Como funciona o cigarro eletrônico?

Na luta para combater o fumo, que mata mais de 200 mil pessoas por ano apenas no Brasil, foi desenvolvido o cigarro eletrônico, também conhecido como e-cigarro ou e-cig, um pequeno aparelho que simula o ato de fumar, ajudando as pessoas dependentes a largarem o vício.

O cigarro eletrônico produz um vapor inalável com pouca ou nenhuma quantidade de nicotina, além de ser saborizado, com gosto de frutas, tabaco ou café, apenas para citar alguns (são milhares de opções de sabores, e a cada dia surgem novos, como sorvete toffee, destilado de pêssego, chiclete de menta e chantilly).


Foto: iStock.

A “fumaça” produzida pelo e-cig é na realidade vapor, proporcionando uma sensação parecida ao ato de fumar. Além disso, o cigarro eletrônico também simula o movimento – levar o cigarro à boca e tragar - o que traz alívio e conforto aos fumantes que estão tentando largar o hábito.

Em vários países do mundo, as pessoas que utilizam o e-cig se chamam de “vapers”. A expressão também virou um verbo, “to vape” ou “vaping”. Isso indica que os e-cigs já se tornaram uma tendência que veio para ficar em todo o mundo, e que os usuários já se sentem bastante ligados ao aparelho. Para muitos fumantes, os cigarros eletrônicos proporcionam o prazer de tragar, mas sem os malefícios associados ao hábito.

Alguns especialistas no combate ao fumo e profissionais de saúde alertam que ainda faltam provas de que os e-cigs são seguros, e que não se deve considerar seu uso parte de um estilo de vida saudável.

Composto por uma bateria e um “filtro”, em que se encontra um líquido saborizado, a maioria dos cigarros eletrônicos se parece muito com os tradicionais, e hoje em dia já existem até charutos e cachimbos eletrônicos. Os aparelhos são recarregáveis e podem ser usados muitas vezes. Há um outro modelo bastante utilizado também, que não se parece com um cigarro comum, mas composto pelas mesmas partes básicas. Ambos podem ser comprados em sites brasileiros, apesar da ANVISA ter proibido a venda dos dispositivos no país.

A bateria do e-cig é recarregada normalmente, como a de qualquer aparelho eletrônico. O líquido saborizado (chamado de e-liquido ou e-suco) pode ser comprado em cartuchos, usados várias vezes. Há opções com ou sem nicotina, dependendo dos objetivos do usuário.

A Electronic Cigarette Convention 2014, realizada em Ontario, no Canadá, contou com mais de 35 mil participantes de todo o mundo, uma prova de quanto a indústria de e-cigs está crescendo. Especialistas econômicos indicam que há um imenso potencial de expansão no setor de produção e inovação relacionados ao cigarro eletrônico. As grandes produtoras de cigarro comum já se voltam para esse mercado, também devido às restrições sofridas por essa indústria nas últimas décadas.

O que está presente no e-liquido

O e-liquido que dá sabor ao vapor produzido pelos cigarros eletrônicos contém água, glicerina (alimentícia), propilenoglicol e essências, além da nicotina (alguns não contêm nicotina), ingrediente que causa o vício de fumar. O usuário pode escolher entre e-sucos com 0 mg, 12 mg, 18 mg e 24 mg de nicotina.

O propilenoglicol é seguro para consumo humano, sendo bastante usado pela indústria de alimentos e cosméticos. Segundo artigo da Wikipédia: “No e-líquido, o propilenoglicol é usado para produzir vapor e carregar o sabor e aroma, sendo que a intoxicação por inalação do propilenoglicol não se mostra preocupante. Ainda, o propilenoglicol não causa sensibilização e não apresenta qualquer evidência de ser uma substância cancerígena, contudo, alguns indivíduos podem apresentar alergia a este componente”.


Foto: iStock.

Sobre a nicotina:

A nicotina é uma substância da família dos alcaloides (como a cafeína, presente no café, no chá-preto e no guaraná, entre outras plantas), encontrada no tabaco e outros vegetais. Os fumantes sentem um efeito estimulante e relaxante ao tragar o cigarro grandemente por causa da nicotina, que também é responsável pelo vício. Uma dose muito alta da substância pode levar a problemas sérios de saúde, como convulsão e paralisia. Uma dose de 0,4 mg/kg em adultos leva à morte.

A presença de nicotina nos cigarros eletrônicos é motivo de muita preocupação porque, segundo alguns especialistas, pessoas que nunca fumaram podem querer experimentar e-cigs por causa da diversidade de sabores, e porque é “legal” vaporizar. Após um período consumindo cigarros eletrônicos sem nicotina, essas pessoas – sobretudo as mais jovens - podem ser levadas a provar os e-cigs com algum teor de nicotina, viciando-se. É por isso que, mesmo em países onde a venda de cigarros eletrônicos é liberada, é preciso ter mais de 18 anos para obtê-los.

Benefícios do e-cig

- Não possuem alcatrão e seu vapor não libera as cerca de 4,7 mil substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro comum, resultantes da queima do alcatrão.

- O e-cig também não libera gás carbônico, e os usuários não ficam com o “cheiro de cigarro”, nem suas roupas ou o ambiente em que se encontram.

- Não prejudica as demais pessoas no ambiente, por exemplo, crianças ou pessoas que convivem com o vaper não se tornam “fumantes passivos”.

- Como não há combustão, nenhum material é queimado. Além de diminuir drasticamente os riscos à saúde, também elimina riscos de incêndio.

- É reutilizável, por isso, custa bem menos que o vício do cigarro comum. Também não polui o ambiente com bitucas de cigarro.

- Não causa o escurecimento dos dentes nem problemas na boca e gengivas.

- Não compromete o fôlego nem a respiração.

- Não causa tosse crônica, formação de secreção no sistema respiratório nem vários outros males causados pelo cigarro comum, como aumento no risco de câncer, insuficiência cardíaca e respiratória, impotência sexual e envelhecimento precoce, apenas para citar alguns.

O cigarro comum possui mais de 600 ingredientes, que, ao serem queimados, se multiplicam em 4,7 mil substâncias tóxicas ao organismo, 60 delas ligadas ao risco de câncer, sobretudo de pulmão. Ao causar vício, o cigarro se configura como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) o considera como a “principal causa de morte evitável” no planeta.

No Brasil, a ANVISA ainda aguarda mais testes para aprovar os cigarros eletrônicos como um dispositivo eficaz e seguro para quem quer deixar de fumar. Entretanto, vários sites nacionais já comercializam o produto, a preços variáveis, que começam em cerca de R$ 60 (modelos mais simples).


Foto: iStock.

Advertências e riscos

O mecanismo dos cigarros eletrônicos é claramente bastante promissor como instrumento de ajuda na luta contra o tabagismo. Usar um aparelho que simula o ato de fumar, mas que, ao invés de fumaça, libera vapor à base de água é naturalmente muito eficaz para simular os benefícios do fumo (sensação de prazer e relaxamento para seus usuários), sem incluir os inúmeros malefícios provocados por ele.

Mas a constituição do líquido presente nos cartuchos dos e-cigs têm causado discussões polêmicas. Diante do poderio da indústria de cigarros tradicionais, pode-se imaginar que muitas críticas feitas aos e-cigs tenham interesses políticos e sobretudo econômicos velados, mas alguns estudos aparentemente independentes também estão questionando se os aparelhos são realmente seguros para consumo humano.

Um recente estudo publicado por pesquisadores japoneses em novembro de 2014 revelou que o vapor dos cigarrros eletrônicos contém substâncias cancerígenas, como o formol, em quantidades maiores que as encontradas no cigarro comum. Outras substâncias perigosas encontradas foram a acroleína, o glioxal e o metilglioxal.