As interações da criança, dos 4 aos 5 meses

Autor: 
Michael Meyerhoff, Ed.D.

Bebês com quatro a cinco meses começam a dar os primeiros passos para falar. Eis como o processo se inicia.

Sorrisos especiais

Sorrisos especiais apenas para os pais começam a aparecer aos quatro meses.
2006 Publications International, Ltd.
Sorrisos especiais apenas para os pais
começam a aparecer aos quatro meses

Sorrisos especiais apenas para os pais começam a aparecer aos quatro meses. Um sorriso se espalha pelo rosto do seu bebê quando ele vê você mas não quando vê qualquer outra pessoa. Esse comportamento implica não apenas um reconhecimento a você, uma habilidade cognitiva, mas também um reconhecimento de que você é especial, uma habilidade social. Isso obviamente gera uma resposta emocional incrivelmente forte de sua parte e torna muito mais divertido para você estar e brincar com o seu bebê. Na verdade, pode ser difícil para você se afastar para realizar atividades domésticas ou voltar ao trabalho. Por outro lado, isso gera grandes benefícios ao bebê, oferecendo a ele dois amigos prontos para ensiná-lo o que ele precisa aprender.

Balbuciando e falando suavemente

Não é maravilhoso ouvir seu bebê começar a fazer sons, balbuciar e falar suavemente quando você brinca ou fala com ele? O balbuciar e o falar suave do seu filho evocam uma grande reação da sua parte, assim como quando ele sorri. Suas brincadeiras começam a adquirir uma qualidade real de conversação. Agora, cada um de vocês é mais suscetível a tomar turnos, você responde ao seu bebê com palavras e caras engraçadas e o bebê responde com mais balbúcias.

Risada

Alguns bebês começam a rir mesmo antes de completarem quatro meses, alguns já com cinco semanas. A risada acontece cerca de um mês depois dos primeiros sorrisos. Um estímulo repentino e intenso (talvez de surpresa) pode fazer com que um bebê dê risada.

Mas você pode perceber que às vezes seu bebê não tem certeza se deve rir ou chorar. O riso parece ser uma emoção no limite do medo. Teorias sobre a risada sugerem que o bebê ri para objetos e acontecimentos que são quase compreensíveis a eles. Objetos e acontecimentos muito confusos, no entanto, fazem-nos chorar. Bebês de quatro a seis meses tendem a rir mais com um estímulo de toque (como cócegas) e quando você conversa com eles de um jeito bobo.

A risada do bebê ajuda a desenvolver um elo emocional entre vocês, tornando o seu papel muito divertido. Nós gostamos de ver bebês sorrindo, de forma que repetimos o que fizemos para fazê-los rir diversas vezes. Ao fazer isso, o seu bebê está aprendendo a adquirir algum controle sobre o ambiente onde está. Através da risada eles podem também aprender o tipo de efeito que exercem sobre outras pessoas.

Se alimentando e chupando o dedo ou a chupeta

Aos quatro meses, a probabilidade é de que seu filho tenha descoberto os dedos para chupar entre as amamentações ou que você tenha oferecido uma chupeta a ele. Diversos fatores podem influenciar na quantidade de tempo que seu bebê gasta chupando o dedo apenas por diversão. Ele tende a chupar mais o dedo se for um bebê que está acostumado a ser amamentado e tem esse hábito cortado. Muitas vezes, parar de amamentar é mais difícil para a mãe do que para o bebê. O relacionamento especial de dependência pode ser difícil de ser deixado para trás.

Quando os dentes começam a aparecer, você pode ver seu bebê começar a mastigar mais as mãos, os dedos e qualquer brinquedo disponível. O fim da amamentação e o aparecimento de dentes normalmente acontecem simultaneamente devido à mordida do bebê.

A maioria dos bebês gosta de chupar algo entre as refeições. Se eles tiverem a sorte de encontrar o próprio dedão, conseguem se acalmar - e alguns fazem isso já com 3 semanas. Colocar coisas na boca por prazer e não por nutrição é um dos primeiros meios de exploração dos bebês. Eles utilizam a boca para explorar o mundo tocando e experimentando objetos.

As pessoas costumavam acreditar que o tempo que os bebês passavam chupando as coisas iria imprimir efeitos duradouros em sua personalidade e comportamento. Por exemplo, alguns acreditavam que bebês que não chupavam as coisas o suficiente devido à mamadeira (ou se o leite dos seios fluía muito rápido) cresceriam com "personalidades orais" e seriam crianças que chupam o dedo em idade escolar e adolescentes fumantes.

Ao contrário do que reza a lenda, chupar objetos em excesso não irá afetar o bebê negativamente.
2006 Publications International, Ltd.
Ao contrário do que se acredita, chupar objetos
em excesso não irá afetar o bebê negativamente

Essas teorias antigas não foram mantidas. A maneira como bebês eram alimentados ou paravam de amamentar fazia pouca diferença no desenvolvimento da personalidade. Chupar objetos com freqüência também não parece ter nenhum efeito no desenvolvimento emocional (ou mesmo dental, até que os dentes permanentes comecem a surgir), de forma que você não precisa ficar tirando o dedo da boca do seu bebê ou negá-lo o uso da chupeta. Na realidade, é impossível impedir bebês de chupar quando eles querem, alguns deles chupam mesmo quando não têm nada na boca.

A conclusão de estudos profissionais é de que a estabilidade e o desenvolvimento emocional de uma criança não estão relacionados a como ela é alimentada. Além disso, o fim da amamentação não mostrou ter efeitos físicos ou psicológicos a longo prazo em bebês bem alimentados. Já algumas questões como o calor paterno, a atenção materna e o nível de conflitos em casa estão relacionados ao desenvolvimento de relacionamentos seguros.

Problemas na interação

Logo aos quatro meses de idade, seu bebê começa a desenvolver uma relação específica com você. Seus padrões de brincadeira ajudam a criar um elo duradouro. Contudo, em casos raros, problemas podem ocorrer nas brincadeiras entre pais e filhos.

Problemas na interação podem ser melhor vistos como uma quebra na seqüência de brincadeira, um passo em falso na dança, que inibe a mutualidade (a sensação de união nos dois lados) e a mudança do rumo. Algumas vezes a quebra é evidente para todos os envolvidos, como quando a criança é negligenciada ou abusada. Mais comuns são problemas que podem ser muito sutis e identificados apenas pela análise quadro a quadro de vídeos dos pais com seus bebês. Alguns bebês e pais demonstram o ritmo belíssimo e dançam em compasso, enquanto que outros parecem estar fora do passo. O erro aparece quando o que você espera que aconteça a seguir simplesmente não acontece.

Um exemplo desse tipo de erro é uma mãe que dá as costas exatamente quando seu bebê sorri para ela. Problemas podem surgir porque o bebê não está aprendendo que pode controlar o comportamento da mãe por seus próprios comportamentos sociais apropriados. Psicólogos diriam que os parceiros nesse tipo de interação são não-contingentes, ou seja, a resposta de um parceiro nada tem a ver com o sinal do outro. Bebês que passam por esse tipo de interação podem "aprender desamparo": não importa qual seja seu sinal, eles são incapazes de controlar seu ambiente de forma adequada (no exemplo, a resposta da mãe). Por essa razão, é essencial que todos os pais reajam sensivelmente aos sinais de seus bebês.

Outro problema pode ocorrer se um parceiro na interação for opressivo. Alguns pais "desligam" seus bebês ao tentar manter demais sua atenção. Por exemplo, se uma mãe continua a pressionar seu bebê, chegando mais perto e tentando persuadi-lo, mesmo quando ele dá sinais de que não quer brincar, ela está dominando a interação não permitindo que a criança seja um parceiro em igualdade.

Também pode haver problema entre o estilo de personalidade dos pais e o nível de atividade do bebê.

Infelizmente, não existem regras estabelecidas ou respostas fáceis para a maneira correta de brincar com seu bebê, exceto ser atento às características particulares dele. Alguns bebês são muito mais difíceis para os pais do que outros. Algumas vezes, apenas saber por que o bebê responde da maneira que o faz é suficiente para livrar os pais de quaisquer receios que possam ter e ajudá-los a voltar aos trilhos. Mais uma vez, problemas desse tipo são raros. Assim, o melhor conselho que você pode receber como um pai ou mãe de primeira viagem é relaxar, divertir-se e aproveitar o seu bebê!

Reconhecendo a singularidade do seu filho

Todo bebê é diferente. Algumas dessas diferenças vêm de você e do tipo de ambiente que você oferece, mas outras parecem vir com o bebê desde o nascimento. Uma dessas diferenças de nascença está no temperamento ou estilo comportamental, ou seja, se a criança é "fácil" ou "difícil" ou "demorada para aquecer". O temperamento é importante porque, infelizmente, enormes diferenças ocorrem entre o temperamento dos pais e seus filhos. Os pais ficam então obrigados a ir contra suas próprias convicções ao tentarem estabelecer limites para sua criança.

Um bebê "fácil" apresenta regularidade biológica (na alimentação, sono e eliminação), comportamento previsível e adaptabilidade. Basicamente qualquer pai acha esse tipo de bebê fácil de se relacionar, pois ele se adapta facilmente às rotinas e expectativas paternais.

A criança "difícil", por outro lado, não gosta de novas situações, possui humor intenso e negativo e se adapta muito lentamente. Embora alguns pais tenham muito prazer com esse tipo de bebê, descrevendo as dificuldades da criança como "vigor" e "vitalidade", é mais freqüente que pais e professores de crianças assim sintam-se ameaçados, ansiosos e ineptos. Se a sua criança é assim, é importante ter em mente que a personalidade dela provavelmente não é sua culpa. O temperamento de um bebê difícil existe independentemente das atitudes paternais e das técnicas utilizadas.

Embora as crianças que "demoram para aquecer" estejam em algum lugar entre os bebês "fáceis" e "difíceis", algumas vezes elas causam mais confusão para os pais do que as outras. Pais acham esses bebês frustrantes porque seu comportamento normalmente é muito imprevisível. Às vezes, são uma alegria só, mas as mudanças na rotina causam grande dificuldade para os pais.

Os pais também são todos diferentes, então tenha em mente que essas avaliações são subjetivas até um certo ponto. Dependendo da personalidade e de experiências passadas, o que é um bebê "fácil" para um pai pode ser "difícil" para outro e vice-versa. Além disso, o temperamento não é necessariamente estável, especialmente durante os primeiros meses de vida. Assim, é importante evitar que um rótulo se torne uma "profecia auto-realizável". Em particular, um bebê que é tido como "difícil" pode ser tratado rotineiramente de uma maneira que reforça essa avaliação e, como resultado, ele se desenvolve de acordo com as expectativas daqueles que se preocupam com ele e não necessariamente de acordo com o seu verdadeiro potencial.

O temperamento do seu filho influencia o comportamento e atitudes de amigos, irmãos, pais e professores. Como ele se socializa com essas pessoas importantes em sua vida diária dita seus padrões de adaptação a novas situações. Se você acha que o que parece ser uma socialização fraca pode diminuir as oportunidades de crescimento e desenvolvimento de seu filho, pergunte ao seu médico sobre programas para pais e filhos na sua comunidade. Educadores de questões relacionadas a pais e filhos podem ajudá-lo a compreender o temperamento do seu filho e sugerir algumas técnicas para auxiliar na criação.

Obviamente criar os filhos nunca é fácil e, se você acha que está difícil agora, espere até o seu bebê conseguir se movimentar sozinho. Na próxima seção, aprenderemos sobre as mudanças de desenvolvimento que acompanham o aprendizado de engatinhar.

Essas informações têm propósitos apenas informativos. ELAS NÃO FORNECEM ORIENTAÇÕES MÉDICAS. Tanto o editor do Consumer Guide ®, da Publications International, Ltd., quanto o autor e o divulgador não se responsabilizam por nenhuma possível conseqüência dos tratamentos, procedimentos, exercícios, modificações de dieta, ação ou aplicação de medicação que resultem da leitura ou utilização das informações aqui contidas. A publicação dessas informações não constitui prática da medicina e não substitui as orientações de seu médico ou outro profissional da saúde. Antes de iniciar qualquer tratamento, o leitor deve procurar o conselho do seu médico ou de outro profissional de saúde.