O que é disfunção erétil

Atualmente, no Brasil, cerca de 16% de homens na faixa etária de 20 a 75 sofrem de disfunção erétil. Contudo, estima-se que mais de 50% dos homens entre 40 e 70 anos sofrem de disfunção erétil em determinado momento da vida, e cerca de 10% nessa ampla faixa etária sofrem disfunção erétil total. De acordo com estudos demográficos e uma projeção da população do Brasil, o número de homens com DE aumentará. Conseqüentemente, a detecção e o tratamento eficaz de DE será de grande prioridade no serviço de saúde. A detecção mais eficaz começa em casa com o paciente, mas antes que se possa diagnosticar os sintomas, é preciso entender o problema.

Cinqüenta por cento de homens entre 40 e 70 anos sofrem de disfunção erétil.
2006 Publications International, Ltd.
50% de homens entre
40 e 70 anos sofrem de disfunção erétil


O que é disfunção erétil?

De vez em quando, todo homem tem dificuldade em manter uma ereção. Fadiga, ansiedade e consumo excessivo de álcool, entre outros, podem causar um problema ocasional. Homens que vivenciam uma incapacidade súbita de manter uma ereção quase sempre revelam uma origem psicológica para o problema. Assim como uma ereção pode resultar apenas de pensar em sexo, pensamentos negativos, por exemplo, sobre problemas financeiros, desentendimentos com a parceira ou problemas no trabalho podem impedir que o homem tenha ou mantenha uma ereção. De modo geral, homens com esse tipo de problema de ereção continuam a ter ereções enquanto dormem ou quando se levantam pela manhã.

Mas um problema ocasional em manter uma ereção não é o mesmo que a DE. A disfunção erétil é a incapacidade persistente de ter ou manter uma ereção satisfatória para o ato sexual. Essa é a definição médica aceita. A persistência do problema é causa comprometimento importante da qualidade de vida por ser um problema crônico.

Por que a denominação "disfunção erétil" e não "impotência", que é um termo mais conhecido pelo público? Porque a palavra impotência vem repleta de conotações pesadas e negativas. A disfunção erétil, por outro lado, descreve o problema físico com simplicidade e exatidão. Embora homens com DE sejam incapazes de ter uma ereção suficiente para a penetração, eles podem muito bem ter desejo sexual normal e a capacidade de chegar ao orgasmo e ejacular. A fertilidade permanece intacta.

A anatomia de uma ereção

Para entender o que causa a disfunção erétil é preciso compreender a fisiologia do pênis e como se dá a ereção. O pênis apresenta três colunas de tecido erétil. Duas, na parte superior, são denominadas corpos cavernosos e são distribuídas ao longo da extensão do órgão. A outra, que passa por baixo, é denominada corpo esponjoso e contém a uretra (ou canal urinário). Cada uma das colunas é circundada por uma membrana elástica chamada túnica albugínea.

As colunas no interior do pênis são preenchidas por tecido esponjoso que, na verdade, é músculo liso semelhante ao músculo encontrado nos intestinos e na bexiga. Um corte transversal do pênis mostra que esse músculo liso se assemelha a uma fatia de tomate. O tecido esponjoso contém músculos lisos, tecidos fibrosos, veias, artérias e cavidades. Quando o pênis está em repouso e flácido, as artérias se contraem, as cavidades se fecham e o pouco sangue que entra, sai pelas veias.

A ereção começa com o estímulo físico e mental. Impulsos do cérebro e dos nervos fazem com que as terminações nervosas do pênis liberem óxido nítrico (NO), levando os músculos lisos dos corpos cavernosos ao relaxamento, aumentando as cavidades semelhantes aquelas encontradas no tomate e permitindo que se encham com o fluxo de sangue. O sangue faz pressão, levando o pênis a se expandir. A ereção ocorre quando o tecido esponjoso se enche completamente de sangue. A túnica albugínea retém o sangue ao comprimir as veias, mantendo assim a ereção. O processo se inverte quando um outro conjunto de nervos libera a adrenalina, que faz os músculos contraírem, minimizando a entrada de sangue e aumentando a saída.

Ter uma ereção, então, requer uma seqüência de eventos. Uma vez iniciada, a ereção sexualmente estimulada se mantém por meio de uma complexa interação entre nervos e vasos sangüíneos. Os músculos precisam relaxar, as artérias precisam dilatar e as veias precisam se contrair - tudo ao mesmo tempo. Se alguma coisa perturbar essa seqüência de eventos, o indivíduo poderá ter disfunção erétil. Isso inclui uma interrupção nos impulsos nervosos ao cérebro, medula espinhal e pênis e dano/disfunção nos músculos, tecidos fibrosos, veias e artérias que irrigam e drenam os corpos cavernosos.

Agora que compreendemos melhor o que é disfunção erétil, na próxima seção analisaremos algumas de suas causas.

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