Tratamento e prevenção da demência

O progresso de alguns tipos de demência pode ser retardado com o uso de medicamentos, mas a demência geralmente não pode ser revertida nem completamente interrompida. Atualmente, o FDA aprovou quatro medicamentos para portadores de algumas formas de demência leve a moderada; tais medicamentos são conhecidos como inibidores de colinesterase: donepezil, galantamina, rivastigmina e tacrina.

Esses medicamentos funcionam suprimindo a colinesterase, uma enzima que leva à quebra da acetilcolina. A acetilcolina ajuda a transmitir mensagens entre os neurônios, atividade vital para o aprendizado de coisas novas e para a retenção das memórias. A memantina, medicamento que funciona de outra forma, foi aprovada recentemente pelo FDA. Em vez de inibir a colinesterase, ela inibe o glutamato, que pode causar morte dos neurônios quando seus receptores são estimulados em excesso [fonte: Whitehouse (em inglês)].

Entretanto, os inibidores de colinesterase geralmente não são usados no tratamento da demência vascular. Não há tratamento medicamentoso para esse tipo de demência, embora alguns sintomas possam ser controlados. O avanço da doença normalmente pode ser retardado tratando-se alguns fatores de risco subjacentes do acidente vascular cerebral. Isso significa que o paciente pode usar medicamentos para controlar a pressão alta ou a diabetes, assim como anticoagulantes, como aspirina ou varfarina. A demência com corpos de Lewy geralmente é tratada com inibidores de colinesterase em conjunto com medicamentos para a doença de Parkinson e medicamentos antipsicóticos.

Como não há muito o que fazer com medicamentos, o diagnóstico inicial da demência pode parecer uma sentença de morte, lenta e dolorosa, para a pessoa envolvida e para qualquer um a seu redor. Mas não precisa ser assim. Os pacientes com demência devem ser incentivados a levarem uma vida normal e encontrarem formas de se sentirem úteis. Entretanto, devido à perda de memória, às vezes, essas atividades precisam ser reparadas. No livro "When a Family Member Has Dementia", a autora Susan McCurry descreve uma mulher que percebeu que sua mãe não gostava de ficar sem fazer nada. Como ela costumava passar roupa durante horas, a filha deu-lhe um ferro sem o fio, de modo que ela pudesse "passar roupa" sem se queimar [fonte: McCurry (em inglês)].

A tarefa de cuidar de uma pessoa com demência normalmente cai sobre um parente próximo.
© istockphoto.com / Lisa F. Young
A tarefa de cuidar de uma pessoa com demência normalmente recai sobre um parente próximo

Esse exemplo mostra o que pode ser um tratamento delicado para um portador de demência. Nos estágios iniciais da doença, o paciente tem condições de ficar em casa cercado por familiares, com algumas mudanças de segurança. No entanto, à medida que a doença progride, os desafios aumentam para o cuidador. Como duas pessoas com demência não são exatamente iguais, não existe nenhum livro que dê todas as respostas. O paciente pode ficar mais imprevisível e desafiador, mudando de um dia para o outro, e o que funcionou ontem pode não ter efeito amanhã. É um desafio para os cuidadores manterem-se alegres em vez de rancorosos.

O desgaste físico, emocional e financeiro que o tratamento pode causar é chamado de sobrecarga do cuidador. Em alguns casos, o desgaste físico pode ser bastante real; um estudo descobriu que o risco de morte para uma mulher cujo marido apresenta demência aumenta 28% no primeiro ano após o diagnóstico, ao passo que aumenta 22% para um homem quando a esposa é diagnosticada com a doença [fonte: Britt]. Cerca de 90% dos cuidadores são esposas, filhas e noras, sendo que só as esposas formam aproximadamente metade deles [fonte: Agronin (em inglês)]. É importante que essas pessoas peçam ajuda quando necessário e cuidem de si antes de tentarem tomar contar dos outros. Um estudo mostrou que, quando os portadores de demência são cuidados por pessoas que estão estressadas ou sobrecarregadas, eles apresentam mais problemas comportamentais [fonte: Nagourney]. Pode ser que chegue um momento em que seja necessário um enfermeiro.

Como a demência não tem cura, a melhor coisa a fazer é tentar preveni-la ou retardá-la. Embora ninguém possa interromper o processo de envelhecimento nem mudar o curso da genética, muitos fatores de risco podem ser modificados, como parar de fumar, manter um peso saudável e baixar o colesterol e a pressão arterial. Além disso, manter a mente em forma, sempre em busca de desafios, como palavras-cruzadas, por exemplo, também pode ter efeito. Para obter mais dicas, leia "Você consegue impedir a demência?" (em inglês). Há também muitos artigos e links interessantes na próxima página.