Estudos sobre a oração de cura

Autor: 
Joshua Clark

Em 1988, o
físico Randolph Byrd chocou o mundo com os resultados de um estudo, que ele
conduziu cinco anos antes, sobre os efeitos da oração em pacientes cardíacos. Byrd
estudou 393 pacientes internados em uma unidade de tratamento cardíaco em um hospital de São
Francisco
. Os pacientes eram “estatisticamente semelhantes”, o que significa que
suas condições eram todas similares. Esses pacientes foram divididos em dois grupos: os que receberam oração intercessora e os que não receberam. Nem
o médico nem o paciente sabiam quem estava em qual grupo.

Garoto se recuperando na UTI
Ian Waldie/Getty Images
Estudos investigaram se a oração intercessora pode ou não auxiliar pessoas doentes em recuperação, como este garoto em uma unidade de terapia intensiva em Sydney, Austrália

Byrd forneceu o primeiro
nome, o diagnóstico e o estado de um paciente para diferentes grupos de três ou
quatro cristãos praticantes de diferentes congregações. Esses
grupos rezaram por seu paciente diariamente durante a sua internação, longe do
hospital, sem conhecê-lo pessoalmente. 

Quando o estudo foi
concluído, Byrd descobriu que, de fato, havia uma diferença significativa na qualidade
da recuperação dos pacientes que receberam as preces. No geral, eles se sentiram melhor do que
os que não receberam as orações. Quase 85% do grupo que recebeu as orações intercessoras
alcançaram “bom” no sistema de classificação utilizado pelos hospitais para medir a
resposta do paciente ao tratamento. Eles estavam menos propensos a sofrerem um ataque cardíaco, precisarem de antibióticos
ou necessitarem de intervenções como ventilação ou intubação. Por outro lado, 73,1%
dos participantes do grupo de controle alcançaram a classificação “bom” [fonte: Byrd (em inglês)].

O estudo de Byrd originou uma série de estudos semelhantes. Mesmo tendo sido alvo de muitas críticas,
Byrd desenvolveu um modelo para outros estudos sobre a oração. Um deles, conduzido por um grupo
liderado por William Harris em Kansas City (em inglês) no Estado de
Missouri (em inglês) em 1999,
confirmou o estudo de Byrd. O grupo de Harris chegou a resultados relativamente similares: 67,4% do grupo que recebeu a oração intercessora alcançou a classificação “bom”, comparado com os 64,5% do grupo de controle
[fonte: Harris,
et al
(em inglês)].

Mas outros estudos
não tiveram os mesmos resultados. O Estudo dos Efeitos da Oração
Intercessora (STEP - Study of the Effects of Intercessory Prayer), publicado em 2006 no American Heart Journal, acompanhou
pacientes em seis centros médicos nos Estados Unidos (em inglês).
Esse estudo dividia pacientes que haviam sofrido cirurgia de ponte de
safena
(em inglês) em três grupos:

  • os que receberam orações de um grupo
    de fora, mas que não estavam cientes disso;
  • os que não
    receberam orações;
  • os que estavam cientes de que estavam recebendo orações.

Não apenas o
estudo STEP obteve resultados diferentes dos obtidos por Byrd e Harris, mas também revelou
um aspecto totalmente inesperado. Os pacientes que receberam as orações tiveram mais complicações
do que os que não receberam (52% contra 51%). Mas,
surpreendentemente, os que sabiam que estavam recebendo orações foram os que mais sofreram: 59% desse grupo teve complicações após a cirurgia [fonte: Harvard (em inglês).

Em um estudo conduzido pela Universidade Duke em 2005,
pesquisadores investigaram os efeitos da oração, assim como os da terapia de toque, da música e das imagens (MIT). Esse estudo foi aplicado aos pacientes
em seus leitos. Os resultados mostram pouca diferença na recuperação dos que
receberam apenas a oração, dos que receberam a terapia, dos que
receberam ambos e dos que não
receberam nem orações nem terapia. Mas mostrou, entretanto, que houve uma
ligeira diferença entre a taxa de mortalidade registrada nos grupos após
seis meses de tratamento. O grupo que recebeu a oração intercessora junto com a terapia
teve a menor taxa de morte nos seis meses após a cirurgia, apesar disto
não ter sido considerado como uma diferença significativa pelos pesquisadores que conduziam o
estudo [fonte: Duke (em inglês).

Então qual o resultado? O
poder da oração foi provado ou não? A palavra final
foi dita? Leia a próxima seção para descobrir os problemas em conduzir
estudos sobre o sobrenatural.