Introdução

Quem fuma costuma dizer : “Para todas as situações um cigarro é levado à boca”. Criam-se associações entre o ato de fumar e algumas situações tais como: falar no telefone, dirigir, ir ao banheiro, após as refeições, após um café... Nas situações alegres, tristes, nas tarefas do dia a dia, para dormir, para acordar... há até relatos de pessoas que conseguem fumar tomando banho ou lavando louça!... ou seja, realizando tarefas incompatíveis que  exigem uma criatividade surpreendente e malabarismos para não molhar o dito-cujo.

Esses condicionamentos fazem com que o fumante tenha muita dificuldade em parar de fumar porque lembra-se a todo instante do cigarro, pelo fato dele estar inserido em cada momento de sua vida. Não somente por causa da dependência física, mas também pelo que o cigarro representa para o fumante: basicamente um apoio, uma muleta. Muitas vezes o fumante diz “quando vi, já estava com o cigarro na boca”, como se ele próprio não tivesse comando sobre o ato de fumar. Esses atos, sem consciência, são descritos quase como se fossem “involuntários”. É preciso chamar a atenção para a responsabilidade da pessoa e o esforço para que tenha força de vontade.

O fumante lembra-se do cigarro a todo instante.
2006 Publications International, Ltd.
O fumante está tão condicionado a ter um cigarro na mão que, para ele, qualquer situação é propícia para fumar


Parar de fumar exige um “passar a limpo” da rotina diária para tomar consciência de todos esses automatismos. Se por um lado é penoso e cansativo, é também uma boa maneira de trazer um olhar crítico sobre a rotina e reformular atitudes que não servem mais, enfim, fazer uma “faxina” nas próprias ações. Parar de fumar é uma grande oportunidade de mudança em todos os sentidos. 

O exemplo a seguir ilustra bem como esses condicionamentos, uma vez quebrados, podem provocar mudanças positivas: uma mulher tinha 45 anos e ainda morava com seus pais, que já eram idosos. Após o jantar, ela costumava fumar na varanda do seu apartamento. Quando parou de fumar, começou a ficar mais tempo dentro de casa. Incomodada com a atitude de seus pais, que discutiam com freqüência, pela primeira vez a mulher se questionou por que ainda não havia deixado a casa dos pais e conseguido o seu canto.

Dependência psicológica e condicionamentos estão, sem dúvidas, estritamente relacionados, porque em muitos momentos de tensão o cigarro passa a ser usado como alívio, criando desta forma o hábito. Somente o tempo e o esforço consciente irão fazer com que essas associações sejam quebradas. O fumante, muitas vezes, acha que será impossível desfazer-se desses condicionamentos, sobreviver sem eles, superá-los. Mudanças de hábito são imprescindíveis para quem quer parar de fumar. Vale lembrar a sabedoria chinesa: a palavra crise encerra dentro de si dois ideogramas,  perigo e oportunidade.