Preparando os avós para um novo bebê

A presença de avós, tias e primas habilidosas e voluntárias - antes quase universalmente disponíveis para ceder tempo, recursos e conselhos para os novos pais - tem se tornado cada vez mais rara. Hoje estes membros da família podem viver espalhados pelo país ou estar ocupados demais com suas obrigações de trabalho ou lazer. Quer você veja ou não os avós com freqüência, vai aprender rápido que há uma nova dinâmica na relação de vocês. Nesta seção você vai ler sobre como a relação com os seus pais ou com os seus sogros pode mudar, como conciliar as idéias sobre educação das crianças de duas gerações e como lidar com conselhos inesperados.

Os avós geralmente estão animadíssimos para saudar a chegada do bebê.
Publications International, Ltd., 2006
Os avós têm uma
relação especial com o recém-nascido

A relação da vovó com o bebê.  A avó que more próximo de você e queira participar do cuidado do bebê pode ser uma ajuda ou um incômodo, dependendo do bom senso e da personalidade dela e da sua atitude em relação a isso. Se ela critica os seus esforços com a limpeza da casa ou com o cuidado do bebê, se ela banca a mártir ou se considera que a maneira como ela faz as coisas é a única certa, você não vai ficar radiante com a prensença dela. Por outro lado, se ela só dá conselhos quando você pede, aceita você como você é e tem boa vontade para ajudar do jeito que você gosta, ela pode ser um tesouro para você - e para os seus filhos, também. Se você tem lembranças especiais da relação com uma avó, vai querer que os seus filhos tenham a mesma experiência, a qual só pode se desenvolver entre pessoas separadas por uma geração.

A relação do vovô
com o bebê. O avô também tem um interesse especial no bebê -- seu descendente. Aceite o envolvimento dele com a vida do bebê e o estimule a desenvolver a privilegiada relação entre um homem e seu neto. Ele pode não se envolver tanto com o bebê como a avó, mas os sentimentos dele são igualmente fortes.

Uma mãozinha da vovó. A primeira experiência de dividir os seus filhos com a avó pode acontecer logo depois que você voltar do hospital, quando ela chega para dar uma mãozinha nos primeiros dias ou semanas. Não se surpreenda se ela preferir cozinhar e limpar a casa e deixar para você o cuidado do bebê. Se ela não esteve por perto de um recém-nascido há algum tempo, ela pode estar insegura para testar as habilidades há muito esquecidas. Você pode preferir este acordo mesmo assim. Outras avós podem querer se encarregar de cuidar do bebê para mostrar como se faz. Tente não ficar ressentida se ela quiser cuidar do bebê. Você vai ter sua chance depois, quando ela partir. Se o seu parto foi uma cesariana, você pode aproveitar esse tempo da avó com o bebê para descansar.

É bem possível que, quando você e a vovó estiverem conversando sobre o bebê, apareça uma diferença de opinião entre as duas gerações. Geralmente, o problema é de conflito de informações. A vovó pode precisar fazer muitos "ajustes mentais" antes de aceitar e aprovar o seu entusiasmo com algumas práticas consideradas ultrapassadas e antiquadas como fazer o parto sem anestesia, a opção de fazer o parto na maternidade ou em casa e a importância da amamentação. Ela pode achar inapropriada a participação total do pai no nascimento e no cuidado com a criança, porque o marido dela deixou tudo isso por conta dela. Você e ela podem discordar sobre o uso de chupetas, sobre ter um horário rígido para alimentar e dar banho no bebê, sobre usar fraldas de pano ou descartáveis. Se a vovó for inflexível, você pode se apavorar com os próximos anos, prevendo o conflito contínuo sobre tudo, da alimentação à disciplina.

No entanto, aqueles das gerações mais velhas que criaram famílias têm uma grande proposta a oferecer. Nem todo conselho dado pela vovó é mito ou lenda de esposa; os anos de experiência ensinaram a ela muita coisa que você provavelmente pode usar. Além disso, muitos parentes mais velhos estão dispostos a aprender com as mães da nova geração que, por exemplo, segurar o bebê toda vez que ele chora não faz com que ele fique mimado e exigente, ou que uma casa impecável não é importante para a saúde e o bem-estar do bebê, nem é a felicidade da família.

Lidando com conselhos inesperados

Com boa vontade e uma boa comunicação, você pode se esforçar para extrair o melhor que os seus pais e outros parentes mais velhos têm para oferecer e, com diplomacia, ensiná-los o melhor do que você sabe, sem diminuir os seus padrões ou sacrificar os seus valores.

Comece usando os muitos recursos disponíveis para confirmar a sua opinião. Todos nós temos a tendência de acreditar naquilo que lemos e, como as mulheres das gerações mais velhas costumavam dar muita importância aos conselhos de médicos e outros especialistas, mostre para a vovó artigos de livros e revistas que reforçam sua opinião. Fale de seu médico para ela. Divida com ela a literatura que você tem de organizações como a Liga "La Leche" ou a Associação Nacional de Educação para o Parto. Conte para ela o que você aprendeu com pessoas cuja opinião ela respeita -- o seu vizinho, cujos filhos ela sempre elogia, ou a sua irmã ou cunhada. Às vezes se esquivar é uma boa técnica. Agradeça pelo conselho e não diga ou faça mais nada sobre o assunto. Ou então esqueça de tentar o método dela ou diga que você vai "começar em breve".

Com bom humor e respeito, você e a vovó podem pelo menos se aproximar de uma relação ideal, trabalhando juntas em benefício do seu filho - uma relação em que a criança é mais importante para ambas do que as opiniões de cada uma sobre educação. Tenha em mente que os benefícios da sua relação com a vovó vão para o seu filho, cuja relação com ela é inestimável.

Lidando com a vovó ou com outra pessoa, a última palavra é que você é a mãe, uma pessoa inteligente e bem informada, e você tem o direito de determinar o que é melhor para o seu filho e de criá-lo do jeito que você achar apropriado. No fim, se você precisar, pode lembrar a estas pessoas que elas escolheram seus caminhos e que você vai escolher o seu. É claro que tudo isso é mais fácil com conhecidos ou estranhos, que talvez surpreendam você com a audácia de dizer a você como agir ou fazendo perguntas impertinentes sobre o modo como você educa o seu filho. Você não precisa justificar as suas atitudes perante estas pessoas; você pode evitar desentendimentos agradecendo pelo interesse com civilidade e tomando o seu rumo.

Tenha certeza de estar sendo criticada antes de reagir. Lembre-se que quanto mais inseguros nós somos, mais tendemos a ver crítica onde não havia intenção e, às vezes, todos nós exageramos em situações que envolvem nossos filhos. Poucas questões são importantes o bastante para forçar brigas com nossos parentes e amigos íntimos.

É surpreendente o quanto o bebê afeta as nossas relações com outros adultos. De repente, você pode se entender com um parente com quem nunca havia conversado muito só porque vocês têm afinidades no modo de criar as crianças. Por outro lado, a relação íntima que você tem com sua mãe ou com sua sogra pode ficar tensa se vocês têm idéias diferentes sobre o assunto. Felizmente, o animalzinho de estimação da família não dá a mínima para o método de ninar que você prefere, contanto que você lembre de incluí-lo na medida do possível. Se você está preocupada com a reação do bichinho ao novo bebê, vá para a próxima página para ver as dicas sobre como apresentar a criança para o seu "outro bebê".