As distrações no trabalho, mais do que incômodas, são fatais

Talvez você ache que pode agüentar uma gripe ou uma dor nas costas de vez em quando, e que essas condições certamente não tornarão seu cubículo fatal. Mas esses fatores podem ser agravados pelo terceiro elemento do conforto ambiental: o conforto psicológico. As pessoas estão confortáveis psicologicamente quando sentem uma espécie de controle e posse sobre seu espaço e um sentimento geral de entrosamento [fonte: Vischer - em inglê]. É por esse motivo que algumas pessoas enfeitam o cubículo, apesar de o controle do espaço de trabalho ser bastante limitado, como pode comprovar qualquer um que já tenha ouvido um colega cortar as unhas ou bater papo durante horas ao telefone.

As paredes de um cubículo podem mantê-lo isolado, mas as distrações estão por toda a volta. Telefones celulares com toques exóticos estão sempre berrando. Seus colegas tratam a copiadora como se fosse a vitrola de casa, e aquele cara repugnante do departamento de vendas pára na sua gaiola para falar do final de semana.

Podem parecer incômodos sem importância que tiram sua atenção do trabalho, mas como você está exposto a eles todo santo dia, acabam se acumulando. O estresse pela falta de concentração afeta seu corpo, que reage estimulando o sistema nervoso e liberando hormônios. Sua pulsação acelera, você começa a respirar com dificuldade e seus músculos ficam tensos. Quando o corpo fica exposto com freqüência a fatores que ativam essa reação ao estresse, este cria uma carga alostática. Esse estresse elevado foi associado a problemas que incluem pressão alta, infarto, fadiga crônica, distúrbios musculoesqueléticos, diabetes, depressão e dependência química.

A carga alostática também pode contribuir para o enfraquecimento do sistema imunológico, que deixa os trabalhadores mais suscetíveis ao resfriado que discutimos em uma das seções anteriores. Mas esse estresse habitual também pode enfraquecer seu cérebro. O hipocampo tem um papel importante na desativação da resposta ao estresse, mas quando o estresse é constante, ele pode afetar a capacidade do hipocampo em outras funções, como aprendizado e memória.

O trabalho atual no campo da neurogênese, isto é, o processo pelo qual o cérebro cria novas células, confirma isso. Um estudo do ambiente do sagüi revelou que, quando esses primatas estão em um ambiente estressante, as células de seu cérebro recuam, e eles param de produzir novas células. Os sagüis, em ambientes enriquecidos, apresentam cérebros enriquecidos para equilibrar; esses animais têm apresentado células cerebrais maiores e mais densas [fonte: Lehrer - em inglês]. Se já aconteceu de você sair do trabalho como se seu cérebro tivesse parado de funcionar, a combinação das paredes divisórias com o fato de você ser forçado a ouvir conversas inúteis pode ter sido a causa.

Outro problema é a freqüência com que você fica olhando para as paredes do cubículo. Quer você esteja trabalhando muitas horas para ser promovido, quer esteja simplesmente tentando segurar seu emprego em meio a uma turbulência financeira, a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional pode ser fatal. No Japão, onde a carga horária intensa e as horas extras não remuneradas são práticas comuns, a morte por excesso de trabalho, ou karoshi, em japonês, é legalmente reconhecida como uma causa oficial de morte. Em 2001, o karoshi foi considerado responsável por 143 mortes [fonte: JICOSH - em inglês]. Pelo menos um médico declarou que o karoshi deve-se não apenas às horas prolongadas, mas também ao estresse criado pelos anos de trabalho com aquele sentimento de estar preso e impotente. Se você passou anos da sua vida em um cubículo apertado, talvez essa descrição lhe traga algumas recordações.

O estresse afeta seu corpo. Funcionários estressados geram um aumento dos custos com a saúde, que são 46% mais altos do que as despesas de funcionários não estressados. Seu cubículo é a última coisa que você vê antes de sair? Descubra na próxima página se é possível prevenir a morte decorrente de cubículos.