DE aumenta progressivamente com a idade - ela atinge 5% de homens com 40 anos, mas esse número sobe para 15 a 25% para os que têm 65 ou mais. Contudo, é importante entender que ela não é uma conseqüência inevitável do envelhecimento. Vale a pena repetir: a disfunção erétil não é uma conseqüência inevitável do envelhecimento.

Quanto mais velho, maior a probabilidade de apresentar diabetes, doença vascular, hipertensão ou outras doenças que aumentam o risco de disfunção erétil. A DE também pode ser uma conseqüência de tratamentos clínicos para outras doenças específicas. A cirurgia de próstata pode causar lesão em nervos e artérias nas proximidades do pênis, resultando em DE. Lesões no pênis, na próstata ou na bexiga podem ser causas secundárias de problemas de ereção porque danificam nervos, músculos lisos, artérias e tecidos fibrosos dos corpos cavernosos. Os medicamentos, como já mencionado, são uma causa comum. Além disso, anos de tabagismo, consumo de álcool ou drogas ilegais começam a mostrar seus efeitos no organismo à medida que envelhecemos. Esses também podem interferir na capacidade de ter uma ereção.

Fatores psicológicos

Até recentemente, acreditava-se erroneamente que a DE era sobretudo um problema psicológico. Os homens eram levados a crer que sua incapacidade de manter uma ereção era, de modo geral, "culpa deles". Muitos profissionais da área de saúde achavam que a disfunção erétil era causada por problemas mentais ou emocionais e, na verdade, dizia-se aos pacientes que "tudo está em sua mente".

Mas hoje, especialistas acreditam que a maioria dos casos de DE é causada por problemas físicos relacionados aos sistemas circulatório e/ou nervoso. Considera-se que os fatores psicológicos sejam a causa principal de apenas 10 a 20% dos casos de DE. A depressão, por exemplo, é uma causa psicológica importante do problema.

Isso não quer dizer que não exista um aspecto psicológico na DE, mesmo quando a depressão ou algum outro problema psicológico não for a causa direta. Há um elemento psicológico praticamente em todos os casos de DE. Entre os fatores psicológicos estão o estresse e a ansiedade no trabalho ou em casa; preocupação com o desempenho sexual; problemas conjugais; opção sexual mal resolvida; depressão e medo ou ansiedade em contrair doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a contaminação pelo HIV/aids. E a ansiedade do desempenho (medo do fracasso) acaba causando o problema, porque a ansiedade produz adrenalina que provoca a contração do tecido peniano e impede a ereção. Todos esses problemas reduzem o enfoque erótico ou a percepção de estímulos sensoriais que normalmente seriam excitantes. Esses fatores estão amplamente associados a mais de 80% dos casos de impotência, em geral como reações secundárias às causas físicas subjacentes.

Se o problema de ereção for causado por fatores físicos ou psicológicos, ou uma combinação de ambos, é provável que ele se torne uma fonte de estresse físico, mental e emocional. Os problemas de ereção costumam causar efeito profundo sobre a auto-estima e a autoconfiança. A capacidade de atuar sexualmente ajuda os homens a definirem seu papel, além de moldar sua identidade. A perda da função erétil pode ser devastadora.

Muitos homens sofrem em silêncio, convencidos de que não têm em quem confiar, que ninguém os compreenderá. Mesmo que eles não se culpem, acham que os outros irão culpá-los. Além disso, acham que "homens que são homens" não falam sobre seus problemas.

Homens com DE têm muitas outras preocupações que apenas agravam o problema. Eles se preocupam com o fato de serem um fracasso como homem e ficam imaginando se a parceira vai abandoná-los. Por causa da dor emocional associada à DE, é comum para o homem dar desculpas para evitar o sexo com a parceira. Isso pode levar a parceira a se sentir inadequada ou pouco atraente, resultando em rejeição, solidão ou depressão. Às vezes, as mulheres chegam a pensar que seu parceiro está tendo um caso extraconjugal. O fato comum de o homem não falar sobre sua disfunção agrava a situação.

Procurar ajuda para a disfunção erétil também pode ser causa de estresse para o paciente. Embora os médicos sejam versados nas causas e nos motivos para a disfunção, a apreensão pode impedir que alguns homens procurem orientação médica. A verdade é que o tratamento para a DE é semelhante ao tratamento de qualquer outra disfunção clínica. Nas próximas seções, mostraremos o que você pode esperar quando procurar ajuda médica para a disfunção erétil. Na próxima seção, falaremos sobre o diagnóstico.


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