Introdução sobre como funcionam os cuidados com pacientes terminais
Discutir
cuidados paliativos, ou seja, os cuidados com pacientes terminais ainda é complicado nos dias atuais em função da grande identificação com o processo de morte. Entretanto, a preocupação com os cuidados paliativos ou, pelo menos, inicialmente com
o conforto aos enfermos data da Idade Média.
A primeira menção na literatura a locais onde os enfermos podiam ser tratados foi na Idade Média, no tempo das Cruzadas e esses locais receberam o nome de
hospices. Eram locais onde os
monges abrigavam os viajantes enfermos que tentavam chegar à Terra-Santa. Havia pouco o que fazer nessa época, os doentes recebiam cuidados gerais, alimentos e conforto espiritual.
 ©iStockphoto.com As instituições que trabalham com cuidados paliativos surgiram na Idade Média
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No século 19, surge novamente a preocupação com os doentes sem possibilidade de cura. O nome
hospice foi então resgatado para o nome de locais que se especializaram no cuidado de pacientes terminais. O primeiro
hospice moderno surgiu na
França, na cidade de Lyon em 1842, quando
Madame Jeanne Garnier fundou alguns
hospices que eram chamados de Calvaires. A
Irmandade da Caridade Irlandesa inaugurou o Hospice da Nossa Senhora (
Our Lady’s Hospice) em
Dublin, em 1879. Na Inglaterra, em
East London, nasceu o
St. Joseph Hospice, que foi a raiz do
hospice moderno londrino em 1905.
O Our Lady´s Hospice e o St Joseph Hospice influenciaram o início nos
Estados Unidos dos cuidados aos enfermos que necessitam de cuidados paliativos em um Hospital em Nova Iorque no ano de 1899. Três
hospices de origem protestante surgiram neste período,
Friedenheim Home of Rest (posterior St. Colomba’s Hospital) em 1885, The Hostel of God (posterior
Trinity Hospice) em 1891 e St. Luke’s Home for the Dying Poor em 1893 que depois se transformou em um hospital.
No início
dos anos 50 do século 20, a
Marie Curie Care Cancer publicou um relatório detalhando a importância de dar assistência aos pacientes que sofrem de
câncer e inaugurou uma série de casas que davam cuidados aos mesmos.
Mas o marco mais importante nos cuidados paliativos foi
em 1967, quando Dame Cicely Saunders fundou o
St. Christopher’s Hospice em Londres que foi o precursor de todo o movimento dos cuidados paliativos. Essa instituição defendia alguns princípios inovadores que são:
- leitos de hospice integrados a comunidade com a participação e recursos de voluntários,
- tratamento e controle de sintomas dos pacientes que se encontravam fora das possibilidades de cura,
- suporte às famílias desses pacientes,
- serviço de acompanhamento durante o período de luto,
- assistência domiciliar
- criação de um projeto educativo e de treinamento de pessoas para trabalhar nesses locais
- criação de linhas de pesquisa e de avaliação dos cuidados na área dos cuidados paliativos.
Vários desses princípios continuam válidos no século 21.
A partir da Inglaterra, o movimento logo se disseminou pelo mundo e, em 1974, os Estados Unidos criaram o primeiro hospice em New Haven, Connecticut oferecendo assistência domiciliar com uma equipe multiprofissional, porém ainda sem uma retaguarda de leitos. Desde esta época, surgiram literalmente milhares de hospices nos Estados Unidos e Canadá. Dados recentes mostram que nos Estados Unidos já há cerca de 3 mil serviços e 450 mil pacientes inscritos no programa de Cuidados Paliativos.