Como a música afeta nossa saúde

Provavelmente todas as pessoas já tiveram alguma experiência com uma música. Para o bem ou para o mal foram afetadas quando um som começou a ser tocado seja em uma vitrola que executava os saudosos lps ou mesmo nos aparelhos modernos de mp3 capazes de reproduzir arquivos durante horas e horas.

O fato cientificamente comprovado é que a música é uma das poucas atividades que envolve o uso de todo o cérebro humano e faz parte de todas as culturas. Por isso, é uma ferramenta usada no aprendizado de línguas, para melhorar a memória, a concentração, a atenção e no desenvolvimento da coordenação motora.

Mas, naturalmente, nem todo o tipo de melodia tem efeitos positivos. A música também pode ser um mecanismo de distração se for tocada em volume demasiadamente alto ou seu conteúdo for excessivamente chocante. Contudo, na grande maioria das vezes, a exposição à música é altamente benéfica às pessoas. A seguir, vamos listar alguns pontos positivos da utilização dessa ferramenta.

1) Aprimoramento das habilidades verbais e visuais

Uma série de estudos mostrou que inserir a música na vida das crianças estimula o cérebro e ajuda a desenvolver as habilidades de comunicação. Uma pesquisa forneceu a crianças entre quatro e seis anos de idade treinamento musical, que incluiu aulas de ritmo, afinação, melodia, voz e conceitos básicos sobre música. O resultado foi uma maior capacidade de compreensão das palavras e da explicação de seu significado.

Outro estudo, com crianças um pouco maiores, entre oito e 11 anos, mostrou que os indivíduos que tinham aulas de música entre suas atividades extracurriculares desenvolveram QI (Quociente de Inteligência) verbal maior e sua capacidade visual também foi superior aos que não tinham essa atividade paralela.

Até mesmo crianças com aproximadamente um ano de idade que tiveram aulas de musica juntamente com os pais mostraram melhor capacidade de comunicação e sorriram com maior frequência em comparação àquelas que não foram expostas a esse tipo de ensinamento.

2) Terapia contra a dor

A música demonstrou ter efeitos positivos no combate a dor, tanto aquela crônica quanto a pós-operatória. Também foi capaz de reduzir o sentimento de angústia. De acordo com estudo publicado no Journal de Advanced Nursing (Jornal de Enfermagem Avançada), da Grã-Bretanha, ouvir música pode ajudar ainda no combate à depressão.

A musicoterapia está sendo utilizada em alguns hospitais para reduzir a necessidade do uso de medicação durante o parto e também depois das operações.

3) Exercício para o cérebro

Pesquisa demonstrou que ter formação musical, seja ouvindo sons ou tocando um instrumento, na terceira idade ajuda a manter um cérebro saudável. Isso melhora a memória e a agudeza mental. Mesmo quem tem algum tipo de dano mental pode recuperar parcialmente as memórias ouvindo música.

Pacientes em um hospital na Finlândia foram submetidos a um tratamento com uma coletânea de músicas clássicas e jazz na recuperação de AVCs (acidentes vasculares cerebrais) durante duas horas diárias. E tiveram melhoras significativas em relação aos que não receberam tal estímulo.

4) Redução da pressão arterial e melhoria da qualidade do sono

Escutar músicas relaxantes todas as manhãs e à noite tem sido útil para reduzir e controlar a condição de pessoas que sofrem de pressão arterial elevada de acordo com pesquisa publicada pela American Society of Hypertension (Sociedade de Hipertensão dos Estados Unidos). Uma sessão de 30 minutos de música diária é suficiente para atingir o objetivo.

As sessões noturnas ajudam também a reduzir o estresse e ansiedade e auxiliam diretamente na melhoria da qualidade do sono. Muitas vezes a música é utilizada como tratamento eficaz contra a insônia.

5) Música traz felicidade

A música é capaz de mexer com os sentimentos fazendo que você se sinta feliz, triste, animado ou desanimado. O som faz com que o cérebro libere a dopamina, que causa uma sensação química positiva. A mesma obtida ao comer um pedaço de chocolate, após uma relação sexual ou através de certos medicamentos.

Todavia, mais que o estilo musical, o ritmo é crucial. Pesquisadores italianos e britânicos fizeram uma experiência com voluntários que incluiu expô-los a peças de sons clássicos e raps com pausas de dois minutos. Foram feitas medições dos batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração. As taxas eram maiores quando a música era mais animada, independente de a pessoa gostar ou não do que estava sendo tocado. O ritmo teve maior efeito sobre o relaxamento.

6) Aumento da imunidade

A música pode ajudar o organismo a reforçar sua função imunológica. A explicação científica para esse efeito é de que os sons criam uma experiência emocional profunda e com efeito positivo, o que leva o organismo a emitir hormônios que contribuem para redução de fatores que são responsáveis para geração de doenças. Ouvir música ou mesmo cantar também pode diminuir os níveis do hormônio relacionado ao estresse, que diminuem a imunidade.

7) Redução de ataques epiléticos

Um estudo divulgado em 2014 mostrou que a exposição de crianças à sonata para dois pianos em dó maior de Mozart reduziu o número de ataques epiléticos nos indivíduos que foram objetos da pesquisa, realizada em Taiwan.

8) Aumento da criatividade

Quem tem trabalho criativo a fazer pode utilizar a música como ferramenta para impulsionar sua atividade, mas precisa acertar o ponto. Ruído em excesso pode causar distração. O som moderado é o ponto ideal para a criatividade fluir sem sobrecarregar o cérebro no processamento das informações de forma eficiente em um ambiente poluído.

9) Rendimento físico maior

Já em 1911 o pesquisador norte-americano Leonard Ayres descobriu que os ciclistas pedalavam mais rápido quando escutavam música do que quando exerciam a atividade em silêncio. Ao ouvir os sons, isso fazia o cérebro evitar os sinais da fadiga e seguir em frente.

Em 2012, um novo estudo, usando recursos técnicos que não existiam anteriormente, mostrou que quando ciclistas ouviam música o cérebro exigia 7% menos oxigênio para fazer o mesmo trabalho do que quando se pedalava em silêncio.