A demência geralmente começa lentamente e piora com o tempo; por isso, pode ser difícil diagnosticá-la nos primeiros sintomas. Como já mencionamos, é comum certa perda de memória à medida que a pessoa envelhece; por esse motivo, o diagnóstico da demência exige que os médicos saibam diferenciá-la do esquecimento normal relacionado à idade e da deficiência cognitiva moderada (um estágio intermediário do declínio cognitivo não tão grave a ponto de ser classificado como demência).
Para saber a diferença entre esses estágios, pense na tarefa de se lembrar de que o lixo é recolhido às terças-feiras, e que ele e todo o material reciclável devem ser colocados na calçada. A pessoa que apresenta problema de memória típico da idade pode esquecer essa tarefa de vez em quando. A pessoa que apresenta deficiência cognitiva moderada pode não apenas se esquecer de tirar o lixo, mas também de que a consulta médica e o aniversário do netinho são na terça-feira. Já a pessoa com demência pode até nem saber que é terça-feira.
Outra distinção entre esses níveis de declínio de memória é que as pessoas que apresentam casos mais graves geralmente não percebem que existe um problema. Se você tiver consciência de que está esquecendo as coisas, já é um bom sinal. No caso de demência, talvez seja necessário que alguém próximo leve a pessoa com os sintomas a um médico para obter um diagnóstico oficial.
![]() © istockphoto.com / anne de Haas Um médico pode ajudá-lo a determinar se a falta de memória é o início da demência |
Com tantos tipos de demência, o diagnóstico correto pode parecer um jogo de eliminação. Os médicos começam a avaliar os pacientes a partir do momento em que entram no consultório, observando sua aparência, comportamento, fala, humor, coordenação motora e processos de raciocínio. A consulta normalmente começa com uma entrevista; é extremamente importante que a pessoa que tenha presenciado o declínio cognitivo esteja presente para dar detalhes. O conhecimento do histórico do paciente dará algum contexto aos sintomas; por exemplo, se o paciente tem problema para ler e compreender, mas era professor, isso é bastante significativo, ou a pessoa que se preocupava com a aparência, e hoje se recusa a tomar banho ou trocar de roupa.
Naturalmente, os médicos também tentarão determinar com exatidão as partes do cérebro afetadas. Uma das formas mais comuns para isso é realizar testes cognitivos curtos. Um exemplo é o MMSE (Mini-Mental State Examination - Mini exame do estado mental). Ao realizar esse exame, o médico fará algumas perguntas básicas ao paciente e pedirá que ele realize algumas tarefas mentais, como contar de trás para frente ou repetir palavras na ordem. Para marcar a pontuação do MMSE, o médico assinala as respostas corretas e as ajusta conforme o grau de instrução do paciente. Pontos em certas variações em uma escala pré-determinada indicam demência.
Os médicos podem realizar outro exame rápido conhecido como teste do desenho do relógio. O paciente precisa desenhar um relógio com uma certa hora. Embora a tarefa pareça fácil, ela requer o uso de muitas áreas do cérebro para que seja concluída corretamente. Com base no desenho final, os médicos conseguem saber exatamente quais áreas estão comprometidas. Eles também utilizam exames de imagem do cérebro em busca de sinais de acidente vascular cerebral ou de tumor cerebral; no caso de demência vascular, as lesões causadas pelo acidente vascular serão vistas no cérebro.
Durante todo o exame, os médicos procurarão problemas que afetem a mente e sejam reversíveis. A perda de memória pode ocorrer como efeito colateral de alguns medicamentos, e também estar associada à depressão e a problemas de saúde, como tumores cerebrais e deficiências de vitamina. Nesses casos, a correção da causa geralmente tratará os sintomas da demência.
Os médicos têm alguma opção de tratamento para a demência irreversível? Descubra na próxima página.