Tratamento da síndrome metabólica

Autor: 
Dr. Dana Armstrong e Dr. Allen Bennett King

Aumentar seu nível de atividade e mudar sua relação com os alimentos são um bom começo para o tratamento da síndrome metabólica. Essas mudanças geralmente são baratas e muito seguras - além de serem a base do tratamento da síndrome X e da diabetes. Para algumas pessoas, essas mudanças são suficientes para reduzir os níveis de resistência à insulina e os sinais da síndrome metabólica.

Além disso, existem também medicamentos disponíveis para o tratamento dos vários componentes dessa síndrome.

Aspirina em baixa dosagem - um comprimido de aspirina de 100 mg, tomado diariamente, é eficaz em tornar as plaquetas do sangue menos viscosas, diminuindo a probabilidade de ficarem presas em pontos irregulares das artérias. Isso contraria significativamente a tendência da síndrome metabólica de formar coágulo e pode reduzir o risco de morte em decorrência de doença cardíaca.

Entretanto, se você tiver asma, alergia à aspirina ou problema de sangramento, não tome aspirina. Antes disso, procure um médico.

Estatinas - esses medicamentos têm facilitado o controle da dislipidemia. Eles provaram ser muito seguros e poderosos na diminuição do colesterol LDL. Há no mercado várias estatinas como as sinvastatina, a louvastatina e a pravastatina.

Todas as estatinas funcionam da mesma forma, diminuindo a capacidade do fígado de produzir o colesterol LDL e aumentando o poder de absorção e destruição das moléculas do colesterol LDL no sangue. Além disso, as estatinas aumentam o colesterol HDL e diminuem os níveis de triglicerídios, especialmente quando usadas em doses altas. Elas geralmente são tomadas um pouco antes do horário de dormir e apresentam poucos efeitos colaterais. A irritação no fígado ocorre em cerca de 1 a 3 em cada 1.000 pessoas tratadas com estatina, mas geralmente o problema desaparece quando o medicamento é interrompido.

Para monitorar o fígado, é realizado um exame de sangue em que é feita a dosagem das enzimas hepáticas (TGO e TGP) e das enzimas musculares (CKP) de 6 a 12 semanas após o início do medicamento (o que deve ser repetido anualmente). Pode ser que você também sinta outros efeitos colaterais com o uso de uma estatina, como fadiga, insônia, depressão, dor de cabeça, erupções na pele e distúrbio intestinal, mas eles são raros.

Ainda mais raro, porém potencialmente fatal, é a rabdomiólise, que é uma rápida destruição dos músculos e que se caracteriza por fortes dores musculares e fraqueza por todo o corpo. Ela ocorre com mais freqüência quando a estatina é usada com certos medicamentos, como a eritromicina, ácido nicotínico ou fibratos. É comum também ocorrer em pacientes mais velhos que tenham nefropatia. Se você sente alguns desses sintomas, é importante procurar um médico para que seja feito um simples exame de sangue diagnóstico, chamado CPK.

O objetivo do tratamento do colesterol é baixar o nível do colesterol LDL para menos de 100 mg/dia e aumentar o colesterol HDL para mais de 40 mg/dia nos homens e mais de 50 mg/dia nas mulheres. O objetivo para o triglicerídios é um nível abaixo de 150 mg/dia. Se seu colesterol LDL for superior a 100 mg/dia, você primeiro deve usar a estatina e ver que efeito ela faz nos seus níveis de LDL, HDL e triglicerídios. Se esse tratamento falhar e você também tiver vários fatores de risco para doença cardíaca, ou se já tem a doença, discuta com seu médico a possibilidade de experimentar um fibrato ou o ácido nicotínico.

Fibratos - há vários tipos de fibrato disponíveis para uso médico. Eles funcionam diretamente no fígado ou no endotélio para diminuir os triglicerídios e aumentar o colesterol HDL. Infelizmente, eles têm pouco efeito nos níveis de LDL.

Ácido nicotínico - também conhecido como niacina, o ácido nicotínico é o melhor medicamento para aumentar os níveis de HDL. É uma vitamina, mas quando administrada em doses altas, age como um medicamento. Infelizmente, doses altas de niacina também causam, com freqüência, vários efeitos colaterais, como piora das úlceras pépticas, gota, vermelhidão no rosto durante algumas horas após tomar o medicamento, urticária e outros problemas na pele. Além disso, a niacina provoca um aumento da resistência à insulina, que é um problema que você, como diabético, está tentando combater.

Inibidores da enzima conversora da angiotensina (inibidores da ECA) - a pressão alta pode ser ainda mais prejudicial se o paciente tiver diabetes e síndrome metabólica. A pressão elevada nas artérias acelera a doença coronária e cerebrovascular (doença nos vasos sangüíneos que alimentam o coração e o cérebro, respectivamente), além de piorar a doença dos pequenos vasos sangüíneos nos rins e nos olhos. Dessa forma, o objetivo é deixar a pressão arterial o mais baixa possível sem que haja efeitos colaterais, como tontura ao ficar em pé. Existem muitas novas classes de medicamentos que podem ajudar, incluindo os inibidores da enzima conversora da angiotensina.

Os inibidores da enzima conversora da angiotensina não apenas baixam a pressão, mas também protegem o revestimento dos vasos sangüíneos e diminuem a resistência à insulina. Em alguns estudos apresentados recentemente, a incidência de diabetes em pessoas que corriam o risco de desenvolvê-la era 25% menor nas que recebiam os inibidores da enzima conversora da angiotensina. Estão em andamento testes para confirmar se os inibidores da enzima conversora da angiotensina devem ser recomendados como uma ferramenta preventiva para aqueles com alto risco de desenvolver diabetes.

Um efeito colateral comum dos inibidores da enzima conversora da angiotensina é a tosse. Aproximadamente, 30 a 40% dos pacientes deixam de usar o medicamento por causa da tosse. Os Inibidores da enzima conversora da angiotensina podem elevar os níveis séricos de potássio e esse efeito se soma a uma tendência do diabético de ter potássio mais elevado, devendo ser controlado pelo médico. Os inibidores da enzima conversora da angiotensina também não devem ser prescritos para pessoas com mais de 3,5 mg/dl de creatinina sérica.

Bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRAs) - os BRAs podem ser usados no lugar dos inibidores da enzima conversora da angiotensina nas pessoas que não conseguem suportar a tosse provocada pelos inibidores. Os BRAs bloqueiam as substâncias químicas abaixo das atingidas pelos inibidores da enzima conversora da angiotensina. Os BRAs protegem as artérias, assim como fazem os inibidores da enzima conversora da angiotensina, sem provocar tosse, porém são mais caros. E ainda podem causar os outros efeitos colaterais que são típicos dos inibidores da enzima conversora da angiotensina, especialmente o aumento dos níveis de potássio e creatinina. Por isso, são necessários exames de sangue para acompanhamento durante a terapia com o BRA. Uma lista parcial de BRAs de marca inclui Avapro, Cozaar, Diovan, Micardis e Teveten.

Hidroclorotiazidas - as hidroclorotiazidas são diuréticos, ou "pílulas de água". Na diabetes e na síndrome metabólica, as hidroclorotiazidas são usadas em doses pequenas para baixar a pressão arterial. Entretanto, quando administrada nessas doses menores, a impressão que dá é que não é seu efeito diurético que faz a pressão diminuir. De certa forma, as doses pequenas parecem funcionar relaxando os vasos sangüíneos pequenos. Em doses maiores (acima de 12,5 mg por dia), as hidroclorotiazidas provocam um aumento da resistência à insulina e uma redução da secreção da insulina pelo pâncreas.

Outros efeitos colaterais, geralmente encontrados em doses acima de 12,5 mg por dia, incluem perda de potássio, erupções na pele e cólicas. Existem centenas de marcas de hidroclorotiazidas no mercado e todas são muito baratas. São tomadas uma vez ao dia pela manhã.

Bloqueadores dos canais de cálcio - existem vários grupos de compostos, chamados de bloqueadores dos canais de cálcio, que bloqueiam os canais de cálcio nos músculos do coração e dos vasos sangüíneos, fazendo os vasos relaxarem e aumentando o fornecimento de sangue rico em oxigênio e diminuindo o trabalho do coração. Dos bloqueadores dos canais de cálcio disponíveis, os vasodilatadores (que relaxam e aumentam os vasos sangüíneos) podem ter menos efeitos colaterais (geralmente, apenas edema e constipação), além de serem mais baratos. Também não apresentam efeito negativo na resistência à insulina, o que é um fator positivo para as pessoas com diabetes. Esses medicamentos incluem o Norvasc e o Plendil.

Beta-bloqueadores - os beta-bloqueadores são um grupo de medicamentos relativamente antigo, que possui vantagens e desvantagens. Os beta-bloqueadores usados com mais freqüência, hoje, são Inderal, Tenormin e Toprol. Estudos mostraram que os beta-bloqueadores são especialmente eficazes no tratamento de pessoas com doença coronariana, já que esses medicamentos diminuem o risco de morte em pessoas com essa doença. Além disso, um grande estudo realizado na
Inglaterra/>/> e apresentado em 1998 mostrou que o Tenormin era tão bom quanto o inibidor da enzima conversora da angiotensina Capoten quanto à diminuição da doença dos grandes e pequenos vasos sangüíneos em pessoas com diabetes. As desvantagens dos beta-bloqueadores são os efeitos colaterais. Podem causar pesadelos, insônia e depressão e podem impedir a capacidade de sentir hipoglicemia, podem fazer suas mãos ficarem frias, tendem a aumentar a resistência à insulina e piorar o controle da diabetes.

Combinação de medicamentos - é bastante comum os médicos prescreverem combinações dos medicamentos citados acima. Para muitas pessoas, o controle bem sucedido da pressão arterial ocorre somente com uma combinação de medicamentos. Além disso, pequenas doses de vários medicamentos tendem a causar menos efeitos colaterais do que doses grandes de apenas um. Algumas empresas farmacêuticas possuem medicamentos combinados de diferentes grupos, como Accupril e uma hidroclorotiazida, em uma pílula. O fato de se tomar uma única pílula, em vez de ter que se lembrar de tomar várias, pode ser um benefício.

Coreg - também foram introduzidos outros medicamentos para o tratamento da pressão alta e alguns se mostraram promissores. Um em particular, o Coreg, apresenta as propriedades de vários medicamentos discutidos. Ele pode diminuir a resistência à insulina e a oxidação do sangue, que ocorre na síndrome metabólica. Entretanto, o Coreg pode causar tontura, além de ser relativamente caro. 

Como você viu nesse artigo, existe uma ligação definida entre a diabetes e a síndrome metabólica. Mas se você seguir os passos certos, poderá controlá-las.

Para obter mais informações sobre a diabetes, acesse os links a seguir.

  • Diabetes tipo 2: neste artigo você aprenderá sobre esse tipo de diabetes, que costumava ser chamado de "diabetes adquirida na vida adulta".
  • Sintomas da diabetes tipo 2 (em inglês): aqui você aprenderá sobre alguns sintomas e complicações da diabetes tipo 2 e aprenderá como tratá-los.
  • Diabetes: neste artigo você encontrará artigos sobre os vários tipos de diabetes, incluindo causas, diagnóstico, sintomas e tratamento.

SOBRE OS AUTORES: Dana Armstrong, RD, CDE, é formada em nutrição e dietética pela Universidade da Califórnia, Davis, e concluiu seu estágio em dietética no Centro Médico da Universidade de Nebraska, em Omaha, Nebraska. Em atendimento particular durante 21 anos, ela desenvolveu programas educacionais que beneficiaram mais de 5.000 pacientes com diabetes. É uma das fundadoras e diretoras do programa do Centro de Tratamento da Diabetes, em Salinas, Califórnia. Ela é especialista no tratamento de doenças, especificamente diabetes, e fala nacionalmente sobre o assunto. Como tem um filho com diabetes, ela combina seu conhecimento profissional com sua experiência e entendimento pessoais. Allen Bennett King, M.D., F.A.C.P., F.A.C.E., CDE formou-se e recebeu treinamento na Universidade da Califórnia, Berkeley; Escola de Medicina da Universidade de Creighton; Centro Médico da Universidade do Colorado; e no Centro Médico da Universidade de Stanford. É autor de mais de 50 artigos científicos em medicina e fala nacionalmente sobre os novos avanços na diabetes. Durante seus 32 anos de prática, viu mais de 7.000 pacientes com diabetes, alguns por mais de 25 anos. É professor clínico associado do Centro Médico Natividad da Universidade da Califórnia e um dos fundadores e diretores médicos do Centro de Tratamento da Diabetes, em Salinas, Califórnia, e filho de Earle King, que faleceu em 1978 em decorrência de complicações da diabetes.

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