O comportamento da criança, dos 6 aos 12 meses

Seu bebê deve estar aprendendo a engatinhar por volta do seu primeiro aniversário. À medida que a criança começa a explorar o mundo sozinha, um sentido de independência começa a se desenvolver.

Reconhecimento facial

Aos sete meses de idade, seu bebê pode já ter começado a responder de forma diferente a diferentes pessoas. Isso acontece à medida que os bebês aprimoram suas habilidades de percepção visual e aprendem a reconhecer pessoas por seus rostos. O reconhecimento facial é um processo gradual adquirido ao longo dos primeiros oito meses de vida. Alguns bebês também conseguem ler as expressões faciais de seus pais, pois são capazes de observar sutis diferenças nos seus rostos. Como muitas aquisições obtidas no desenvolvimento, a discriminação visual e a percepção de rostos auxilia seu bebê a manter contato com você.

Aprender a reconhecer seu rosto ajudará o seu bebê a se sentir conectado a você.
2006 Publications International, Ltd.
Aprender a reconhecer seu rosto ajudará o seu bebê a se sentir conectado a você

Ansiedade de separação

O protesto do seu bebê quando você deixa o quarto, atitude referida por vezes como ansiedade de separação, é uma reação saudável. Fique certo de que isso não significa que o seu bebê irá se tornar um adulto excessivamente dependente. Isso é parte do desenvolvimento normal.

A ansiedade da separação requer o avanço da cognição necessário para a permanência de objeto (você continua a existir na mente do bebê mesmo quando está fora de vista) e uma necessidade especial de você que ninguém mais pode alcançar. Essa ansiedade representa o medo que o bebê tem de perder seu ente querido. Nos primeiros meses, seu bebê provavelmente acordou de um cochilo berrando. Um ano depois, apenas chamar pelo seu bebê de um outro cômodo pode ser suficiente para ajudá-lo a esperar por você. Essa mudança acontece quando ele consegue se lembrar de quem você é (mesmo quando não está com ele) e está confiante de que você virá. Antes de o seu bebê desenvolver a permanência de objeto, quando você deixa o quarto é como se deixasse de existir. Pensando assim, não impressiona que ele berre quando você se vai.

Um bebê de um ano normalmente entende que vocês são de uma entidade distinta. À medida que os bebês desenvolvem um maior controle motor, eles conseguem se distanciar de seus pais e vê-los à distância, o que ajuda os bebês a perceber a si mesmos como indivíduos separados. Essa separação os ajuda a começar a desenvolver uma consciência de si mesmo.

Se esconder e aparecer, uma das brincadeiras mais gostosas de se fazer com crianças, suporta o início da diferenciação que o bebê tem de ser separado de você. Quando você esconde a cara para um bebezinho, você realmente desaparece: o bebê cognitivamente interpreta a ausência da sua presença visual como seu desaparecimento. Quando você descobre a cara, reaparece como mágica. Para um bebê, as emoções de surpresa e alegria de estarem reunidos são bem reais nessas brincadeiras.

A brincadeira de se esconder ainda irá ter poderes mágicos para as crianças de 18 meses. Sua criança irá cobrir o próprio rosto de forma a não poder mais te ver. O que vai lhe impressionar é a crença da criança de que, se ela não pode ver você, você também não pode vê-la. Embora ela comece a reconhecer sua existência separada de você, ela ainda não será capaz de assumir a perspectiva de outra pessoa (colocar-se no lugar do outro).

Medo de desconhecidos

Aos 6 meses de idade (algumas vezes antes), seu bebê pode já ter desenvolvido uma preferência bem forte e clara por um dos pais. Essa preferência se exemplifica quando seu bebê chora ou se agarra a você quando um adulto se aproxima, esse comportamento é chamado de medo de desconhecidos. Em nossa cultura, bebês normalmente mostram alguma forma de medo de desconhecidos em algum momento.

Um bebê que não vê sua avó de forma freqüente pode chorar à medida que ela se aproxima para segurá-lo. É natural que avós se sintam rejeitados pelo choro de um neto, mas se o fenômeno for colocado no contexto do desenvolvimento normal, eles devem compreender. Se você passa por esse problema, sugira que tenham um pouco de paciência até serem familiarizados pelo seu bebê novamente antes de pegá-lo no colo.

Existe uma grande variação em relação a quando o medo de desconhecidos ocorre e na intensidade das reações. Alguns bebês choram histericamente, parecem horrorizados e se agarram fortemente a você. Outra reação do bebê pode ser uma olhada feia para você, como quem diz: "você tem certeza que vai me entregar para essa pessoa estranha?"

Quando o medo que o seu bebê tem de estranhos está no auge, é muito tentador sair de mansinho quando você quer deixá-lo com a babá. Contudo, se você fizer isso, seu bebê pode ficar mais alterado do que se você contar a ele que está saindo. A maioria dos pais concorda que não se deve sair às escondidas. Avisar de antemão aos bebês mais velhos e crianças o que vai acontecer é uma técnica útil para diminuir ou até prevenir a agonia do seu filho.

O medo de desconhecidos pode atingir um pico, dependendo das experiências do bebê, de seu temperamento e das maneiras com que lida com novas situações. O processo de se tornar independente se inicia no nascimento, mas certamente não se conclui nos três primeiros anos de vida. Ele continua de formas diferentes durante a sua vida e a vida de seu filho.

As características temperamentais do bebê podem causar diferenças na intensidade das reações ante estranhos, mas outros fatores, como a familiaridade com a situação, o cansaço do bebê e experiências passadas com estranhos, também podem influenciar. Bebês que são levados com os pais para o trabalho podem apresentar menos medo de desconhecidos por estarem acostumados a ver tantas caras todos os dias. O que é importante entender é que o medo de estranhos do bebê é uma reação saudável e uma parte do desenvolvimento emocional normal da criança.

Pais como centros de reabastecimento

Com o seu bebê conseguindo engatinhar e se distanciar de você vem também o desejo de usá-lo como uma base segura a partir da qual o bebê irá explorar. Um progresso no desenvolvimento pode ser observado: primeiro seu bebê se agarra firmemente a você, depois se afasta, eventualmente retorna para abraços (ou reabastecimento) e então se afasta, mas continua a verificar visualmente para certificar-se de que você não foi embora.

Enquanto que bebês mais novos exigem muito abraço, alimentação e brincadeiras no seu colo, bebês móveis não necessitam mais da sua atenção contínua e próxima à mão. Pode até ser possível deixar o bebê em outro quarto desde que você esteja disponível e mantenha alguma comunicação verbal. Naturalmente, deve-se ter certeza de que o quarto é adequado para crianças para que a segurança do bebê não esteja em risco. Em um estudo conduzido com mães e bebês em um laboratório de dois quartos, os bebês não deixaram que suas mães os abandonassem em um dos quartos. Contudo, quando a situação estava sob controle dos bebês e coube a eles ir para o outro quarto, eles se aventuraram, saindo da vista das mães, e exploraram.

Sua disponibilidade e segurança devem apoiar o comportamento exploratório do bebê. Bebês nessa idade que têm essa liberdade controlada de exploração, com a segurança do contato verbal com os pais quando estão fora de vista, parecem atingir melhores resultados em testes posteriores de habilidades emocionais e cognitivas. Permitir ao seu bebê liberdade de exploração e controle sobre o ambiente e não interferir com o que ele quer fazer sem necessidade melhora o relacionamento entre vocês.

Dependência executiva

Alguns psicólogos chamaram esse estágio exploratório vivido pelo bebê dos 6 aos 12 meses de um estágio de dependência executiva: o bebê continua sendo muito dependente de seus pais mas também possui algum controle sobre eles. Seu bebê pode tornar-se um tirano facilmente nesse estágio. Por exemplo, ele pode chorar porque quer uma bolacha e então ficar frustrado porque já não lembra mais o que queria. Seu bebê mantém você tentando adivinhar quais são as necessidades dele.

Enquanto que a constante dependência que seu bebê tem de você pode ser frustrante, encontrar essas necessidades básicas é essencial para a saúde emocional e para o crescimento cognitivo. Sua resposta e seus hábitos de atendimento e reconhecimento apropriado dos sinais, pedidos e exigências do seu bebê o tornam capaz de se tornar efetivo em suas interações com o mundo. Esse tipo de atenção ensina seu filho a pensar: "Se eu fizer algo, posso ter um efeito. Eu posso fazer algo acontecer".

Depois do primeiro ano, o desenvolvimento do seu bebê começa a se dar com uma rapidez surpreendente. Nas próximas seções, aprenderemos sobre isso.

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